As principais obras em curso no concelho de Torres Novas voltam a registar atrasos, depois de o executivo municipal ter aprovado novos pedidos de prorrogação de prazo para a conclusão do Pavilhão Desportivo de Riachos e das Piscinas Municipais.
Em reunião de Câmara realizada em sessão privada, foi autorizada a extensão do prazo em mais 50 dias nas Piscinas Municipais e em mais 215 dias no caso da empreitada do Pavilhão de Riachos, confirmou ao mediotejo.net o presidente do município, José Trincão Marques (PS).
A situação é particularmente crítica no caso do Pavilhão de Riachos, uma obra adjudicada em 2021 e inicialmente prevista para estar concluída em março de 2023. O equipamento, orçado em cerca de um milhão de euros, tinha um prazo de execução de 12 meses, mas tem vindo a acumular sucessivos atrasos e revisões de calendário.
Com as novas prorrogações, a conclusão da segunda fase da empreitada passa agora para o final de setembro de 2026, prolongando no tempo a entrega de uma infraestrutura considerada essencial para a freguesia de Riachos.
O histórico da obra tem sido marcado por dificuldades desde a fase inicial do processo. O concurso público lançado em 2020 não teve interessados, obrigando a Câmara a lançar novo procedimento, com um valor base superior ao inicialmente previsto. A consignação acabou por ocorrer apenas em 2022.
Desde então, o projeto tem sofrido sucessivos ajustamentos ao calendário, alimentando críticas quanto à capacidade de execução do empreiteiro e acompanhamento das empreitadas.
Na última reunião pública do executivo, o tema voltou a ser alvo de contestação por parte de eleitos locais e munícipes, que têm questionado o prolongamento da obra e a ausência de uma conclusão dentro dos prazos inicialmente definidos.
Entre as críticas, o vereador do PSD na Câmara de Torres Novas, Tiago Ferreira, assumiu uma posição particularmente crítica face às sucessivas prorrogações de prazo, considerando que a situação já ultrapassa o aceitável.
O autarca social-democrata votou contra as novas extensões, defendendo que no caso do Pavilhão de Riachos não se trata de um atraso pontual, mas sim de um ciclo prolongado de derrapagens sucessivas.
“Estamos perante anos sucessivos de prorrogações que empurraram a conclusão da obra de 2023 para 2026”, afirmou, acrescentando que até os próprios serviços técnicos reconhecem que os fundamentos apresentados já não justificam os atrasos acumulados.

Para Tiago Ferreira, a continuidade destas decisões revela uma gestão pouco exigente na execução das empreitadas e uma abordagem reativa aos problemas.
“Este tipo de decisão não é inevitável, é uma opção”, referiu, defendendo que os torrejanos são prejudicados pela ausência de equipamentos e pela prolongada execução das obras.
Já o presidente da Câmara, José Trincão Marques, reconheceu o atraso da empreitada e garantiu medidas de acompanhamento mais apertadas no terreno.
O autarca afirmou ter exigido ao empreiteiro a apresentação de cronogramas mensais de execução dos trabalhos e anunciou que irá deslocar-se à obra no final de cada mês para verificar a evolução dos trabalhos.
“Se não correr bem, serão aplicadas as medidas previstas na lei”, afirmou o presidente do município, admitindo a possibilidade de recurso a mecanismos legais em caso de incumprimento.
Também a obra das Piscinas Municipais de Torres Novas foi alvo de nova prorrogação, com um acréscimo de 50 dias ao prazo de execução, integrando o conjunto de empreitadas que têm vindo a sofrer ajustamentos sucessivos.

A empreitada das piscinas, no entanto, deverá estar concluída em breve e pronta a inaugurar por altura das Festas do Almonda, que decorrem entre 8 e 12 de julho.

