A apresentação da nova edição da Zahara, publicação semestral editada pelo Centro de Estudos de História Local de Abrantes (CEHLA), da Associação de Desenvolvimento Cultural Palha de Abrantes, está marcada para sexta-feira, 31 de julho, às 21h30, na Cisterna do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA), no Jardim da República, em Abrantes.
A sessão inclui a apresentação do número 47 da revista e termina com a exibição do filme A savana e a montanha, numa iniciativa aberta ao público.
Com quase um quarto de século de publicação ininterrupta, a Zahara consolidou-se como um espaço de divulgação de investigação dedicada à antropologia, história local, sociologia, quotidiano e etnografia, reunindo investigadores e colaboradores de diversos concelhos da região.
Nesta edição, a capa destaca o artigo “500 anos depois – Ecos de um enlace imperial atravessando os concelhos de Chamusca, Abrantes e Ponte de Sor (1526-2026)”, da autoria de Joaquim Candeias da Silva, evocando a passagem de um acontecimento histórico que assinala meio milénio.
Entre os restantes trabalhos publicados encontram-se um estudo de José Alves Jana sobre Maria Torrado, uma antiga taberneira de 90 anos; uma investigação de Dulce Figueiredo sobre a escravização no Sardoal entre 1558 e 1669; um artigo de Fernando Freire dedicado aos judeus em Tancos nas redes da Inquisição; e um trabalho de Ana Santos Leitão sobre a Amieira do Tejo, abordando a intervenção da comunidade nas decisões do poder local.
O novo número integra ainda artigos sobre a lenda do Castelo de Abrantes, o artesanato abrantino, crenças e dizeres populares de Queixoperra, a guerra colonial e a recolha de memórias de antigos combatentes do concelho de Constância, entre outros temas que percorrem diferentes épocas e territórios da região.
Dirigida por José Martinho Gaspar e editada pelo CEHLA, a Zahara tem-se afirmado como um projeto singular de preservação e divulgação da memória coletiva, do património e da identidade dos concelhos de Abrantes, Constância, Gavião, Mação, Sardoal, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha, constituindo um importante repositório de investigação sobre a história local.

Mais do que uma revista, a “Zahara” continua a afirmar-se como um espaço de encontro entre investigadores, cronistas e comunidades, preservando histórias que dificilmente encontram lugar nas grandes narrativas nacionais e contribuindo para valorizar a identidade e a memória dos territórios do Médio Tejo.

