Começo esta crónica repetindo o primeiro parágrafo que escrevi há cerca de 52 semanas. “Por princípio não gosto de escrever sobre futebol. É uma paixão que pode colidir com as mesmas paixões de outras pessoas e, devido a esse facto, normalmente cai-se, rápida e facilmente numa irracionalidade que retira lucidez e urbanidade.”
O que pude ler antes, durante e depois de sábado confirmam este pensamento. Na opinião de muitos, há vitórias que não são reflexo da competência, do trabalho, da liderança e da vontade, limitando-se a ser o espelho de um sistema viciado e batoteiro que não respeita as regras e que não trata todos da mesma maneira.
Mesmo que os números sejam contundentes, históricos e não deixem margens para dúvidas, é mais fácil minimizar os feitos de um grupo que conquistou 95% de vitórias desde que mudou de líder com insinuações ridículas, do que assumir os erros em causa própria.
Há um ano, neste espaço, dei os parabéns ao novo campeão. Hoje dou os parabéns ao timoneiro do novo campeão. É certo que estão todos de parabéns porque todos tiveram a sua responsabilidade no sucesso coletivo, mas ele em particular, é o paradigma do verdadeiro campeão.
A sua humildade, a sua capacidade de gestão, a forma como soube otimizar recursos, a sua coragem, o seu espírito de sacrifício e a inteligência com que conseguiu unir o grupo alinhando a estratégia em direção a um objetivo que se pode sintetizar numa faculdade ímpar de liderança, são a chave deste sucesso.
O tal paradigma de um verdadeiro campeão a que não estamos habituados no futebol português. Porque é nas vitórias que se conhece o verdadeiro carácter das pessoas e neste caso fomos presenteados com urbanidade, educação, gratidão, respeito, preocupação social e a assunção que há vida para lá do futebol.
Penso que os verdadeiros adeptos do futebol concordam comigo. Isto é um jogo, não é uma guerra e há vida para lá das derrotas mas, acima de tudo, tem que haver honra antes das vitórias. Parece-me que neste caso há uma linha condutora que honra antes da vitória e que exponencia essa honra depois da vitória. Um exemplo e uma exceção que se limitam a mostrar o carácter de um verdadeiro campeão.
