Nem todos são sensíveis à arte, uns preferem a poesia à pintura ou a música à escultura, mas a arte existe, a arte move muitas sensações, capitais e motivações.
Sei que estamos num momento problemático na nossa sociedade, “o dinheiro não estica” e muita coisa está envolvida no nosso dia a dia. Nem temos tempo… às vezes… de pensar, e a melhor maneira de relaxar pode ser ver um jogo da bola, beber uma cervejinha no café, dar um passeio ou chorar a ver uma telenovela. É isto que geralmente o povo faz e isto é o que vejo aqui no nosso Médio Tejo. Poucos são, em percentagem, os que desfrutam da arte, que gostam de vê-la, apreciá-la, usufruir dela e… de tê-la, sim adquirir uma obra de arte para si mesmo, para embelezar a própria casa, para poder vê-la mais vezes e criar um contato com ela.
Digo isto porque há dias eu tive uma exposição em Lisboa e aconteceu algo que mexeu comigo e com os meus pensamentos. No momento antes da inauguração, quando os convidados começaram a chegar, um homem estava a ver as obras expostas e de repente parou em frente de uma, pediu para falar comigo e disse-me ”esta obra está a dizer-me algo, está a comunicar comigo”, eu expliquei o que era mas ele não tirava o olhar dela e a quis para ele, para pôr na sua casa e poder, de vez em quando apreciá-la e “falar com ela”. Notei realmente a sua satisfação em ter encontrado algo que agitou o seu íntimo e lhe deu alegria.
Há quase 32 anos que vivo no Ribatejo e muita coisa melhorou, sem dúvida, mas há ainda algo que não entendo. As pessoas compram carros de alta cilindrada mas poupam nos pneus, compram aparelhagens sofisticadas e CD piratas, famílias mandam construir moradias grandes e dispendiosas, mas poupam na mobília e afixam nas paredes quadros comprados nas lojas chinesas, como é possível? Já visitei muitas casas deste tipo e vejo a repetição deste comportamento ao longo dos anos. Como se pode ter numa sala com chaminé, sofás “chaise longue”, whisky de 30 anos e uma estampa na parede dum autor que ninguém conhece e que podemos encontrar na loja de ferragens da esquina?
Como não se pode ter o agrado de ter uma, digo, só uma, bela obra de arte em casa? Como é possível gastar 200 ou 2000 € para um concerto ou um jogo de bola e achar caro um quadro único e original pintado por um autor conhecido que nos acompanhará por muitos anos? Que identifica a nossa personalidade e o nosso espaço como único?
Por estas razões penso que seria bom reavaliar as prioridades e começar a pensar decorar as nossas casas com algo de NOSSO, algo que NÓS gostamos e que deve ser único como nós somos únicos e originais e por isto… comprar arte.

Parabéns pelo artigo. Daria uma boa tese sociológica.
obrigado Daniela..sao coisas que gostava de desenvolver e compartilhar …vamos ver no futuro…abraço