Na História de Portugal poucos políticos tiveram a dimensão de Mário Soares. Combatente da primeira linha ao regime fascista, um lutador pela democracia, um defensor intransigente dos valores da liberdade e do socialismo democrático. Com o seu desaparecimento qualquer homenagem é pequena face ao percurso de uma vida.

Mário Soares marcou a nossa democracia e no momento certo soube ser “O Presidente de todos os Portugueses”, a sua forma única de ser levou a que os seus apoiantes tenham descoberto a expressão “Soares é fixe”. No seu percurso político soube sempre estar do lado certo da História, mérito que poucos tiveram.

Nunca foi um homem de escolhas fáceis e sempre gostou de um combate. As suas célebres frases “Só é derrotado quem desiste de lutar” e “Um político assume-se” tornaram-se hinos contra a política fácil e plástica. Todos nós devemos aprender com ele essas lições, assim como, o enorme gosto pela vida ao longo de noventa e dois anos.

Não deixa ser irónico que muitos utilizem a liberdade pela qual tanto lutou para fazerem os mais inconvenientes comentários que se podem fazer a um Homem a quem devemos a liberdade e a democracia. Erros históricos e boçalidades são o que lemos em muitas caixas nas redes sociais. Mário Soares nem sempre levou a cabo escolhas fáceis, no entanto, acredito que terá escolhido as possíveis face ao momento histórico.

Tive o privilégio de ter votado Mário Soares na sua última campanha. Uma das quais saiu derrotado mas onde nos ensinou que mesmo com mais de oitenta anos tinha uma enorme capacidade de luta. Hoje só nos resta agradecer. Obrigado Mário Soares.

Hugo Costa, 42 anos. Economista, deputado e presidente da distrital de Santarém do PS.

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