O crescimento desacelerou. As empresas não estão a criar mais emprego e já foram destruídos mais de 60 000 empregos nestes oito meses. O desemprego não está a descer como poderia. As instituições financeiras olham com desconfiança para Portugal. O sistema financeiro continua frágil. As exportações diminuíram. O investimento caiu pela primeira vez desde 2013. Os combustíveis aumentam. A reposição de rendimentos é ilusória. A dívida pública aumenta. A poupança em valores negativos pela primeira vez em 17 anos. A confiança dos consumidores está em queda.
Mais uma vez Mário Centeno mascara e manipula: segundo o Diário Económico, o desvio na CGD de que falou Centeno não é ainda um desvio incorrido. Só cerca de 1.350 milhões de euros é que é um desvio efectivo do plano de negócios e não do balanço, logo não é prejuízo, o resto é um desvio potencial que só se verificará, ou não, em 2018.
Os sinais não enganam. O Estado da Nação está pior. Este Governo pode até respeitar as regras de apoio parlamentar, mas é um Governo que não foi desejado pelos portugueses. As promessas não estão a ser cumpridas e a estabilidade política aparente é uma estabilidade feita à custa da instabilidade económica. Tudo porque o Governo assenta num modelo económico que, dizem, em apenas sete meses “já provou que não é viável”. Os últimos sete meses desde que, a 26 de novembro, o Governo de António Costa tomou posse, “pareceram três ou quatro anos”, a avaliar pelas “reversões” feitas e pela “mudança de trajetória”. É muito mais fácil destruir em pouco tempo do que construir em muito tempo.
Como ontem lembrava Helena Garrido, ex Directora do Jornal de Negócios: “Hoje estamos pior do que há ano. Sem o sentirmos. Em 2017, se a política e as políticas não se corrigirem estaremos pior ainda. Com uma diferença. Vamos deixar de ter a ilusão de prosperidade.”
Ainda segundo Helena Garrido os “efeitos mais graves da quebra de confiança têm como epicentro o Governo, por via de decisões que geraram medo em quem investe em empresas, investimentos que não se recuperaram num dia, como nos mercados financeiros. Decisões como suspender a reforma do IRC, anular os concursos das concessões dos transportes, acelerar a reposição dos salários da função pública e reduzir o IVA na restauração podem até ter efeitos orçamentas mínimo – que não têm -, mas têm um enorme impacto na confiança para investimentos que só se recuperam a longo prazo.”
Ameaça de sanções
A propósito da ameaça de sanções a Portugal, estranhei o facto de o governo tanto hesitar em divulgar a carta que o Primeiro-Ministro enviou a Juncker. Agora que esta foi tornada pública ficamos a perceber porquê, o texto confessava em privado aquilo que António Costa não admite em público. O Primeiro-Ministro reconhece o trabalho dos últimos quatros e a evolução que Portugal registou. Ou seja, apenas perante a evidência de sanções, e no limite, o Primeiro-Ministro usou o argumento do ajustamento conseguido entre 2011 e 2015 para livrar Portugal das sanções. A carta de Costa não deixa dúvidas e refere “em resultado do processo de ajustamento, o défice português, excluindo as medidas temporárias e excepcionais, reduziu de 8.6% do PIB para 3.2 do PIB em 2015”. Mas cá não o assume.
Nessa carta, António Costa salienta também que ao longo desse processo Portugal foi “directamente monitorizado pela CE, pelo BCE e pelo FMI”, instituições que puderam assim ver “a acção efectiva do Governo português na consolidação das finanças públicas”. Mas cá também não o assume.
António Costa lembra também que “Portugal foi sempre apontado pelas instituições como um exemplo de bom cumprimento do programa de ajustamento”. Mas cá também não o assume.
É isto que temos, um Governo que em 6 meses voltou a colocar Portugal no topo das preocupações europeias, que minou a credibilidade conquistada.
