Num acontecimento a fazer lembrar tempos antigos, o povo voltou a sair à rua, mas contrariando a canção, sem a alegria que costumava ter e mostrando de forma inequívoca que é tempo de voltar a fazer ouvir a sua voz e de recordar que o povo unido jamais será vencido. Ou então não, porque o povo saíu à rua mas não gritou em uníssono.
De um lado, aqueles que defendem o atual estado de coisas. Do outro, aqueles que apontam o dedo ao roubo diário que foi legalizado e que está a ser praticado.
Uns, “os ricos que paguem a crise” e se não querem que andem a pé. Outros, que é uma vergonha que sejam sempre os mesmos a pagarem a fatura.
Com posição neutra, o outro povo, aquele que não saíu à rua recusando-se abandonar a sua zona de conforto, continuando tranquilamente sentado no seu sofá em frente à televisão. Crítico como só ele sabe ser, “afiava” a língua comentando a vergonha que estava à frente dos seus olhos. Povo atrasado que sai à rua para gritar palavras de ordem em defesa daquilo que acham ser os seus direitos. Ainda se entendia se fosse para festejar vitórias do seu clube, agora isto, só se vê nos países de “mundos inferiores”.
Um povo assim consegue sempre atingir resultados. E o resultado está à vista de todos, ainda que uns o vejam de uma maneira, outros de outra e os restantes, nem de uma nem de outra.
Afinal, “o povo saíu à rua” não passa de uma falácia porque continuamos a ser e a ter brandos costumes e o que realmente interessa está novamente a começar.
A bola que salta e que enquanto salta nos devolve o orgulho de sermos quem somos, porque não somos 11… somos 11 milhões… mais uns quantos milhões espalhados por esse mundo fora.
E se já somos os melhores da Europa, dentro de pouco tempo seremos os melhores do mundo porque a estratégia está montada e, de empate em empate, chegaremos à vitória final.
“Linda” metáfora. Um povo que empata para dar mais sabor à última vitória. Ou em bom rigor, um povo que empata para adiar o que é prioritário. Este sim, o nosso fado. Que não tenhamos ilusões, quem muito empata, pouco ou nada decide. E a história dificilmente se repetirá. A não ser para nós. Aqueles que saem à rua para festejar as vitórias dos seus clubes. Os mesmos que continuam a salvar bancos, a patrocinar reformas imorais e a pagar os combustíveis mais caros da Europa.
