Livro “Primeiro Poema” reúne últimos poemas de Nuno Júdice. Créditos: DR

A poesia de Nuno Júdice (1949-2024) vai estar em destaque em Abrantes com a apresentação do livro “Primeiro Poema” marcada para quarta-feira, 20 de maio, às 18h00. A obra, editada pela Dom Quixote, reúne poemas inéditos deixados pelo escritor e poeta português, numa edição organizada por Manuela Júdice e Ricardo Marques.

A sessão, que vai decorrer na Biblioteca Municipal António Botto, ás 18h00, contará com a apresentação de Luís Filipe Castro Mendes, antigo Ministro da Cultura, e terá igualmente a presença de Manuela Júdice, esposa do autor.

O evento pretende homenagear o percurso literário de Nuno Júdice, considerado uma das figuras mais relevantes da poesia contemporânea portuguesa, dando a conhecer textos que permaneceram inéditos até à publicação desta obra.

A entrada é livre, estando apenas sujeita à lotação do espaço da Biblioteca Municipal António Botto.

Livro “Primeiro Poema” reúne últimos poemas de Nuno Júdice

Os últimos poemas de Nuno Júdice, que morreu em 2024, foram reunidos no livro “Primeiro Poema” que chegou em abril às livrarias, um volume organizado por Ricardo Marques.

Obra inédita de Nuno Júdice é apresentada em Abrantes na quarta-feira. Foto: FCG

Numa nota enviada à agência Lusa, Ricardo Marques conta a história deste livro que começou “numa tarde no início de 2024, num breve período entre estadias no hospital”, quando Nuno Júdice mostrou o “Primeiro Poema”, incluído neste volume.

“Depois de o ler, perguntei se era para um livro novo, resposta com uma anuência simples com a cabeça, tantas vezes seu apanágio. Que título vai dar ao livro, perguntei eu, de seguida. A resposta foi, como sempre, telegráfica e objetiva: ‘Primeiro Poema’”, escreve o também poeta e tradutor.

Marques acrescentou: “Creio que pensei na altura para comigo que, a ser o seu último livro, pensamento terrífico, mas objetivo, dada a gravidade e imprevisibilidade da doença que se apossara do seu corpo, aquele seria uma saída de cena em grande”.

Após a morte de Júdice, a sua mulher, Manuela Júdice, pediu ajuda a Ricardo Marques para “dar forma ao livro que o Nuno começara a escrever e que para sempre seria ‘incompleto’”.

Sobre o título escolhido, afirma Ricardo Marques: “Lembrei-me desse dia com o Nuno, da revelação de um título possível para um livro, e disse-o à Manuela. Para minha estupefação e pelo que percebemos, essa informação apenas a mim me fora dada, e ainda hoje procuro entender porquê. Nunca saberei. A resposta mais plausível talvez seja porque simplesmente lhe perguntei por um título, depois de ler ‘um primeiro poema’”.

Nuno Júdice que morreu a 17 de março de 2024, em Lisboa, aos 74 anos, dizia que o mais relevante na sua poesia é a imagem, a possibilidade de ver e dar a ver, “o que fica nas palavras daquilo que se viveu”.

Para Nuno Júdice, “escrever o poema é aceder a um tempo primordial”, defendeu o poeta e ensaísta António Carlos Cortez, numa análise à obra do escritor publicada no Jornal de Letras, Artes e Ideias (JL), em 09 de março de 2022, quando se assinalavam os 50 anos sobre a publicação do primeiro livro do autor de “Meditação sobre Ruínas”.

“Talvez nenhum outro poeta do nosso tempo tenha, como Nuno Júdice, assumido de forma tão radical o fascínio de esculpir, em formas fixas ou livres, os mitos, as paixões e as contradições de uma Europa e de um mundo que, sob as ruínas, o poeta reedifica numa subversão total”, defendeu António Carlos Cortez no mesmo texto.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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