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Começou-se pela visita às duas escolas recentemente remodeladas, que Manuel Jorge Valamatos garantiu que irão reabrir portas já no início do novo ano letivo, em setembro. No caso de Alvega, disse que de tudo se irá fazer para concluir toda a obra, mas admitiu que possam faltar alguns pormenores no exterior.

Segundo a vereadora Celeste Simão, com o pelouro da Educação, o número total de alunos não deve ultrapassar as 70 crianças, prevendo-se a existência de duas turmas de 1º Ciclo e uma de pré-escolar/Jardim de infância.

Na escola de Alvega o objetivo foi conseguir dar “as mesmas condições de conforto e segurança” aos alunos, professores e não docentes à semelhança do que sucede no restante parque escolar do concelho. Mas a ideia é também captar alunos e fixar a comunidade educativa na União de Freguesias de Alvega e Concavada, freguesia ribeirinha a sul do concelho de Abrantes.

“Tínhamos esta escola com muita fragilidade, alunos sem grandes condições e a própria escola com manifestos sinais de muita fragilidade. Quando arrancámos para este projeto, fizemo-lo com vontade de fechar este olhar maior pelo parque escolar do concelho”, disse o edil, notando que ao avançar-se com os procedimentos para a requalificação da Escola de Tramagal bem como do Colégio Nossa Senhora de Fátima, em Abrantes, se verificou restar a Escola de Alvega a necessitar de uma intervenção.

O autarca salientou que esta intervenção é condizente com as sedes dos Agrupamentos de Escolas de Abrantes, também requalificadas, bem como outros estabelecimentos de 1º ciclo mais modernos.

Lembrando ter lecionado Educação Física nesta escola em Alvega, disse conseguir perceber as diferenças com a melhoria das instalações, desde logo com substituição de caixilharia, janelas e melhor isolamento térmico, substituição de pavimentos, colocação de tetos falsos, aplicação de novas pinturas e instalação de novos equipamentos.

“Esta intervenção leva a que a comunidade escolar também comece o ano motivada. Sejam professores, pais, alunos… uma coisa é estar numa escola com condições, outra é estar numa escola que manifesta logo sinais que levam a pouca motivação. Temos esta esperança de conseguir dar à comunidade o que merece, com boas condições. Temos de deixar os nossos filhos em sítios bons, contemporâneos, e estamos muito felizes com esta reformulação adaptada a um edifício antigo e consoante as necessidades dos dias de hoje”, sublinhou.

Sendo docente, mostrou estar sensível ao impacto das condições na aprendizagem dos alunos, lembrando quando teve de capinar naquelas instalações para poder ter um campo de futebol na escola de Alvega, além de recordar a falta de condições e equipamentos, referindo nomeadamente a falta de isolamento das janelas de madeira nas salas de aula, que não eram compatíveis com o frio do inverno. Afiançou ter-se apercebido, enquanto professor, que os alunos sofrem com as diferenças entre as condições oferecidas numas escolas e outras que não as têm, considerando por isso que esta é uma intervenção relevante.

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Deixa agora o desafio para que se formalize a associação de pais, pois importa também “abrir portas à comunidade” e criar uma nova dinâmica e aproveitamento do novo centro escolar com melhores condições para ser utilizado, após renovação da antiga escola que agora serve universos diferentes: antes servia o 2º e 3º ciclos e atualmente serve o pré-escolar e 1º ciclo.

O presidente de Câmara assumiu ter sempre sido a favor da requalificação desta escola, reaproveitando o edifício. O objetivo era evitar que este ficasse ao abandono e sem uso, caso se construísse uma escola nova. Por isso também defende que as instalações públicas, nomeadamente antigas escolas primárias, devam ser cedidas à comunidade para “manter o equilíbrio e atividade”.

A empreitada contempla ainda a reabilitação do campo de jogos nas traseiras da escola, além da criação de duas rampas para pessoas com mobilidade reduzida/condicionada (uma para acesso ao piso 0/receção; outra para acesso à Sala Polivalente, no piso -1) e também um lugar de estacionamento para pessoas com mobilidade condicionada junto ao edifício.

A antiga Sala de EVT mantém o palco e está a ser convertido mantendo-se como ginásio. O refeitório, que antes juntamente com o bar estavam instalados no último piso (2), funciona agora na antiga sala de Ciências no piso zero, com readaptação para trazer o refeitório para o rés-do-chão.

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A antiga Sala do Aluno foi remodelada, contando com novo tecto e instalações sanitárias e os balneários exteriores foram igualmente remodelados. As restantes salas foram ampliadas.

O centro escolar de Alvega fica equipado com uma sala de atividades para o pré-escolar, duas salas de aula para o 1º Ciclo, duas salas polivalentes, centro de recursos/biblioteca, refeitório, copa de preparação, sala de professores e sala para o pessoal não docente.

Também as instalações sanitárias foram todas reformuladas e adaptadas ao ensino pré-escolar e 1º ciclo, tendo sido criada uma wc para pessoas com mobilidade condicionada. No exterior também será criado um parque infantil.

Além disso, o autarca notou o investimento extra para arranjos exteriores, de mais de 100 mil euros, para o qual irá procurar-se apoio de fundos comunitários.

A intervenção teve um valor de adjudicação na ordem dos 441.800,00 euros + IVA, tendo contado com financiamento aprovado na ordem dos 421.631,88 euros. A obra foi levada a cabo pela firma João António Gonçalves Engenharia Unip, LDA e contou com projeto de Jorge Loureiro – Projetos e Engenharia e Arquitetura, Lda.

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Referindo ser importante “devolver a escola à comunidade”, tendo nela “esperança e maior capacidade de atração dos próprios alunos”, Manuel Jorge Valamatos lembrou que na comunidade da União de Freguesias de Alvega e Concavada os alunos acabam muitas vezes por seguir para outros estabelecimentos de ensino, quer no próprio concelho, quer fora dele, sendo que uma das razões é a fragilidade das instalações.

“Queremos que este seja motivo bastante, e com confiança, para segurar os nossos alunos no nosso concelho”, frisou Manuel Jorge Valamatos.

A visita com a comunicação social seguiu para Abrantes, desta feita para a requalificação do Colégio de Fátima, com fusão de duas escolas primárias: a Escola dos Quinchosos e a Escola nº2. O autarca definiu esta intervenção como sendo um “projeto interessantíssimo para a cidade”, uma vez que motivou outras intervenções e inspira a criação de uma nova dinâmica no centro histórico.

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Também com intuito de servir pré-escolar e 1º ciclo, o antigo Colégio de Fátima, agora Escola Básica de Abrantes, reabre em setembro com novas valências e equipamentos escolares. Uma intervenção morosa, que iniciou em 2018, e que representa um custo acima dos 3 milhões de euros com financiamento aprovado no âmbito do Portugal2020 (na ordem do 1,2 milhões de euros), tendo sido executada pela firma TECNORÉM – Engenharia e Construções, S.A. Contou com projeto de Raul Reis Arquitetura e Planeamento Urbano, Lda.

Este colégio foi readaptado atendendo ao número de alunos que irá receber, uma vez que aglutina duas escolas da cidade, Escola nº2 e Escola dos Quinchosos. Também o Jardim de infância que funcionava no edifício São João, irá transitar para este centro escolar. Manuel Jorge Valamatos lembrou que, para a Escola nº2, a autarquia submeteu uma candidatura para a transformar em creche municipal. Já a Escola dos Quinchosos ainda não tem fim definido.

Quanto ao edifício do Jardim de infância de São João, Valamatos explicou que irão servir a instalação de serviços municipais da área social, e também irão albergar as novas instalações da Agência Portuguesa do Ambiente, cuja atual sede tem parcas condições.

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“Temos um grande projeto de futuro, uma escola contemporânea, que para além da intervenção tem duas coisas relevantes associadas, que se prende com os acessos. Há uma estrada que vai dar à Rua 5 de Outubro de 1910 e à Rua de Santa Ana, algo que há muitos anos estava desqualificado e há muitos anos que se falava na requalificação desta estrada que dá arejamento enorme à fluidez do trânsito no centro histórico. Também falamos em muros de suporte das terras que vão permitir um parque de estacionamento e criar um novo acesso. Há por isso duas empreitadas que vão ser feitas por administração direta, de cerca de mais 300 mil euros. Não é só o colégio, há toda uma dinâmica que se pretende aqui construir”, explicou o autarca.

No interior foi colocado um elevador, garantindo e reforçando o acesso a pessoas com mobilidade reduzida. O átrio foi todo renovado, a escadaria segue em caracol e dentro de uma galeria com barras de proteção e corrimões.

Ali esperam-se cerca de 200 alunos, 143 de 1º ciclo e 47 de pré-escolar.

A escola terá refeitório próprio, com confeção no local. Dali sairão refeições para outras escolas, segundo indicação da vereadora Celeste Simão.

Haverá duas entradas para o centro escolar. A nova entrada irá fazer-se dentro de uma galeria com gradeamento, protegendo as crianças na entrada e saída da escola.

Questionados os autarcas sobre se se antevê a necessidade de contratação de mais pessoal não docente, referiu o presidente da CMA que na fase inicial se irá aguentar o número de auxiliares, mas que “poderá ter de se adaptar à realidade” e com isso contratar mais auxiliares, não só devido à transferência de competências e ao rácio estabelecido pela tutela. Para já estarão 11 pessoas em serviço no refeitório.

Sobre a contratação de auxiliares, a vereadora Celeste Simão esclareceu que o cálculo do rácio se faz através de uma fórmula que engloba todo o espaço. Refere que não é fácil para os pais entenderem que a fórmula do rácio tem de ser seguida e que apura verdadeiramente as necessidades de cada espaço escolar. A autarquia diz estar atenta e que muitas vezes “vai além do rácio derivado das novas exigências e realidade das escolas, que vão oferecendo cada vez mais condições e novos recursos”.

Para o presidente da Câmara, o objetivo primordial é dar as “melhores condições possíveis para que todos tenham as mesmas oportunidades”, sabendo que se exigem condições diferentes para realidades, também, diferentes.

A escola conta com oito salas de aula, com instalações sanitárias nas extremidades. No arranque do ano escolar conta-se com a nova entrada e requalificação da Rua de Santa Ana. Posteriormente será concluído o novo acesso com ligação à Rua 5 de Outubro de 1910 e novo parque de estacionamento com 70 lugares nas traseiras da escola. Haverá uma zona técnica e de adultos, com acesso pelas traseiras.

Também conta aquele centro escolar com duas salas multiusos/polivalentes para atividades extracurriculares.

O centro escolar está munido de painéis fotovoltaicos, e é considerado auto-sustentável. Toda a iluminação foi remodelada contendo luz led, situação que se verifica também na Escola de Alvega.

Com esta grande empreitada, existem salas de apoio à Expressão Plástica para o 1ºciclo, salas de atividades para o pré-escolar, Centro de recursos/Biblioteca, sala de professores/educadores, sala de pessoal não docente, gabinete de coordenação, sala para a Associação de pais, arrumos/arrecadação, refeitório e cozinha, sanitários (alunos, docentes, não docentes, pessoas com mobilidade reduzida), vestiários/balneários para alunos e não-docentes, gabinete de primeiros socorros, posto de segurança, pátio coberto para o recreio, parque infantil, campo de jogos, instalações técnicas, acessos para viaturas de emergência e abastecimento/cargas e descargas.

A requalificação da Rua de Santa Ana, por sua vez, vem melhorar as condições de circulação e de segurança para veículos e peões, permitindo ainda a drenagem de águas pluviais e subterrâneas, com construção de valetas, sumidouros, drenos e coletores, a par da repavimentação e construção de passeios em zonas de alargamento. Representa um custo superior a 150 mil euros.

Já o novo acesso ao centro escolar, pretende possibilitar o acesso rodoviário pela entrada norte, para tomada e largada de crianças, veículos de carga e descarga de alimentos e mercadorias, recolha de resíduos sólidos e urbanos, emergência e combate a incêndios.

A intervenção, na ordem dos 150 mil euros, implica a construção de muros de suporte de terras na área exterior ao centro escolar, de norte para sul, a poente dos terrenos da escola e ao longo de 73,284 metros, terminando na Rua de Santa Ana, junto da entrada para veículos no centro escolar.

Do centro escolar subimos ao Castelo de Abrantes, para averiguar a nova roupagem do parque radical. A obra encontra-se em curso, mantendo o skate park a sua localização entre o castelo e o jardim. Inaugurado em 1999, destina-se à prática de BMX, patins e skate sendo local privilegiado de convívio e encontros dos mais jovens. A sua intensa utilização levou a que alguns equipamentos já se apresentassem obsoletos, levando à requalificação do espaço pela mão do Município.

Skate park em Abrantes. Fonte: CMA

Uma obra na ordem dos 150 mil euros, a ser levada a cabo pela APSKATERAMPS, Lda e com projeto da Wasteland Skateparks, Unipessoal, Lda, que irá requalificar pavimentos e equipamentos.

Serão melhoradas as condições para prática das modalidades radicais, desde BMX, patins e skate, permitindo a realização de provas desportivas de dimensão nacional e outras atividades na área da formação desportiva, preenchendo os requisitos dos praticantes e de cada modalidade.

O presidente de Câmara mencionou que numa fase posterior serão reabilitados os pisos em tartan, sendo que a ideia é acabar com os equipamentos de madeira no parque radical, sendo que houve a indicação técnica de reabilitar todo o parque com estruturas em betão, mais duráveis, garantindo níveis elevados de segurança, competitividade e lazer.

“Queremos ter este parque funcional ainda este ano. Deverá concluir-se a obra até meados de outubro. Não depende exclusivamente de nós, há sempre fatores externos que condicionam às vezes a obra”, referiu o autarca.

Uns metros abaixo, dirigiu-se a comitiva, presidida por Manuel Jorge Valamatos, presidente da CMA, e os vereadores João Caseiro Gomes e Celeste Simão, à obra do futuro Museu de Arte Contemporânea (MAC), o Museu Charters de Almeida.

No antigo Edifício Carneiro, surgem 17 salas, na sua maioria expositivas, numa obra de cerca de 2 milhões de euros com financiamento aprovado do Portugal2020 na ordem do 1,9 milhões de euros.

Prevê-se a sua conclusão no final de novembro, conforme a adjudicatária TECNORÉM – Engenharia e Construções, S.A. O projeto foi feito pela VMSA Arquitetos, LDA.

Esta empreitada coincide com a reabilitação, restauro e ampliação do Edifício Carneiro, tendo iniciado em abril de 2009.

O objetivo é instalar o Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida, após protocolo de colaboração com o Município de Abrantes e o escultor João Charters de Almeida.

O escultor doou o seu espólio, sendo que o acervo ficará instalado neste espaço, incluindo peças por si produzidas, marcantes do percurso do autor, que vão desde o ferro, ao aço, ao bronze, à pedra e ao betão.

O acervo constitui-se de desenhos originais, posters, cartas e documentos de interesse relacionados com a conceção, construção e implementação e inauguração dos trabalhos. Contém ainda dados biográficos, fotobiografias, compilação de críticas e trabalhos escritos de reflexão da obra.

O intuito é que este espaço integra a constelação museológica do concelho, sendo impulsionador de desenvolvimento cultural e criador de novas centralidades e dinâmicas, também inserido numa ótica de turismo.

Foto: mediotejo.net

“É uma obra com particularidade imensa, que exige um trabalho minucioso”, começou por referir Manuel Jorge Valamatos, indicando que a obra também irá desafiar a comunidade a usufruir e utilizar o mesmo, desde logo com a criação de um anfiteatro com cerca de 53 lugares sentados.

“Vamos ter um laboratório de restauro e investigação, que abrirá porta aos estudos e ciência, e à ligação que se pretende ter com o ensino superior e as Belas Artes. Precisamos de dinâmica bastante para estes projetos, não basta reabilitar e ter um museu. É preciso ter museus vivos e dinâmicos”, relevou o edil abrantino.

Em termos do período de conclusão, a complexidade da obra levou a reforço da estrutura do edifício, nomeadamente dos pisos superiores. O edifício foi adaptado às condições anti-sísmicas, mas a crise quanto às matérias-primas tem levado a reajustes.

Há ainda uma nova linguagem a surgir, desde logo com a ligação ao jardim do Castelo pelas traseiras do MAC. “Há a nascer uma nova vida, depositamos novas expetativas de vivencialidade do próprio jardim. Um espaço novo e reabilitado para os abrantinos e para quem nos visita”, frisou.

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A exposição irá inclusive entrar no jardim do Castelo, incluindo o espólio exterior de Charters de Almeida. Dali há também enquadramento com vista para a estátua no Aquapolis Norte, a “Cidade Imaginária”, da autoria do escultor.

ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes

Após a visita, de um conjunto de obras que perfaz cerca de 6 milhões de euros de investimento no território abrantino, o autarca deixou ainda nota para mais duas obras de futuro sobre as quais a Câmara Municipal dará mais informações nos próximos dias.

Quanto à Escola Octávio Duarte Ferreira, em Tramagal, deu conta que é uma intervenção muito específica devido à remoção de fibrocimento.

Quanto ao ansiado início da requalificação do Cine-Teatro São Pedro, referiu que se estão a preparar os diversos procedimentos administrativos no sentido de que a obra arranque o mais depressa possível, mais concretamente, ainda no mês de setembro.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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1 Comentário

  1. Como Abrantino ausente mas presente no que acontece nessa cidade. Tenho orgulho no caminho que se esta a ser trabalhado. Parabens ha jornalista pelo excelente trabalho.Grato.

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