Parece que já passou muito tempo, mas o governo do PSD/CDS tem pouco mais de 100 dias. As eleições foram em março passado. Derivado do facto de não existir nem maioria absoluta nem outro tipo de maioria que seja assumida, não se fala de outra coisa que não seja do próximo Orçamento de Estado. Montenegro recusou um orçamento retificativo e tem governado com o Orçamento deixado pelo PS, inclusive ‘fazendo flores’ com a almofada existente, o que prova que tivesse o PS querido e a sua governação poderia ter sido diferente, nomeadamente no que diz respeito ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou à satisfação de reivindicações de setores profissionais como os professores, oficiais de justiça e forças de segurança. É bom que a memória não se apague sobre este passado recente.
Chegados aqui, ao mês de julho, quando a Assembleia da República se prepara para a interrupção de verão, só se fala no Orçamento para o ano que vem. Até o debate do Estado da Nação foi marcado por este assunto. Viabiliza? Não viabiliza? Dá a mão? Tem responsabilidade de Estado? E ainda o sacrossanto argumento da “estabilidade”…
É verdade que as pessoas estão cansadas de campanhas e não olham para a hipótese de eleições antecipadas com entusiasmo, mas daí a reduzir um debate sobre o orçamento a estes argumentos ainda vai uma grande distância. Quando um orçamento não é aprovado não é sinal de crise política imediata, há outras soluções. Marcelo Rebelo de Sousa, em 2022, é que quis fazer parecer o contrário, ao dissolver a Assembleia e convocar eleições. António Costa gostou da ideia, queria governar sozinho, virar ao centro e, até em alguns aspetos, à direita, e a esquerda era uma chatice… Repito, é bom que a memória não se apague.
Mas o que me choca é a ausência do debate daquilo que realmente interessa – quais são as propostas do orçamento? Quais as prioridades?
Montenegro já resolveu uma parte – a diminuição significativa dos impostos para as grandes empresas e para os mais ricos (que vai aprovar com a IL e o Chega) está fora do debate. Esperteza saloia é a expressão que me ocorre. Veremos como corre daqui até outubro.
E a propósito do assunto orçamento de estado é bom relembrar uma promessa sempre assumida e sempre adiada. Com tanto dinheiro europeu, e com excedente orçamental, o povo do Ribatejo não compreenderá que mais uma vez a ponte na Chamusca seja adiada.
São por demais conhecidos os argumentos a favor desta obra, inclusive em vários documentos e Planos em vigor, que se prendem com o seu carácter estruturante – não só a ponte mas a conclusão do IC 3. Em 2018 a Assembleia da República aprovou por unanimidade uma Resolução que recomendava a conclusão do IC 3 e a construção de uma nova ponte Chamusca-Golegã. Em 2019, e a propósito do Plano de Investimentos 2030, aprovou nova Resolução no mesmo sentido. Parece evidente que todos os partidos querem que esta obra seja feita.
Será que é desta? O Bloco de Esquerda já apresentou nova proposta neste sentido. Era bom ouvir os partidos a posicionarem-se assim como os deputados eleitos pelo Distrito de Santarém quanto a este compromisso.
Esperemos que seja desta. Duas décadas de espera! A região não pode esperar mais.

Alguém se lembra..
Construam-me porra !!!
Deixem-se de conversa e construam uma nova ponte, bem como procedam ao alargamento do dique dos vinte.