O Município de Coruche organiza a VIII Edição da FICOR – Feira Internacional da Cortiça, que decorre nos próximos dias, de 25 e 29 de Maio, dividida entre o Centro de Exposições de Coruche, no Parque do Sorraia, que irá acolher todos os expositores e parceiros do evento e o Observatório do Sobreiro e da Cortiça, na Zona Industrial do Monte da Barca, que irá acolher toda a componente científica, num ciclo de seminários e conferências.
Coruche é um município de transição entre o Ribatejo e o Alentejo onde o fenómeno da desertificação se veio instalando nas ultimas décadas, mas a dinâmica imprimida nos últimos anos em torno do sobreiro e da cortiça, da qual a FICOR é a expressão mais visível tem mostrado que não há causas perdidas e que vale a pena continuar a lutar pela valorização do interior.
O Observatório do Sobreiro e da Cortiça enquanto espaço de investigação e desenvolvimento, pode ser uma resposta positiva aos problemas deste território, atacando as fragilidades de sistemas naturais e sócio económicos em declínio e abrindo novas oportunidades de desenvolvimento a partir da mesma matriz territorial.
A desertificação instala-se em territórios com ciclos naturais em ruptura, considerados de baixo valor económico, com poucos recursos técnicos e humanos o que resulta num deficit de massa crítica, com pouco peso político e reivindicativo.
Às fragilidades instaladas associa-se a incapacidade política de chegar de modo eficaz aos centros de decisão.
Mesmo a intervenção das autarquias, das organizações não-governamentais de ambiente ou das associações de desenvolvimento têm por estas razões muitas dificuldades em afirmar um papel de desenvolvimento competitivo nestes territórios.
Estando a desertificação associada ao abandono do mundo rural, a solução passa por entendermos o que falhou nos modelos vigentes e sobretudo transcorre da capacidade de um olhar diferente numa visão de futuro e de esperança activa.
A adaptação do Homem à Natureza traduziu-se em modelos de utilização do território que condicionaram a economia, a cultura e a organização social das comunidades aí instaladas, e também originaram impactos nos recursos naturais bem visíveis nas paisagens construídas, na conservação dos solos, da água e da diversidade biológica.
De uma relação de equilíbrio evoluiu-se para uma nova fase do Mundo Rural que foi perdendo terreno no percurso competitivo da sociedade de consumo e tecnológica, resultando um território decrépito, gradualmente despovoado, com ruptura dos sistemas ecológicos construídos e sobretudo esquecido pelos decisores políticos e pelos agentes económicos.
No entanto a importância do mundo rural permanece intocável no que representa para a conservação dos recursos naturais e para o equilíbrio e bem-estar da população, mesmo quando esta reside nas áreas urbanas.
O espaço rural encerra um conjunto de características bem diversificadas que assentam sobretudo na manutenção de uma relação de equilíbrio entre os Recursos Naturais e a actividade Humana tradicional.
Esta importância fundamental do mundo rural tem de se afirmar nas novas valências e nas novas oportunidades que ai se colocam, no que isso significa de harmonia na relação entre a natureza e as pessoas.
Em tempo de alterações climáticas, já bem, sentidas, o contributo assume ainda maior relevância.
Ao lançar uma perspectiva de competitividade e inovação a partir de recursos tradicionais da região, como o são o Montado de Sobro e a Cortiça, Coruche está a alinhar-se para uma nova oportunidade de revitalização do seu modelo de desenvolvimento sem abandonar as suas características próprias estabelecendo uma credível e desejada ligação entre o passado e o futuro merecedora do nosso reconhecimento.
