Os cinco violinos: Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.

Não gostaria de escrever sobre isto. Seria mais cómodo escrevinhar de livros ou de escritores, do que pensam e do que escrevem, até mesmo do que não escrevem. Mas gosto demais do meu clube para me escudar no silêncio. A vida não é só poesia, a bola é redonda, e isto do Fado, Futebol e Fátima não é só coisa da outra senhora. Bem vistas as coisas, continua, veio para ficar e, pelos vistos estará para durar. O fado, esse não nos larga, que havemos de viver com ele. Estamos fadados para isso, já é património material, imaterial e materialmente falando há quem se abotoe bem com o destino. Volta, Amália, estás perdoada, que estranha forma de vida esta, que se voltasses agora, nem o povo que lavas no rio, poderias voltar a cantar, de tão poluído que corre. De Fátima não falo, que é assunto tabu, que o respeitinho é muito bonito, não seja eu excomungado.

Quanto à bola, valha-me jorge ou jesus, ou coisa que o valha. Era disto que não queria escrever, mas o brutus foi longe demais e eu resisti, resisti, mas não consegui. Não é que os meninos não tenham alguns mimos, que os têm. Que não pisem o risco, que pisam. Que não usem e abusem, que o fazem. Que não extravasem demais e, por vezes, até corram de menos. Que se não estiquem, a eles e à corda do relógio a horas e a desoras. Que isto de ganhar mundos e fundos, acelerar e respirar fundo não é para todos. Ronaldos, só há mesmo um, que é o nosso e mais nenhum!

Mas que diabo, oh brutus, não havia necessidade. Então, dispara-se a tudo e a todos? Com razão ou sem ela, sem tento na língua, sem tino na tola, qual dono da bola? Isso era dantes, meu caro. Dantes é que o dono da bola mandava, apitava, decidia e podia. Escolhia o campo e a equipa, fazia de árbitro, marcava os cantos e os penaltis, pagava rodadas quando ganhava e amuava quando perdia. Ó meu caro, este agora é outro tempo. Não lhe nego coração de leão. Mas com língua de palmo. E um leão ruge, mas não grita. É o rei da selva, mas não se atira às feras. Porque Alvalade não é o Coliseu. E dispensa gladiadores.

Por tudo isto, obviamente, omita-se ou então, demita-se. Tanto faz, porque tanto fez. Para o bem e para o mal. E, já agora, talvez fosse tempo de um ou outro imperador sair da sua zona de conforto e, de perto, assumir as dores de parto. Rogerius, para que te querius?

Adelino Pires nasceu em Portalegre, em 1956, num dia de solstício de verão. Cresceu no Tramagal e viveu numa mão cheia de lugares. Estudou, inspirou, transpirou, e fez acontecer meia dúzia de coisas ao longo do tempo. Alfarrabista no centro histórico de Torres Novas, gosta do que faz e faz o que gosta. Mais monge que missionário, cronista nalguns jornais, publicou um livro em 2015 (“Crónicas Com Preguiça”). É nos seus escritos vadios que, no dia a dia, vai olhando o que sente.

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