Olaia e Paço opõem-se a unidade industrial de biometano junto a Árgea. Foto ilustrativa: DR

A União de Freguesias de Olaia e Paço manifestou oposição à instalação de uma unidade de produção de biometano em Torres Novas, alegando dúvidas ambientais, impacto na qualidade de vida e falta de garantias sobre os efeitos da infraestrutura.

Em comunicado, a autarquia refere que a posição assumida “não representa uma oposição às energias renováveis, à valorização de resíduos ou à transição energética”, mas sustenta que um projeto desta dimensão “deve ser analisado com rigor”, sobretudo quanto à localização e aos impactos para as populações.

O projeto, atualmente em consulta pública no Portal Participa até 25 de junho (AQUI), prevê a instalação de uma unidade com cerca de 4,8 hectares, uma vida útil estimada de 30 anos e capacidade para receber perto de 100 mil toneladas de resíduos biodegradáveis por ano.

Segundo a União de Freguesias, trata-se de “uma infraestrutura de dimensão industrial significativa”, associada à receção, transporte, armazenamento e tratamento de resíduos, bem como à circulação regular de veículos pesados.

A autarquia identifica várias questões que considera ainda sem esclarecimento, entre as quais o impacto do tráfego pesado nas vias locais, as rotas previstas para circulação de camiões, os efeitos ao nível do ruído, odores e qualidade do ar, o consumo de recursos hídricos e a proteção dos solos e linhas de água.

São também apontadas dúvidas quanto ao destino final do digerido resultante do processo e aos impactos cumulativos da unidade, do gasoduto e da linha elétrica associada, bem como às garantias de resposta em caso de danos ambientais, viários ou patrimoniais.

“A nossa freguesia tem uma identidade rural, agrícola, habitacional e comunitária que deve ser respeitada e protegida”, refere a nota, acrescentando que a existência de atividade agrícola na envolvente “não significa que o território esteja automaticamente preparado para receber uma infraestrutura industrial desta dimensão”.

A União de Freguesias apelou ainda à participação da população na consulta pública, incentivando os cidadãos a apresentarem contributos, observações ou oposição através do Portal Participa. Ao final do dia de hoje, segunda-feira, 25 de maio, o documento registava 90 participações.

“A participação dos cidadãos é fundamental, especialmente em matérias com impacto no território, no ambiente, na qualidade de vida das populações e no futuro da nossa União de Freguesias”, sustenta a autarquia.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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