Créditos: Unsplash/MT

O PS venceu as eleições autárquicas de domingo no distrito de Santarém, conquistando 10 das 21 câmaras e obtendo 33,16% dos votos, ao passo que o PSD conquistou 8 câmaras, segundo os dados do Ministério da Administração Interna.

A nível nacional, o PSD venceu o maior número de câmaras, recuperando a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses, que estava entregue ao PS desde 2013. Em 2021, no distrito de Santarém, o PS havia conquistado 38,7% dos votos, ou seja, mais 3.122 votos em urna do que os obtidos nas autárquicas deste ano.

No Médio Tejo, o PS venceu em 6 dos 11 municípios, tendo o PSD, sozinho ou em coligação, conquistado 4 câmaras, e o Chega uma. Em comparação com 2021, o PS ficou com menos duas câmaras a nível distrital: tirou Mação ao PSD, mas perdeu Tomar para a coligação PSD/CDS-PP, e também Salvaterra de Magos para o movimento “Juntos Fazemos+” e o Entroncamento para o Chega.

O PS perdeu também o Entroncamento para o Chega, único município de Santarém em que o partido venceu, sendo a terceira força política mais votada no distrito, com 14,53% dos votos. Manterá, ainda assim, a maioria suficiente para continuar a presidir à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

o PSD fica com a presidência de oito municípios no distrito (seis em coligação com o CDS-PP), mais um do que em 2021. Além de terem conquistado Tomar ao PS, os social-democratas retiraram Benavente à CDU (PCP/PEV), que deixou de liderar municípios neste distrito. Na Golegã, o autarca eleito há quatro anos pelo movimento “2021 é o ano” foi reeleito pelo movimento agora denominado “2025 por todos”.

Dos 11 municípios do Médio Tejo, seis serão governados no mandato 2025 a 2029 pelo PS – Abrantes: Manuel Jorge Valamatos, Constância: Sérgio Oliveira, Ferreira do Zêzere: Bruno Gomes, Mação: José Fernando Martins, Torres Novas: José Trincão Marques, e Vila Nova da Barquinha: Manuel Mourato; quatro pelo PSD (sozinho ou em coligação) – Alcanena: Rui Anastácio, Ourém: Luís Miguel Albuquerque, Sardoal: Pedro Rosa, e Tomar: Tiago Carrão, e um pelo Chega: Nelson Cunha, no Entroncamento.

Dos 10 municípios da Lezíria do Tejo, quatro serão governados pelo PS no mandato 2025 – 2029 – Almeirim: Joaquim Catalão, Alpiarça: Sónia Sanfona, Chamusca: Nuno Mira, e Coruche: Nuno Azevedo. O PSD vai gerir quatro – Santarém: João Teixeira Leite, Benavente: Sónia Ferreira, Cartaxo: João Heitor, e Rio Maior: Luís Santana Dias, e dois movimentos independentes em Salvaterra de Magos: Helena Neves (Movimento Juntos Fazemos +) e na Golegã: António Camilo (Movimento “2025 Por Todos”).

PSD reconquista presidência da ANMP e vence as maiores câmaras do país

O PSD venceu o maior número de câmaras nas eleições autárquicas de domingo, recuperando a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que era assumida pelo PS desde 2013, e triunfou nos cinco municípios mais populosos do país.

Nas eleições de domingo, no total nacional, o PSD com listas próprias, ou em coligações, venceu em 136 municípios contra 128 do PS, quando em 2021 tinha triunfado em 114, contra 149 dos socialistas.

Em relação aos maiores dez centros populacionais, as coligações lideradas pelos sociais-democratas conquistaram agora ao PS as câmaras de Gaia e Sintra, mantiveram Lisboa, Braga e Cascais. E ganharam no Porto, autarquia que tinham perdido em 2013 para o movimento independente liderado por Rui Moreira.

Entre outras conquistas significativas do ponto de vista político, o PSD ganhou ao PS as câmaras de Beja, Guimarães (que era um bastião socialista) e Espinho, cidade do primeiro-ministro, Luís Montenegro. E apoiou a lista vencedora em Setúbal.

“Não vou dizer que é um resultado histórico, mas é extraordinariamente relevante”, defendeu o presidente do PSD, no Porto, no final da noite eleitoral.

Apesar de ter perdido a presidência da ANMP, o PS continua a ter um peso significativo ao nível autárquico, detendo câmaras em todos os distritos do território nacional e nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores.

Ao contrário do que se passou nas eleições legislativas de maio passado, em que ficou em terceiro em número de mandatos, ultrapassado largamente pela AD (coligação PSD/CDS) e também pelo Chega, o PS ficou agora a apenas a oito câmaras dos sociais-democratas e muito à frente das restantes forças políticas.

Na noite eleitoral de domingo, os socialistas causaram mesmo algumas surpresas ao vencerem em Viseu e Bragança, duas capitais de distrito tradicionalmente dominadas pelo PSD, conseguindo ainda retirar Faro e Coimbra aos sociais-democratas. E, entre outros municípios do sul do país, retiraram à CDU a autarquia de Évora.

No domingo, ao fim da noite, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, realçou o facto de não se terem verificado para o seu partido as piores perspetivas em termos eleitorais. “O PS voltou como grande partido de alternativa política ao Governo. O PS mostrou vitalidade e voltou e os portugueses voltaram a confiar no PS”, declarou José Luís Carneiro.

Os resultados das eleições de domingo indiciaram também que ao nível local se manteve a tradicional bipolarização entre PSD e PS, partidos que disputaram entre si a grande maioria das câmaras, contrariando assim a tendência para um tripartidarismo (PSD/Chega/PS) resultante das eleições legislativas de maio passado.

Nas legislativas de maio, que a AD voltou a vencer com maioria relativa, o Chega ficou em segundo lugar em mandatos (60 em 230) mais dois do que o PS. Nestas eleições autárquicas, o Chega apenas venceu em São Vicente (Madeira), em Albufeira (no Algarve) e no Entroncamento (distrito de Santarém), somando pouco mais de 600 mil votos, quando nas legislativas de maio tinha atingido 1,4 milhões de votos.

Na reação aos resultados, André Ventura assumiu que não conseguiu atingir os seus objetivos, mas alegou que o Chega é um partido recente. “Sempre disse que não há partidos de poder sem serem partidos autárquicos. Demos esse primeiro passo, mas ainda estamos longe dos objetivos a que nos tínhamos proposto”, afirmou.

A CDU voltou a recuar em termos de peso autárquico nacional, passando de 19 câmaras em 2021 para 12. Perdeu as capitais de distrito de Évora e Setúbal. E das 19 câmaras que a CDU tinha conquistado em 2021 manteve somente oito (Barrancos, Cuba, Arraiolos, Silves, Avis, Palmela, Seixal e Sesimbra).

Mora, Montemor-o-Novo, Aljustrel e Sines foram agora conquistadas ao PS. As duas primeiras, Mora e Montemor-o-Novo, foram recuperadas pela CDU depois de as ter perdido em 2021 para o PS. O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, reconheceu que o seu partido teve um resultado global negativo, em que as perdas não compensaram alguns sucessos do partido.

Já o CDS manteve as suas seis câmaras municipais, com o seu presidente, Nuno Melo, a realçar que há ainda um caso de uma autarquia por um democrata cristão, embora integrando uma lista com o PSD – uma alusão ao município da Meda, no distrito da Guarda.

*c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *