Obra de José Luís Peixoto inspira rota literária em Abrantes, Constância e Sardoal. Foto: CMA

“Tudo isto nasceu de uma ideia que no início era muito vaga e abstrata, mas partiu de uma vontade de Abrantes, Constância e Sardoal juntarem forças e valorizarem conjuntamente a cultura e a literatura e foi a partir desta vontade que nasceu a ideia”, começou por referir o escritor José Luís Peixoto, natural de Galveias, aldeia de Ponte de Sor.

“Espero que este livro também contribua para que as pessoas queiram ler os textos no próprio lugar e que são lugares muito específicos, como por exemplo, a Praça da República, em Sardoal, o miradouro do Cristo Rei, em Matagosa, concelho de Abrantes, a Praça Alexandre Herculano, em Constância, as Escadinhas do Tem-Te Bem e o Chafariz das Três Bicas, no Sardoal, o Largo Cabral Moncada em Constância, o Castelo de Abrantes, o Jardim do Castelo, entre outros”, enumerou, frisando que ter um livro em papel com todo este levantamento é “outra dimensão”.

Estas 62 estruturas foram colocadas em vários locais de Abrantes (22), Constância (20) e Sardoal (20), criando uma rota literária. Segundo o escritor José Luís Peixoto a forma como foi organizada a obra permite estabelecer um relação entre os textos que dá oportunidade para diferentes interpretações e sem existir necessidade de numeração ou ordem com um roteiro imposto, ou seja, cada pessoa poderá fazer o seu próprio circuito.

“Onde – o exemplo de Abrantes, Constância e Sardoal” é o título do livro de José Luís Peixoto que nasceu deste projeto que integra os Caminhos Literários, do projeto Caminhos, promovido pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. O livro chegou às livrarias em julho de 2022.

Estruturas da rota literária inspirada na obra “Onde”, de José Luís Peixoto, em Abrantes. Fotos: CMA

Da apresentação do livro à instalação do projeto

A apresentação decorreu em 2022, no átrio da Biblioteca Municipal António Botto, que encheu-se de curiosos que pretendiam saber mais sobre o livro de José Luís Peixoto, uma obra que tem como cenário Abrantes, Constância e Sardoal, e sobre o projeto de disseminação da obra no território.

O escritor apresentou a sua ideia e explicou como optou por escrever e apresentar este território, sem ordem ou numeração, mas encerrando uma listagem de 62 pontos de interesse em cada um dos concelhos por onde viajou, e que ficarão “gravados na pedra”.

Foto: mediotejo.net

Da apresentação do livro à instalação do projeto

A obra foi apresentada pelo escritor em julho de 2022, com os representantes dos municípios de Abrantes, Constância e Sardoal na plateia, tendo contado ainda com a presença de Miguel Palmeiro, designer da United By, empresa responsável pelas estruturas já implementadas nos territórios destes três concelhos, com excertos dos textos de José Luís Peixoto.

Apresentação da obra literária

Peixoto notou ainda que foi decidido “fazer uma seleção de lugares de várias naturezas presentes nestes territórios e escrever textos específicos sobre esses lugares. São textos que se relacionam com os lugares e foram escritos concretamente sobre estes lugares, mas que trazem várias ideias”.

Segundo o autor, os textos relacionam-se também com quem os lê, consoante a ligação e conhecimento que os leitores tiverem sobre o lugar em causa.

O escritor mostrou-se muito entusiasmado com o desafio para escrever este novo livro sobre os concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal, tendo revelado a capa da obra na sua página de Facebook após a apresentação na Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes. Foto: DR

“Estes 62 textos são de grande ambição e tenho esperança de que quando chegarem aos olhos de toda a gente, se identifiquem com eles e se reconheçam neles porque essa foi também uma das intenções. Espero que sejam claros, mas que tenham múltiplas leituras, da forma como se olha para aqueles lugares e que chamem à atenção para aspetos que não são evidentes”, disse o autor.

Na ocasião foi também apresentado um protótipo do que seriam as estruturas, um género de monólito, que têm inscritas as palavras de José Luís Peixoto, e que já estão semeadas pelo território e nos locais sobre os quais escreveu.

Miguel Palmeiro, designer da united by, empresa responsável por estas estruturas a implementar, salientou que “este foi um dos projetos que, em 30 anos de carreira enquanto designer, foi o mais desafiante que me apareceu porque nunca paginei um livro que é dividido em 62 páginas espalhadas por três territórios”.

Foto: mediotejo.net

“Comecei por pensar em lugar e em identidade coletiva entre estes três municípios, mas fui confrontado com espaços urbanos, rurais e de natureza e queria construir algo que fosse uma página de um livro que pudesse estar em cima da relva, numa parede ou em asfalto e o desafio foi pensar nisto numa forma humilde, mas assumida”, explicou.

No concelho de Abrantes, estas estruturas foram colocadas em locais como o cais de acostagem de Rio de Moinhos, o Miradouro da Penha, em Tramagal, a capela de Nossa Senhora dos Matos, em Mouriscas, no Pego como “aldeia das casas baixas”, ou no Alto de Santo António, em Abrantes, entre outros.

O autarca anfitrião foi Manuel Jorge Valamatos, que abriu a apresentação desta obra feita especialmente para Abrantes, Constância e Sardoal.

Miguel Palmeiro e José Luís Peixoto com os representantes das autarquias de Abrantes, Constância e Sardoal. Foto: mediotejo.net

Recebendo todos em Abrantes para a iniciativa, o presidente abrantino assumiu que “este é um trabalho exemplar daquilo que se perspetiva para o futuro, esta ligação da cultura às questões das regiões e a proximidade entre os concelhos”.

“Hoje lutamos muito pela questão dos territórios e precisamos de uma nova afirmação, de um novo registo e identidade comuns e estes apontamentos culturais comuns ajudam a construir essa nova identidade que todos desejamos”, reforçou o edil.

ÁUDIO | Intervenções e reações dos três autarcas a esta obra de J. L. Peixoto

Manuel Jorge Valamatos (autarca da CM Abrantes), Helena Roxo (vereadora da CM Constância) e Miguel Borges (autarca da CM Sardoal)

O projeto Caminhos Literários, que explora os territórios ligados a António Botto, Camões e Gil Vicente, pretende disponibilizar o usufruto da arte em locais públicos e de acesso livre, com a realização de diversas ações culturais, dinamizando, assim, a economia da região, através do turismo atraído por estes eventos.

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A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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