A Cimeira do Clima que decorreu em Paris de 29 de Novembro a 12 de Dezembro tinha como grande objetivo travar o aquecimento global, associado às alterações climáticas, tentando evitar que até ao final do século a temperatura média do planeta não suba mais do que 2ºC relativamente ao início do período industrial.

Esta 21ª Cimeira do Clima da Nações Unidas envolveu 195 países, representações mundiais ao mais alto nível, agentes económicos, representantes da sociedade civil e ativistas ambientais na esperança de encontrar as melhores soluções que travem a crise climática com que nos confrontamos.

Numa maratona negocial complexa chegou-se a um acordo considerado histórico, resultado do empenho dos participantes e da vontade política dos principais líderes mundiais.

Depois do primeiro ensaio produzido pelo Protocolo de Quioto temos finalmente um acordo mais ambicioso à escala global.

O entusiasmo subjacente ao acordo alcançado não elimina alguma cautela com que teremos de olhar para a efetiva concretização dos seus desafios.

Evitar que até final do século a temperatura média do Planeta não ultrapasse 1,5ºC relativamente ao período pré-industrial é sem dúvida o propósito mais arrojado. Até agora esse indicador aumentou quase 1ºC, o que coloca em risco algumas áreas do globo que podem ficar submersas em virtude da subida do nível médio da água dos oceanos, nomeadamente os designados estados-ilha do Pacífico. Tratou-se de um avanço face à meta inicial dos 2ºC que se considerava como um dos objetivos primordiais a concretizar nesta Cimeira.

O Balanço ”zero” na relação entre a produção de emissões de GEE (gases de efeito estufa) e a sua remoção da atmosfera a partir de 2050 é um desafio difícil que conduzirá à substituição das fontes de energia fósseis e o incremento de áreas florestais com efeito de sumidouros.

A apresentação obrigatória de Planos Nacionais de mitigação das alterações climáticas, sujeitos a monitorização bianual é o instrumento prático para a sua concretização.

A cooperação entre o Norte e o Sul, entre os Países desenvolvidos e em desenvolvimento de modo a garantir a incrementação de medidas de mitigação e adaptação climática nos países mais pobres envolve um compromisso com uma comparticipação anual de 91 200milhões de euros, e a intenção do seu reforço a partir de 2025, assim como o apoio por perdas e danos decorrentes dos efeitos das alterações climáticas.

Aos Países em desenvolvimento é também garantida maior flexibilidade no planeamento das ações.

Os compromissos desta Cimeira estendem-se aos ”mercados” que terão de criar mecanismos conducentes ao cumprimento dos planos como no mercado de emissões e mecanismos de desenvolvimento limpo que já constam no atual protocolo de Quioto.

O pormenor que fez a diferença no alcançar deste acordo em Paris foi a o caráter diferenciado da natureza vinculativa dos compromissos, ao incluir partes onde é legalmente aplicado e outras excluídas desse regime. Esta flexibilidade conferiu pragmatismo negocial e sucesso à Cimeira, mas é também o seu ponto mais vulnerável.

A ambição do acordo alcançado nesta Cimeira do Clima em Paris é uma lufada de esperança ao reforçar o envolvimento dos Países numa lógica global, mas é frágil ao nível da definição concreta de compromissos e responsabilidades.

Este acordo já não é apenas um ponto de partida, é mais uma etapa num processo que põe à prova o grau de inteligência que nos distingue dos outros componentes deste Planeta que nos acolhe.

Citando o Prof. Doutor Fernando Mangas Catarino, referência para muitos biólogos e ambientalistas do nosso País:O problema é mesmo nosso. É toda a Humanidade que tem, seriamente, de se comprometer com o seu futuro e o de toda a Biosfera. A Terra,  mero planeta,   continuará  a sua evolução  segundo as inexoráveis Leis da Física que regem todo o Universo.”

É pensando no seu significado para as gerações vindouras que este acordo afirma uma mensagem de esperança e de futuro!

José Manuel Pereira Alho
Nasceu em 1961 em Ourém onde reside.
Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL.
Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela.
Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental.
Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador.
Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental.
Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente.
Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional.
Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza.
Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN.
Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva.
É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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