Um ‘bacana’, diria um Brasileiro. Um “fuori di testa”, diria um Italiano e não sei quantas definições têm os Portugueses. Mas sim, um artista, aquele que vive a arte, é uma pessoa diferente e deslocado na pirâmide social pré-definida. Um artista é um egoísta, egocêntrico, fixado em algumas ideias, pouco social (ou demasiado), soturno, melancólico ou o oposto, extremamente extrovertido, alegre e imprevisível. Em todos os casos, a maior parte das pessoas tem. em certa medida, cuidado em privar com ele. Digo isto porque, apesar de ter um bom relacionamento com a maioria das pessoas, sinto que muitos pensam…”coitadinho, ele é assim” ou”não sei como faz em viver, ele não trabalha” e pensamentos deste tipo.
E é exactamente nisto que quero reflectir hoje. Um artista gosta de estar sozinho e, por esta razão, a quarentena faz pouca mossa nele, há muito para fazer e sobretudo pensar e desenvolver. Quadros para acabar, desenhos a realizar, sinfonias a definir, sonetos a melhorar e o tempo no atelier fica denso, produtivo.
Um artista é egoísta, e não há nada a fazer sobretudo quando se fala da SUA arte. Notem, numa exposição, o publico gosta, observa e até compra mas se há outros artistas presentes, eles pouco olham directamente pelas obras, observam quem está presente, como são dispostas as obras, pode interagir com o artista mas estão distantes da sua arte , naquele momento. Desde sempre houve rivalidades entre artistas mas acontecia sempre que se copiavam, interagiam e às vezes elogiavam-se.
O artista é egoísta e é fácil perceber se pararmos um instante para pensar.
Depois de tanto imaginar, pintar, corrigir e amar a própria obra é claro que para ele é a melhor, ninguém pode fazer algo superior. E há outra coisa muito importante e que me foi apresentada abruptamente por um jornalista inglês quando estava na Índia a pintar no jardim dum hotel. Ele disse-me que os artistas são como”prostitutas”.
Claro que fiquei aborrecido e um pouco zangado, mas ele bondosamente me explicou: um artista vende os seus sentimentos, os seus sonhos, as suas vibrações mais íntimas, como as senhoras da noite vendem o “intimo” delas. No inicio fiquei amuado, claro, mas falando entendi o “intimo” da conversa e aceitei a explicação. Nós, quando mostramos um nosso quadro, fazemos ouvir uma melodia ou lemos uma quadra, expomos o nosso âmago e sentimentos mais profundos. Entendendo isto percebemos que o “egoísmo artístico” é diferente da habitual concepção.
Esta é primeira reflexão sobre o que é o artista, neste caso o egocentrismo dele, irei falar de outras particularidades para as pessoas que não o são e assim nos possam melhor perceber e compreender. Obrigado.
