A equipa de "Lobos" de Carvalhal venceu o Valcavalense nos penaltis e conquistou a Taça Reconhecimento do Inatel. Foto: mediotejo.net

GDSR VALCAVALENSE 3 – ACDR “OS LOBOS” DE CARVALHAL 3 (6-7 após desempate através de grandes penalidades)

Liga Fundação Inatel de Santarém 2021/22
Final Taça Reconhecimento (Série 2)
Campo CUF, em Alferrarede (Abrantes) – 29-05-2022

O dia clareou cinzento e até a ameaçar chuva, mas nada amedrontou as milhares de pessoas que se deslocaram na manhã de domingo a Alferrarede (Abrantes) para assistirem à final da Liga Reconhecimento (Série 2), da Delegação de Santarém do Inatel, entre as equipas do GDSR Valcavalense e da ACDR “Os Lobos” de Carvalhal, numa exemplar e irrepreensível organização do Rancho Folclórico e Etnográfico de Casais de Revelhos.

Lobos do Carvalhal venceram Vale de Cavalos e conquistaram Taça Reconhecimento da Liga Inatel. Foto: mediotejo.net

É bem possível que as freguesias de Vale de Cavalos (Chamusca) e Carvalhal (Abrantes) tenham ficado uma pouco despidas de gente, já que a moldura humana (bastante numerosa e colorida) disse presente a esta bonita jornada desportiva.

À hora certa delineada pela organização (11 horas), o experiente árbitro José Neves dava início ao primeiro “prato” do dia, e cedo começaram a ferver as emoções, dentro e fora das quatro linhas.

Equipa de arbitragem e capitães de equipa

Não tardou que chegasse a primeira grande oportunidade de golo, para o Vale de Cavalos. Numa rápida e excelente incursão pelo lado direito do seu ataque, Sandro Neves, na hora da finalização, foi travado em falta para advertência disciplinar, por Alexandre Jorge. O guardião do Carvalhal, arriscando a sua continuidade em campo, “varreu” o adversário, na zona lateral do campo, o que lhe valeu o cartão amarelo (boa decisão do juiz da partida).

Estavam decorridos apenas 4 minutos de jogo e os atletas tiveram que ser assistidos, provocando a primeira paragem no jogo. Só dois minutos volvidos, o livre foi executado, sem consequências, com o esférico a esbarrar por duas vezes na cerrada barreira defensiva da alcateia, passando o primeiro perigo para as redes de “Os Lobos”.

Equipa de Vale de Cavalos teve um excelente desempenho, pecando na finalização

Tendo entrado mais forte, o Valcavalense esteve perto do primeiro tento aos 10 minutos, com Sandro Neves a rematar tão certeiro que a bola foi embater caprichosamente na trave da baliza adversária, malogrando o intento dos homens de Vale de Cavalos.

Após estes primeiro minutos, e um pouco contra a corrente do jogo, à passagem do quarto de hora da partida, a festa vestiu-se de laranja quando num ataque rápido, David Louro foi derrubado dentro da área, com José Neves a assinalar penalty, correto e sem contestação. Chamado a converter, Daniel Alves não falhou e fez saltar a tampa do caldeirão de Alferrarede, colocando “Os Lobos” em vantagem no marcador.

Lobos do Carvalhal festejam um dos golos da partida

A equipa que viajou do concelho de Chamusca não se amedrontou nem acusou o golo sofrido e, rapidamente procurou chegar à igualdade, golo que chegaria ao minuto 26, por Sandro Neves. Dois minutos antes, Sandro já tinha “avisado” que pretendia deixar a sua “impressão digital” nesta final, que voltava a estar empatada.  

Vale de Cavalos e Carvalhal disputaram uma final emotiva no Campo CUF

O jogo encontrava-se numa fase de parada e resposta e Daniel Alves, desta vez, podia ter feito melhor aos 27 minutos quando, em boa posição, chutou muito por alto.

A igualdade justificava-se à meia hora de jogo, mas pouco depois a formação do Valcavalense mudaria o rumo dos acontecimentos fazendo a reviravolta no marcador, passando para a frente do jogo. Sandro Neves, que aproveitou muito bem uma indecisão e corte deficiente da defensiva de “Os Lobos”, assinou o 2-1.

Valecavalense criou muito perigo ao longo do jogo junto da baliza do Carvalhal

Porém, ainda as hostes vestidas de verde celebravam e já o Carvalhal lograva chegar a novo empate na partida, novamente pelo capitão Daniel Alves, aproveitando uma saída em falso do guarda redes José Lourenço. Com 35 minutos de pura adrenalina, o jogo estava empatado a duas bolas e com tudo em aberto para o que ainda faltava jogar.

Mas a história da primeira parte ainda não estava terminada. Já dentro de período de compensação dada pela equipa de arbitragem, o mesmo Daniel Alves (sempre muito ativo e muito rápido por entre os defesas contrários) podia ter colocado a equipa de Abrantes em vantagem. Isolado frente ao guarda-redes, o remate saiu fraco e à figura.

Jogo intenso mas sempre com muito fair play entre as equipas e os adeptos

E, já com o juíz José Neves com o apito na boca para dar por terminada a primeira metade desta final, o Vale de Cavalos volta à vantagem marcando o 3-2. Afonso Silva bisou na partida, na marcação exímia de um livre direto em posição frontal e junto à linha da meia lua, a castigar mão na bola de Bruno Baptista. O guardião Alexandre Jorge nem com asas lá chegava, tão primorosa foi a sua execução. Sem dúvida, o melhor golo da partida e que fechava a primeira parte.

Valecavalense assina o 3-2 num golo monumental e sem hipótese de defesa

Com o intervalo, veio o sol e com ele o calor e a tradicional romaria aos bares instalados no Campo CUF que começavam a não ter “mãos a medir” para as solicitações. A hora de almoço aproximava-se e as equipas que jogariam à tarde a final mais apetecida também apareciam com os seus adeptos para dar ainda mais colorido à festa que estava bonita. Os cinco golos na primeira parte eram exemplo de que nenhum dos emblemas pretendia dar o jogo por perdido e que a festa iria continuar. “Isto não é como começa, é como acaba!”, diziam esperançosos os adeptos do Carvalhal.

Adeptos do Carvalhal deram um alento suplementar que se viria a revelar decisivo nos instantes finais da partida

O início do segundo tempo revelou-se um pouco incaracterístico face àquilo que tínhamos assistido anteriormente. Muito atabalhoamento e pouca determinação, fizeram com que, a partir do minuto 10, os técnicos de ambas as equipas começassem a jogar (também) a partir dos bancos de suplentes. Intercaladamente, Miguel Alves e Ivo Custódio iam alterando os seus modelos de jogo iniciais e buscando novas fórmulas pata tentar fazer desmoronar as defesas contrárias na busca da vitória final.

Disputa aérea pela conquista da bola

Só perto da meia hora da etapa complementar é que se começou novamente a ver futebol de mais qualidade. Primeiramente, foi Henrique Alves, do Carvalhal, a livrar as suas redes de maiores apuros ao cortar para canto um lance de Afonso Antunes que ameaçou ampliar a vantagem. Ato contínuo, na outra baliza, Daniel Alves, solto de marcação, tenta o “chapéu” ao guarda redes de Vale de Cavalos, mas o esférico saiu ao lado do alvo. Aos 31 minutos, novamente o Vale de Cavalos a chegar com perigo à baliza adversária com João Cordeiro a falhar de forma incrível a possibilidade de “matar” o jogo.

Capitão de equipa do Lobos do Carvalhal foi exemplo de raça e querer

O Carvalhal já não tinha muito tempo para (pelo menos) alcançar a igualdade e com uma nova frente de ataque a jogar a toda a linha, Miguel Alves procurava de todas as formas chegar com perigo ao último reduto do Vale da Cavalos. César Santos (37 minutos) e David Louro (40 minutos) eram o exemplo de que “Os Lobos” ainda estavam com algum fôlego para irem à luta até final.

Lances de perigo foram uma constante junto das duas balizas num jogo com muitos golos

No final do primeiro dos 6 minutos de compensação dados por José Neves, o Carvalhal dispõe de nova situação por Cristiano Coutinho. Na sequência do lance, e pedindo grande penalidade por suposto corte com a mão dentro da área (lance pouco perceptível), Rodrigo Santos, guarda redes suplente de “Os Lobos”, é expulso do banco com vermelho direto.

Nada que amedrontasse a alcateia que no seu último uivo de raça, consegue o tento do empate (3-3) mesmo à entrada do último minuto de descontos. Após algumas carambolas e ressaltos, a bola sobra para o capitão Daniel Alves que chutou para dentro da baliza e carimbou, desta forma, o seu hat-trick e estabeleceu o resultado final, relegando a decisão para os pontapés da marca de grande penalidade. Grande jogo, com muitos golos e pleno de emoção e incerteza até final. Ninguém merecia perder a final.

Golo do empate em cima do apito final fez estalar a festa para os adeptos do Carvalhal

Chegados a esta fase a que muitos chamam de “lotaria” (mas que não é bem assim), a equipa de “Os Lobos” de Carvalhal acabaria por vencer e conquistar a Taça para a pequena aldeia que se juntou em Alferrarede a apoiar as suas cores. O Valecavalense desperdiçou duas batidas (uma para defesa de Alexandre Jorge e outra ao poste) ao contrário do Carvalhal que converteu todas, fazendo com que o troféu agora more nas estantes da equipa de Miguel Alves que, após 15 anos de existência, alcança o seu maior feito desportivo no que ao futebol diz respeito, triunfando na Taça Reconhecimento/Série 2, do Inatel de Santarém.

Carvalhal conquista Taça Reconhecimento/Série 2 da Liga Inatel

Uma pequena nota para a equipa de arbitragem que não teve qualquer interferência no resultado da partida, outra para dizer que ambas as equipas seriam justas vencedoras (embora saibamos que apenas uma pode ganhar) e, por fim, mas não menos importante, uma referência à massa adepta dos dois clubes que não se cansaram de apoiar os seus ídolos.

Lobos do Carvalhal conquistam Taça Reconhecimeto da Liga Inatel

No final a festa foi bonita, com a organização a merecer nota máxima. E, como vaticinava um adepto, prevaleceu a máxima de que realmente “não é como começa, é como acaba!”.

Ficha de jogo

GRUPO DESPORTIVO DA SOCIEDADE RECREATIVA VALCAVALENSE

Equipa do Valcavalense

João Lourenço, Márcio Costa, António Jesus, David Gonçalves, André Luís, João Cordeiro, Tiago Godinho, Hugo Ferreira, Afonso Silva, Afonso Antunes e Sandro Neves.

Suplentes: Edgar Jesus, Telmo Agostinho, Paulo Custódio, André Costa, João Melo, João Soares e Talison Costa .

Treinador: Ivo Custódio.

Treinador Adjunto: Nuno Rosa.

ASSOCIAÇÃO CULTURAL, DESPORTIVA E RECREATIVA “OS LOBOS” DE CARVALHAL

Equipa dos Lobos do Carvalhal

Alexandre Jorge, Pedro Santos, Henrique Alves, Flávio Trindade, Bruno Batista, Fábio Catarino, Marco Lino, David Louro, Rodrigo Luís, Daniel Alves (cap.) e Cristiano Coutinho.

Suplentes: Rodrigo Santos, Alexandre Duarte, Hélder Alves, César Santos, Renato Matos, Daniel Aparício e André Jorge.

Treinador: Miguel Alves. Treinador Adjunto: Rui Ribeiro.

EQUIPA DE ARBITRAGEM

Equipa de arbitragem liderada por José Neves esteve em bom plano

José Neves, Ricardo Dias, Tiago Matias e Emanuel Bragança.

GOLOS: Afonso Silva (2) e Sandro Neves (Valcavalense); Daniel Alves (3) (Carvalhal).

GRANDES PENALIDADES CONVERTIDAS:

André Luís, Tiago Godinho e João Melo (Valcavalense); Daniel Aparício, Daniel Alves, Rodrigo Luís e David Louro (Carvalhal).

GRANDES PENALIDADES NÃO CONVERTIDAS:

Sandro Neves e André Costa (Valcavalense).

Declarações de ambos os técnicos e do capitão de equipa de “Os Lobos” de Carvalhal (melhor jogador em campo)

Ivo Custódio, treinador do Valcavalense

ÁUDIO | IVO CUSTÓDIO, TREINADOR DO VALCAVALENSE

Miguel Alves, treinador do Carvalhal

ÁUDIO | MIGUEL ALVES, TREINADOR DO LOBOS DO CARVALHAL

Daniel Alves, capitão da equipa do Carvalhal

ÁUDIO | DANIEL ALVES, CAPITÃO DE EQUIPA DO CARVALHAL:

Reportagem de José Belém; Fotografias de Jorge Santiago e David Belém Pereira

José Belém

A grande “culpada” é uma velhinha máquina de escrever Royal esquecida lá por casa e que me “infectou” para uma vida que se revelou mais tarde não fazer sentido sem o jornalismo. O primeiro boletim da paróquia e o primeiro jornal da pequena aldeia onde frequentava a escola (tinha apenas 7 anos de idade) entranharam-me a alma (e o sangue) deste “vício” de escrever e comunicar. Seguiram-se os pequenos jornais de turma, os das escolas, os painéis informativos colocados nas paredes dos átrios e o dos escuteiros... e nunca mais o “vício” sarou. Ao longo da vida, foram vários e diversificados os ofícios exercidos profissionalmente, mas o “mar dos desejos” desaguava sempre numa folha de papel ou (mais tarde) num portátil de computador (e sempre com a máquina fotográfica como companhia). Já mais "a sério” e desde jornais regionais, rádios locais, periódicos nacionais e televisão (TVI), já são mais de 45 anos de um percurso “académico” de alguém que pouco se importa de não possuir um “canudo”.

Entre na conversa

1 Comentário

  1. Como é que podemos ter acesso a todas as fotografias tiradas no jogo da final entre os Lobos de Carvalhal e o Valecavalense?

    Obrigado

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.