Passou algum tempo desde a minha última crónica. Muita coisa aconteceu no país e na região, coisas boas e menos boas. Incêndios, festas populares, início de campanhas eleitorais, férias, candidaturas ao ensino superior, o Cristiano Ronaldo foi a Tribunal e até (lá mais atrás) o Benfica ganhou a Taça de Portugal. Tudo isto aconteceu na minha “ausência”. O motivo da minha ausência deve-se ao facto de ter mergulhado, mais uma vez, no fantástico mundo da maternidade. É verdade. Prometo tentar ser regular nas minhas crónicas, agora que tudo começa a voltar à “normalidade”. Se é que existe normalidade na maternidade.

Refletindo sobre o que poderia ser o tema da minha crónica de regresso, não me apetecia escrever sobre as coisas menos boas que têm acontecido. Vá-se lá perceber porquê, mas dizem os estudos que os níveis hormonais nos levam a ver o mundo mais cor de rosa nesta fase, e apesar da tristeza do que aconteceu e de todos terem a minha solidariedade, apetece-me escrever sobre a nossa maternidade de Abrantes.

O ser humano tem o hábito de dizer mal de tudo e mais alguma coisa, dos serviços públicos então, é o prato do dia. No entanto, é fundamental que nos “exercitemos” para elogiar quando as coisas são boas.

Há três anos atrás teci rasgados elogios ao serviço de obstetrícia/ maternidade do hospital de Abrantes e à excelente equipa de profissionais que lá trabalha. Desde as auxiliares, ao pessoal administrativo, à equipa de enfermagem do bloco de partos e maternidade, à equipa do bloco operatório e especialmente à equipa médica. Sob pena de esquecer alguém, estou grata a todos e todas que se cruzaram comigo e me acompanharam há três anos e agora. O elenco foi praticamente o mesmo, em mais este episódio da vida da minha família. Nunca encontrarei as palavras certas para agradecer o apoio, a disponibilidade, a atenção, o profissionalismo e até a paciência que toda a equipa demonstrou. Senti-me em casa, uma vez mais. Há pessoas especiais que ficarão para sempre nas lembranças da nossa vida, que sabem que terão de mim sempre a gratidão pelo que representam e pelo que fizeram. Saberão quem são.

Portanto, quando oiço que o piso 5 do hospital não funciona bem, ou que vai encerrar portas, sinto uma angústia muito grande, porque de facto não é a minha opinião. E até podia ter tido sorte à primeira vez, mas posso comprovar que a qualidade do serviço está lá, três anos depois, nada mudou. O serviço é de tal forma acolhedor, que emana calor humano, que sinto sinceramente que todos fazem parte da nossa história. Fazem com certeza parte da historia de muitas famílias da região.

Portanto, não há que ter medos. Tenham crianças!

Vânia Grácio

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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