Olha, Pai Natal
Este ano não quero prendas.
Não quero jogos, nem música,
não quero jóias, nem roupas,
nem sequer vou viajar.

Não te quero cá Pai Natal.

Quero antes que dês
mimos a quem precisa,
calor a quem tem frio.
Que faças rir quem não sabe,
ou pelo menos sorrir.
Que sintas o que faz falta
à gente que nada tem.
Que ouças o que tem para dizer
a gente que nada diz.

Olha, Pai Natal,
olha para esses olhares
que escondem mais do que mostram,
que calam mais do que falam
e ainda assim quase riem.

Não, Pai Natal,
este ano não te quero cá,
vais ter tanto que fazer…

 

(escrito no Natal de 2010, mas ainda e sempre atual)

Adelino Pires nasceu em Portalegre, em 1956, num dia de solstício de verão. Cresceu no Tramagal e viveu numa mão cheia de lugares. Estudou, inspirou, transpirou, e fez acontecer meia dúzia de coisas ao longo do tempo. Alfarrabista no centro histórico de Torres Novas, gosta do que faz e faz o que gosta. Mais monge que missionário, cronista nalguns jornais, publicou um livro em 2015 (“Crónicas Com Preguiça”). É nos seus escritos vadios que, no dia a dia, vai olhando o que sente.

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