A propósito do Natal todos temos um conjunto muito rico de histórias e de memórias. Histórias e memórias que são património da nossa própria vida pessoal e familiar.
Há poucos dias apercebi-me de uma agitação que marcava, em certa medida, o bairro onde vivo.
Todos os anos e ao longo das duas semanas que antecedem o Natal costumam as autoridades locais organizar um conjunto de concertos alusivos ao ambiente de Natal. Têm os mesmos concertos abundante difusão por todo o bairro e proximidades, com o contributo dos comerciantes e outras entidades.
Este Ano o habitual, mas ainda sem o verdadeiro estatuto de tradição, repete-se mobilizando-se os comerciantes e as organizações sociais para a competente divulgação do Programa.
A novidade foi a agitação que este Ano se gerou.
Tudo por causa dos cartazes de divulgação.
Estavam estes ilustrados por um gorducho e corado pai natal com ar sorridente e longas barbas que lembram, quiçá, a neve para quem vive confortavelmente com a mesma.
Perante esta ilustração um número considerável de comerciantes recusou afixar nas suas montras e nos interiores dos seus estabelecimentos o dito cartaz, sendo que alguns e num movimento de afirmação “…… do verdadeiro Natal” colocaram nas suas montras o Menino Jesus.
O Natal não é de nenhuma marca que tenha inventado o pai natal. O Natal é do Menino Jesus. O Natal é e só faz sentido que seja dos valores do Amor e da família. Da partilha e da comunhão. O Natal é o próprio valor da Esperança.
Nenhum destes valores são caraterísticas do pai natal.
Confesso que neste mundo que optou por relativizar tudo e só considera o que dá lucro e honras, esta atitude espontânea de um conjunto de comerciantes admirou-me e fez-me sentir menos só.
Menos só por em minha casa o Natal ser e como sempre foi na minha memoria e na minha consciência um Natal de presépio e do que ele significa de simplicidade, de despojamento e de exemplo concreto que o Natal é Jesus.
Para os cristãos este só pode ser o Natal vivido em coerência com a Fé que se professa. Tem que ser, portanto, um Natal sem folclore. Sem a ditadura das prendas e das modas. Mas apenas – o Natal – com a liberdade de acreditar mais iluminada no coração de todos.
Um felicíssimo Natal para todos !
Imagem: Nossa Senhora e o Menino, Catedral de Sant Isaac, São Petersburgo.
Música: Messias, de Handel. Na espantosa. Na insuperável interpretação editada pela EMI, com a English Chamber Orchestra, com os Ambrosian Singers, dirigidos pelo muito saudoso Charles Mackerras. Como solistas a soprano Elizabeth Harwood e o tenor Robert Tear sobressaem dos demais solistas, que têm todos nesta gravação uma das melhores das suas pessoais carreiras.
