Em Outubro de 2010, no dia de inauguração do “Centro de Investigação para o Desconhecido”, escrevi então um pequeno texto, que hoje recupero:
“Quem diria há uns anos atrás que, uma das figuras mais polémicas da nossa história recente, acusado de por ser milionário, só ver a côr do dinheiro, de lutar contra a própria família (no caso da herança Sommer), de ser obrigado após Abril de 74 a emigrar para outra paragens, quem diria (digo eu), que hoje, dia 5 de Outubro, fosse Senhor de uma das maiores “bofetadas de luva branca” de que há memória.
Com a inauguração do “Centro de Investigação para o Desconhecido”, da Fundação Champalimaud, liderado por outra figura mal-amada dos nossos dias (Leonor Beleza), António Champalimaud (lá, onde estiver), passará a contribuir decisivamente para “tratar da saúde” a muitos de nós, mesmo dos seus inúmeros detractores.”
Desde então, se dúvidas houvesse, o tempo, qual juiz e mestre de todas as coisas, lá vai peneirando, joeirando e, porque nem todos os fins justificam os meios, também nem todos os meios têm o mesmo fim.
Para alguns, em Portugal, terra de sol e de mar, o po(l)vo é quem mais ordena. Se antes fôra o Estado a controlar o povo, agora é a vez do po(l)vo controlar o Estado.
Mas para António Champalimaud, pese embora algum cinzentismo do seu passado, algo iluminou o seu futuro. E, ao contrário daqueles que usaram e abusaram de fortunas amealhadas, Champalimaud soube retribuir a dívida de gratidão que Portugal merecia.
Agora, que passam 100 anos sobre o seu nascimento, saibamos perceber a diferença entre o ter e o ser. Porque se pode ter muito e muito partilhar. Ou porque se pode ter muito e ser-se muito pouco.
Há quem fique na história pelo que fez. E quem nela fique pelo que não devia ter feito.
António Champalimaud, acertando contas com o passado, soube perceber o futuro.
E o futuro jamais o esquecerá.

