Venezuela, o país que foi em tempos um refúgio para muitos portugueses em busca de uma vida melhor, que prosperava política e economicamente e em meados do século XX passa para a situação de bancarrota. Venezuela, de onde já fugiu mais de 1 milhão de pessoas; onde a maioria da população vive perto do limiar da pobreza; onde vive um dos povos mais tristes do mundo; onde o dinheiro é muito mas não compra tudo; onde uma criança come cascas de frutos secos apenas para tentar enganar a fome.
Dados de 2017 mostram que os venezuelanos perderam, em média, 11 kg, consequência da subnutrição decorrente da falta de alimentos. O salário mínimo na Venezuela é de 797.000 bolívares, o equivalente a 6 €. Numa ida às compras, e caso consiga encontrar bens de consumo primários como pão, carne, leite, arroz, açúcar, farinha, gasta cerca de 600.000 bolívares. Neste país onde, devido à escassez de bens, na sua maioria importados, há um controlo ou racionamento dos mesmos: não se pode comprar mais de 2kg de arroz por dia, e quem compra arroz num dia não consegue comprar mais arroz o resto do mês pois o dinheiro não chega.
A economia Venezuelana é baseada no comércio de petróleo e de outros recursos minerais e naturais que são explorados por multinacionais contratadas pelo dito Governo socialista. Os cidadãos passam fome num país onde a cada 3 minutos uma menor de 18 anos engravida, onde mães solteiras sustentam casas com o mísero salário mínimo. As sanções internacionais impostas à Venezuela tornaram a sua economia dependente, frágil e vulnerável aos mercados internacionais da venda do petróleo e da compra de bens de consumo. Um país onde a inflação atinge valores históricos a cada dia que passa, onde para comprar um pão é preciso esperar horas, com a incerteza de saber se vai haver pão quando lá chegar.
A história da Venezuela conta que, desde a morte de Bolívar e a independência deste país da Grã-Colômbia em 1830, o poder foi tomado por uma oligarquia de descendentes de espanhóis exploradores dos recursos naturais do país, sendo em 1848 o poder conquistado pelos militares instaurando uma ditadura. Inúmeros golpes, revoluções, guerras civis aconteceram na Venezuela até 1945. Nesse ano nasce a democracia, mas em 1953 mais um golpe traz de volta a ditadura, desta vez com Pérez Jiménez, que no entanto durou apenas 5 anos, tendo terminado com a assinatura do Tratado de Punto Fijo entre os dois maiores partidos políticos da Venezuela.
Durante 40 anos o poder manteve-se nestes dois partidos até 1998, ano em que Hugo Chávez se candidata ao poder e ganha com um discurso populista. Tem início a Revolução Bolivariana que trouxe consigo uma nova constituição. Desta constam valores como a separação de poderes, o sufrágio universal, os princípios bolivarianos da liberdade, igualdade, justiça e paz internacional. Um país que, no entanto, desde 2009 garante a reeleição ilimitada para todos os cargos políticos, e um regime onde as liberdades de expressão, de manifestação, de associação e de oposição não são respeitadas é um regime autoritário. Segundo o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, 5.051 é o número de pessoas presas arbitrariamente pelo governo venezuelano de abril a agosto de 2017.
Nicolas Maduro, ex-Vice presidente de Chávez e atual presidente desta dita República Bolivariana (que não respeita os valores de Simon Bolívar) apresentou a sua recandidatura para o governo da Venezuela nas eleições de 22 de abril deste ano. Alguns membros da oposição, como o MUD, recusam-se a ir a votos pois não reconhecem transparência nestas eleições. Outros, ainda assim, concorrem contra Maduro e pedem à ONU observadores internacionais para assegurar que as eleições decorrem de forma imparcial. Henri Falcón é o candidato que mais notoriedade tem ganho ultimamente, e segundo o Instituto Venezuelano de Análise de Dados, tem 24% das intenções de voto, contra 18% de Maduro.
Neste país os hospitais têm em falta mais de 95% dos medicamentos necessários para responder às necessidades dos pacientes, o que leva os médicos a atravessar a fronteira com a Colômbia e a comprá-los sob o risco de serem detidos e acusados de tráfico de drogas. Ali, os doentes entram na lista de espera da morte, porque as hipóteses de cura são mínimas, onde crianças morrem nos braços das mães à fome, onde não há hóstias nem vinho nas igrejas, onde a lei da selva reina dentro e fora dos jardins zoológicos, onde os cidadãos estão fartos de promessas e de desculpas, onde a esperança ainda assim não morre e onde nós temos o dever de intervir e ajudar pois somos livres.
Venezuela é o país onde tudo isto acontece e onde o Governo Promete o Paraíso mas só dá o Inferno.
