Foto: mediotejo.net

O átrio da Biblioteca Municipal António Botto encheu-se de curiosos que pretendiam saber mais sobre o novo livro de José Luís Peixoto, que tem como cenário Abrantes, Constância e Sardoal. O escritor apresentou a sua ideia e explicou como optou por escrever e apresentar este território, sem ordem ou numeração, mas encerrando uma listagem de 62 pontos de interesse em cada um dos concelhos por onde viajou, e que ficarão “gravados na pedra”.

A obra foi apresentada pelo escritor, com os representantes dos municípios de Abrantes, Constância e Sardoal na plateia, tendo contado ainda com a presença de Miguel Palmeiro, designer da United By, empresa responsável pelas estruturas a implementar nos territórios destes três concelhos, com excertos dos textos de José Luís Peixoto.

Apresentação da obra literária

“Tudo isto nasceu de uma ideia que no início era muito vaga e abstrata, mas partiu de uma vontade de Abrantes, Constância e Sardoal juntarem forças e valorizarem conjuntamente a cultura e a literatura e foi a partir desta vontade que nasceu a ideia”, começou por referir o escritor de Galveias, aldeia de Ponte de Sor.

Notou ainda que foi decidido “fazer uma seleção de lugares de várias naturezas presentes nestes territórios e escrever textos específicos sobre esses lugares. São textos que se relacionam com os lugares e foram escritos concretamente sobre estes lugares, mas que trazem várias ideias”.

Segundo o autor, os textos relacionam-se também com quem os lê, consoante a ligação e conhecimento que os leitores tiverem sobre o lugar em causa.

“Onde – o exemplo de Abrantes, Constância e Sardoal” é o título do livro de José Luís Peixoto que nasceu deste projeto que integra os Caminhos Literários, do projeto Caminhos, promovido pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. O livro chega às livrarias a 21 de julho de 2022.

“Espero que este livro também contribua para que as pessoas queiram ler os textos no próprio lugar e que são lugares muito específicos, como por exemplo, a Praça da República, em Sardoal, o miradouro do Cristo Rei, em Matagosa, concelho de Abrantes, a Praça Alexandre Herculano, em Constância, as Escadinhas do Tem-Te Bem e o Chafariz das Três Bicas, no Sardoal, o Largo Cabral Moncada em Constância, o Castelo de Abrantes, o Jardim do Castelo, entre outros”, enumerou, frisando que ter um livro em papel com todo este levantamento é “outra dimensão”.

O escritor mostrou-se muito entusiasmado com o desafio para escrever este novo livro sobre os concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal, tendo revelado a capa da obra na sua página de Facebook após a apresentação na Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes. Foto: DR

“Estes 62 textos são de grande ambição e tenho esperança de que quando chegarem aos olhos de toda a gente, se identifiquem com eles e se reconheçam neles porque essa foi também uma das intenções. Espero que sejam claros, mas que tenham múltiplas leituras, da forma como se olha para aqueles lugares e que chamem à atenção para aspetos que não são evidentes”, concluiu o autor.

Também foi apresentado um protótipo do que serão as estruturas, um género de monólito, que terão inscritas as palavras de José Luís Peixoto, semeadas pelo território e nestes locais sobre os quais escreveu.

Miguel Palmeiro, designer da united by, empresa responsável por estas estruturas a implementar, salientou que “este foi um dos projetos que, em 30 anos de carreira enquanto designer, foi o mais desafiante que me apareceu porque nunca paginei um livro que é dividido em 62 páginas espalhadas por três territórios”.

Foto: mediotejo.net

“Comecei por pensar em lugar e em identidade coletiva entre estes três municípios, mas fui confrontado com espaços urbanos, rurais e de natureza e queria construir algo que fosse uma página de um livro que pudesse estar em cima da relva, numa parede ou em asfalto e o desafio foi pensar nisto numa forma humilde, mas assumida”, explicou.

Estas 62 estruturas vão ser colocadas em vários locais de Abrantes (22), Constância (20) e Sardoal (20), criando uma rota literária. Segundo o escritor José Luís Peixoto a forma como foi organizada a obra permite estabelecer um relação entre os textos que dá oportunidade para diferentes interpretações e sem existir necessidade de numeração ou ordem com um roteiro imposto, ou seja, cada pessoa poderá fazer o seu próprio circuito.

No concelho de Abrantes, estas estruturas serão colocadas em locais como o cais de acostagem de Rio de Moinhos, o Miradouro da Penha, em Tramagal, a capela de Nossa Senhora dos Matos, em Mouriscas, no Pego como “aldeia das casas baixas”, ou no Alto de Santo António, em Abrantes, entre outros.

O autarca anfitrião foi Manuel Jorge Valamatos, que abriu a apresentação desta nova obra feita especialmente para Abrantes, Constância e Sardoal.

Miguel Palmeiro e José Luís Peixoto com os representantes das autarquias de Abrantes, Constância e Sardoal. Foto: mediotejo.net

Recebendo todos em Abrantes para a iniciativa, o presidente abrantino assumiu que “este é um trabalho exemplar daquilo que se perspetiva para o futuro, esta ligação da cultura às questões das regiões e a proximidade entre os concelhos”.

“Hoje lutamos muito pela questão dos territórios e precisamos de uma nova afirmação, de um novo registo e identidade comuns e estes apontamentos culturais comuns ajudam a construir essa nova identidade que todos desejamos”, reforçou o edil.

ÁUDIO | Intervenções e reações dos três autarcas a esta obra de J. L. Peixoto

Manuel Jorge Valamatos (autarca da CM Abrantes), Helena Roxo (vereadora da CM Constância) e Miguel Borges (autarca da CM Sardoal)

O projeto Caminhos Literários, que explora os territórios ligados a António Botto, Camões e Gil Vicente, pretende disponibilizar o usufruto da arte em locais públicos e de acesso livre, com a realização de diversas ações culturais, dinamizando, assim, a economia da região, através do turismo atraído por estes eventos.

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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