Foto: Massimo Esposito

No Médio Tejo, que podemos considerar o centro de Portugal, respira-se o que realmente é a “alma Lusa” e essa foi uma das características que me convenceram a residir aqui, e sobretudo, trabalhar aqui.

As componentes positivas e negativas do país são expressas claramente nos acontecimentos políticos e sociais que sigo, seja pela vivência seja pelos media e, pelo que me diz respeito, artísticos, intervindo pessoalmente ou como espectador.

Podemos ver os lados negativos quando se constroem esculturas monumentais adjudicadas sem concurso, gastando centenas de milhares de Euros dos cidadãos, ou se entrega uma galeria Municipal a um privado ou pior ainda quando se encomendam esculturas pela vinda do Papa e depois ninguém quer pagar, deixando à beira da falência o escultor enganado. Sem falar depois da falta de palavra de autarcas e instituições que prometem, prometem até que entretanto o artista morre. Ou a grande impreparação de muitos que deveriam saber organizar… mas não sabem.  Um ponto que me espanta também é a falta de galerias independentes.

Mas há também lados muito positivos. Há concursos de pintura a nível nacional, grupos de urban sketchers que se movimentam muito positivamente, artistas de todas as artes plásticas e decorativas dum nível muito alto, exposições de pintura, desenho, fotografia e muito mais e também o tanto esperado Museu de Abrantes que abrirá portas este ano. Talvez.

Há também pormenores interessantes, por exemplo: está patente em Golegã, na biblioteca, a exposição dum tatuador, David Duarte, que teve muito azar na saúde mas que está a lutar com o auxílio do desenho. Muitos estão a ajudar e a apoiar, demonstrando com isto o grande coração Luso. Em Junho haverá em Mação uma exposição colectiva de artistas de várias cidades do País, onde se poderão ver os diferentes conceitos de representação artísticas, organizada por Carlos Saramago, o pintor surrealista que é um exemplo de luta e positivismo face a graves problemas de saúde, sempre a dinamizar a arte.

Uma informação muito importante também é a realização dum grande e importante convénio de pintura em porcelana em Tomar, na primeira semana de Setembro, com a vinda de muitos artistas de varias nacionalidades e estilos, organizado pelo internacionalmente conhecido pintor Filipe Pereira de Entroncamento, que espalha conhecimento e arte em todo o mundo e que agora o fará, acompanhado por grandíssimos colegas, aqui, perto de nós.

Uma maravilha com certeza o Médio Tejo!

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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