Não gostaria de escrever sobre isto. Seria mais cómodo escrevinhar de livros ou de escritores, do que pensam e do que escrevem, até mesmo do que não escrevem. Mas gosto demais do meu clube para me escudar no silêncio. A vida não é só poesia, a bola é redonda, e isto do Fado, Futebol e Fátima não é só coisa da outra senhora. Bem vistas as coisas, continua, veio para ficar e, pelos vistos estará para durar. O fado, esse não nos larga, que havemos de viver com ele. Estamos fadados para isso, já é património material, imaterial e materialmente falando há quem se abotoe bem com o destino. Volta, Amália, estás perdoada, que estranha forma de vida esta, que se voltasses agora, nem o povo que lavas no rio, poderias voltar a cantar, de tão poluído que corre. De Fátima não falo, que é assunto tabu, que o respeitinho é muito bonito, não seja eu excomungado.
Quanto à bola, valha-me jorge ou jesus, ou coisa que o valha. Era disto que não queria escrever, mas o brutus foi longe demais e eu resisti, resisti, mas não consegui. Não é que os meninos não tenham alguns mimos, que os têm. Que não pisem o risco, que pisam. Que não usem e abusem, que o fazem. Que não extravasem demais e, por vezes, até corram de menos. Que se não estiquem, a eles e à corda do relógio a horas e a desoras. Que isto de ganhar mundos e fundos, acelerar e respirar fundo não é para todos. Ronaldos, só há mesmo um, que é o nosso e mais nenhum!
Mas que diabo, oh brutus, não havia necessidade. Então, dispara-se a tudo e a todos? Com razão ou sem ela, sem tento na língua, sem tino na tola, qual dono da bola? Isso era dantes, meu caro. Dantes é que o dono da bola mandava, apitava, decidia e podia. Escolhia o campo e a equipa, fazia de árbitro, marcava os cantos e os penaltis, pagava rodadas quando ganhava e amuava quando perdia. Ó meu caro, este agora é outro tempo. Não lhe nego coração de leão. Mas com língua de palmo. E um leão ruge, mas não grita. É o rei da selva, mas não se atira às feras. Porque Alvalade não é o Coliseu. E dispensa gladiadores.
Por tudo isto, obviamente, omita-se ou então, demita-se. Tanto faz, porque tanto fez. Para o bem e para o mal. E, já agora, talvez fosse tempo de um ou outro imperador sair da sua zona de conforto e, de perto, assumir as dores de parto. Rogerius, para que te querius?
