Novo jornal escolar na Barquinha aposta na cidadania e no jornalismo. Foto: mediotejo.net

Depois da criação da rádio escolar D. Maria II, o Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha voltou a apostar na comunicação e no jornalismo com o lançamento de A Voz do Tejo, um jornal escolar apresentado no Dia dos Direitos Humanos, a 10 de dezembro.

A sessão decorreu no auditório da escola e contou com cerca de uma centena de alunos do 9.º ano, num momento marcado pela reflexão, pela música e pela valorização da cidadania.

A apresentação incluiu uma canção dedicada à inclusão e aos direitos humanos, composta por alunos e professores a partir de um projeto lançado por Marisa Liz no âmbito do Dia dos Direitos Humanos do ano passado, ao qual a escola deu o arranjo final, bem como uma pequena palestra sobre a importância do jornalismo na construção da paz e da democracia. O projeto contou ainda com a participação especial de um jornalista do mediotejo.net, reforçando a ligação da escola ao jornalismo profissional.

Orientado pela professora Elsa Mota, A Voz do Tejo é um projeto extracurricular dinamizado por alunos, mas aberto a toda a comunidade escolar.

“Achei que era uma boa aposta fazermos um jornal de alunos para alunos, mas também da comunidade escolar inteira”, explicou a docente, sublinhando que o projeto integra professores, funcionários e pais. O jornal funciona com reuniões semanais e aborda mensalmente um tema comum, sendo os direitos humanos o mote da primeira edição.

Segundo Elsa Mota, o principal objetivo passa por “pôr a cidadania em ação” e incentivar os jovens à participação cívica, ao mesmo tempo que se desenvolvem competências de leitura, escrita, investigação e comunicação.

Novo jornal escolar na Barquinha aposta na cidadania e no jornalismo. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | ELSA MOTA, COORDENADORA JORNAL ESCOLAR VOZ DO TEJO:

O jornal aceita textos, vídeos e conteúdos áudio, estando acessível online através da página do agrupamento. “Sem jornalismo não existe democracia”, afirmou, defendendo a necessidade de formar alunos críticos num contexto dominado pelas redes sociais. O tema dos afetos dará o mote aos trabalhos da edição de janeiro.

“Porque existe em janeiro o dia do abraço e o dia do obrigado. E nós lembrámos fazer um jornal dedicado aos afetos, que é uma coisa que falta muito hoje em dia na nossa sociedade”, declarou.

O lançamento de A Voz do Tejo surge na continuidade do trabalho desenvolvido pelo agrupamento na área da comunicação. Antes do jornal, a escola já tinha criado a Rádio Dona Maria II, um projeto da Escola D. Maria II, inaugurado em abril de 2024, que envolve os alunos em atividades de rádio e produção de conteúdos, reforçando a aprendizagem através dos média e a participação ativa na vida escolar.

O lançamento do jornal escolar contou um momento musical e uma canção – “Mudar a canção” – adaptada à defesa dos direitos humanos e cantada a várias vozes por professores e alunos, acompanhados à guitarra.

Foto: AEVNB

MUDAR A CANÇÃO

A AGRESSÃO
A MIM NÃO ME CONVÉM
EU NÃO QUERO VER ROUBADA
A INOCENCIA DE ALGUÉM
O RACISMO
A MIM NÃO ME CONVÉM
PORQUE NÃO QUERO SER MAIS NEM MENOS QUE NINGUÉM
AI, AI, AI, AI, AI EU GOSTO DE ACREDITAR QUE É POSSÍVEL MUDAR E VER O AMOR A VENCER AI, AI, AI EU QUERO E POSSO MUDAR NÃO DEIXO O MEDO GANHAR EU SEI QUE AMAR É PODER O SEXISMO
A MIM NÃO ME CONVÉM EU NÃO QUERO PÔR EM CAUSA O GÉNERO DE NINGUÉM
XENOFOBIA
A MIM NÃO ME CONVÉM EU NÃO QUERO VER NEGADOS OS DIREITOS DE QUEM VEM

AI, AI, AI, AI, AI EU GOSTO DE ACREDITAR QUE É POSSÍVEL MUDAR E VER O AMOR A VENCER AI, AI, AI EU QUERO E POSSO MUDAR NÃO DEIXO O MEDO GANHAR EU SEI QUE AMAR É PODER
HOMOFOBIA
A MIM NÃO ME CONVÉM
PORQUE O AMOR NÃO SE DITA PELAS CRENÇAS DE NINGUÉM
O GENOCIDIO
A MIM NÃO ME CONVÉM
EU NÃO QUERO TER NAS MÃOS
O SANGUE DE ALGUÉM
AI, AI, AI, AI, AI EU GOSTO DE ACREDITAR QUE É POSSÍVEL MUDAR E VER O AMOR A VENCER AI, AI, AI EU QUERO E POSSO MUDAR NÃO DEIXO O MEDO GANHAR EU SEI QUE AMAR É PODER

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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