António Filipe, candidato a Presidente da República. Foto: Filipe Amorim/Lusa

Começo por reproduzir uma ideia que António Filipe proferiu no seu discurso do comício da sua candidatura a Presidente da República do dia 11 de janeiro: aquela pessoa que já se encontra condicionada pela via do aparentemente menos-mau, que abandona o voto na candidatura em que mais se revê, alinhando nas chantagens do “voto útil”, não está a votar em liberdade. O voto que sucumbe à chantagem não é um voto livre!

De voto (in)útil em voto (in)útil, chegámos ao ponto em que estamos. A chantagem e ameaças de catástrofe impeliram a que se fechassem os olhos a quem podia estabelecer uma correlação de forças positiva, para pressionar e encaminhar o país para um desenvolvimento mais justo, com menos desigualdade, com uma distribuição mais justa da riqueza – produzida por quem cá vive e trabalha.

O consenso neoliberal não diz respeito apenas à direita assim auto-declarada. O Partido Socialista (PS) foi promotor e patrocinador de grande parte das mais escabrosas privatizações-lesa-pátria – as que não iniciou ajudou a dar a estocada final. O projecto neoliberal nunca necessitou da direita para se implementar e o povo português nunca pôde contar com o PS para o travar – muito pelo contrário, como já afirmei. António José Seguro faz parte desse consenso que tem vindo a prejudicar profundamente o país. Tanto na timidez como se define de esquerda, como nas (in)acções do passado, é o candidato que, na melhor das hipóteses, deixa tudo ficar (mal) como está.

Quanto aos candidatos de direita, pouco disfarçam ao que vêm. Com ar mais ou menos polido. Com mais palhaçada ou menos palhaçada. Dancinha para o TikTok, ou ginástica para o Instagram, relevam bem a pouca seriedade com que encaram o cargo a que se estão a candidatar. Alinham no espectáculo mediático, no discurso fácil, na diluição da compostura no soundbite para as redes sociais. Acreditam piamente que o povo apenas consegue digerir esse tipo de exibição.

Não, não se trata de comunicar melhor, trata-se de promover e de enveredar no processo de esvaziamento do discurso político – interessa-lhes o seu ego e os interesses económicos a que estão subjugados, em detrimento do sentido de estado, em detrimento do sentido de dever em prol do bem público.

Ninguém é dono do voto de ninguém. Nenhuma sondagem, nenhuma chantagem, pode determinar o voto do povo. Cabe a cada candidatura afirmar as suas capacidades para exercer o cargo de Presidente da República Portuguesa – neste caso, noutros casos seriam outras características, mas o mesmo se aplica.

Porém, nesse processo de afirmação, os meios de comunicação social têm a obrigação (incumprida) de tratar todos por igual – seja qual for a popularidade, a polémica, o teatro do momento.

A corrida eleitoral está enviesada à partida. Desde há vários meses que se apresentam sondagens. Agora, todos os dias aparecem sondagens novas. No espaço mediático, são discutidas sondagens como se fossem resultados eleitorais. A tentativa de condicionar o voto assume uma aparência estatística. Tentam validar o discurso de que só vale a pena votar nos que estão à frente. A narrativa passa pelo evitar dum mal-maior, contudo cumpre o objectivo de reduzir as possibilidades de voto apenas àqueles quatro ou cinco que cumprirão (de certeza!) os ditames dos “donos disto tudo”.

Dito isto, entre todo esse barulho das luzes, o único candidato que se destaca, pela positiva, é António Filipe. O seu currículo pode ser consultado facilmente, mas sublinho os anos como deputado na Assembleia da República pelo Círculo Eleitoral de Santarém, tendo defendido o distrito com unhas, dentes e inteligência que lhe é particular.

A sua idoneidade é reconhecida, até pelos seus opositores. António Filipe, desde o momento que apresentou a sua candidatura, tem canalizado o discurso para as competências do Presidente da República, afirmando a função primordial de “cumprir e fazer cumprir a Constituição”.

É o candidato dos trabalhadores! É o candidato que tem trazido os jovens, a cultura, a educação, a habitação, a saúde para primeiro plano. António Filipe não assenta a sua candidatura em vídeos para as redes sociais, na criação artificial de polémicas, no ataque pessoal. António Filipe tem construído a sua campanha com seriedade, com análise crítica, com propostas realistas para o país real – dentro da esfera do cargo a que se candidata. O voto em António Filipe é o voto útil, o voto que nunca será traído.

Num tempo em que o discurso de ódio é promovido sem qualquer pudor, em que se aponta como culpado das nossas desgraças quem está ao nosso lado ao invés de quem está em cima a espezinhar, a candidatura de António Filipe é uma lufada de ar fresco.

A candidatura de António Filipe não irá desistir, tal como o próprio nunca desistiu, nem desistirá, de lutar por um país melhor, mais justo, com menos desigualdade.

Pelo desenvolvimento do país, em prol de quem cá vive e trabalha, voto em António Filipe!

Natural de Torres Novas (n. 1989), onde vive, é artista visual e doutorando em História da Arte. Licenciado em Filosofia e mestre em Mercados da Arte, é membro da Comissão Concelhia de Torres Novas do PCP e membro dos organismos executivos da Direcção da Organização Regional de Santarém do PCP.

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