Geraldina Santos, ou simplesmente Gigi, como é conhecida, chega ao atelier ainda cedo pronta a iniciar mais um dia de trabalho. O espaço Art Off está localizado no Centro Cultural de Sardoal e hoje é dia de aula de costura. Cumprimenta-nos, carregada de sacos e tecidos, atarefada logo de manhã.
O atelier de costura da Gigi parece ser pequeno, mas quando olhamos para os diferentes trabalhos expostos nas prateleiras, não imaginamos as horas que lhes foram dedicadas. Entre tecidos e padrões de todas as cores, há duas prateleiras com chapéus empilhados, uns às riscas e outros floreados. Há também diferentes sacos do pão ou bolsinhas, como aquelas que encontramos nas feiras de artesanato. Algumas até nos lembram os sacos que as nossas mães e avós costuravam para levarmos a pedir os bolinhos no Dia de Todos os Santos.





Gigi nasceu há 56 anos, em Lisboa, mas foi nas redondezas de Sardoal que passou muito tempo da sua infância, porque o pai era de Alcaravela, uma das freguesias do concelho. O gosto pela costura foi herdado da mãe, que também “fazia costura”.
“Tenho uma máquina de costura que ainda era dela”, conta-nos.
Aprendeu esta arte muito cedo, aos 14 anos, através de um curso de Corte e Costura. “Não quis estudar. E o meu pai disse-me ‘então tens de aprender costura’”, relembra, com um brilho nos olhos. E assim foi começando o seu percurso.
Trabalhou em fábricas da área, e até como modista em casa, a fazer roupa para ela e, mais tarde, para os filhos. Antes de ser costureira ‘a tempo inteiro’, foi supervisora de limpeza durante vinte anos na capital, dez deles no Centro Cultural de Belém. “Cansei-me de Lisboa, porque aquilo é um mundo à parte. E como diziam que no interior é que se tinha qualidade de vida, eu experimentei”.
Começou por apostar em ter um atelier perto do Posto de Turismo, no Sardoal, terra onde vivia. Aqui, apostava nos trabalhos por medida e outros afazeres, mas com a pandemia acabou por encerrar o espaço.
Em 2022, concorreu com o seu projeto para abrir o atelier no espaço Art Of, no Centro Cultural Gil Vicente, onde se mantém atualmente. Nunca deixou de fazer os trabalhos que lhe encomendavam, e também ensinava quem gostasse de aprender a arte costura.
Vídeo/Reportagem:
Além da paixão pela área, a Gigi diz-nos que a criatividade e a imaginação também têm sido suas aliadas ao longo dos anos. “É o que eu gosto. Gosto muito de fazer trabalhos de costura, gosto muito de inventar, até de fazer coisas até diferentes”, refere.
A aula de terça-feira está marcada para as 10h30, e pouco depois chegam as alunas carregadas com as suas máquinas de costura. Entusiasmadas, vão preparando o material necessário para as tarefas que trazem já planeadas: um saco de compras, uns calções de menina e um necessaire. Trazer ideias já planeadas é fundamental, pois só assim poderão surgir dúvidas de como fazer um pesponto, colocar um fecho, e outras tarefas a que assistimos durante a manhã.
Ouvem-se as máquinas de costura a trabalhar, uma tesourada aqui e outra acolá. Gigi vai percorrendo o atelier, ajudando nos cortes e nas medidas das suas aprendizas que, afinal de contas, já sabem fazer de tudo um pouco nesta arte.
Natália Fernandes é uma das alunas, e traz o seu saco de compras e a bolsa já começados, num padrão cinza com ovelhas à mistura. Confessa-nos que não percebia nada de costura, tinha a sua máquina há “seis ou sete anos” e “nem sabia enfiar a linha”. Ninguém diria, a observar pela forma como trabalha com ela, que insiste em lhe pregar partidas ao partir a linha.



No outro lado da mesa está Teresa Correia, uma ‘exploradora’ nata, que também vai dando algumas sugestões a Natália. Já tirou um curso de costura em Lisboa, e costuma pesquisar vídeos e tutoriais na internet com dicas para fazer alguns trabalhos, um hábito que ficou desde a pandemia.
“Punha os vídeos no telemóvel e aprendia”, conta-nos entre risos. Aliás, foi daí que nasceu a ideia do trabalho que está a fazer na aula.
A outra aluna, Maria Carlos, está entretida a fazer uns calções para a neta, e a tarefa é tentar coser os bolsos, que parece ser o mais desafiante. Já não é a primeira peça de vestuário que faz. Diz-nos que já tinha experimentado uma “máquina antiga, daquelas de pedal”.
“Mas não me lembrava de nada”, confessa. Apesar de fazer alguns trabalhos em artesanato, diz-nos que a costura “é diferente”, e que se inscreveu nestas aulas “para aprender”.





O ambiente das aulas é bastante animado, e várias vezes as alunas partilham opiniões sobre os trabalhos que estão a fazer. É o caso do necessaire que Teresa está a acabar, mas que Maria diz poder ser transformado “numa malinha de Verão”.
No decorrer da aula, Gigi vai também organizando os afazeres do dia. Diz-nos que as pessoas a procuram no atelier para “pequenos trabalhos” como a bainha a umas calças, mas também procuram as peças que resultam do tear com tecidos, como é o caso das bolsas, das malas, dos sacos para o pão e dos tapetes.
E se há quem pense que basta ter uma máquina e um tecido para costurar, desengane-se, pois, “a costura tem uma técnica”, até para os mais curiosos. “Quando vim para cá, deparei-me com uma coisa que não fazia diariamente, e entendi que tinha de fazer o mais perfeito possível. Foi aí que eu ganhei os clientes, na perfeição”, frisa.
E a perfeição está em pequenas coisas como “fazer uma costura direita” com uma “linha de cor igual”, ou em “fazer um pesponto direito”.






O atelier da Gigi tem muitas peças em exposição para venda ao público, algumas delas que a costureira preparou para feiras e eventos em que costuma participar. Também há fatinhos de criança, babetes e até se pode encontrar uma almofada.
A costureira conta-nos que “procura as necessidades do cliente”, ou aquilo que sabe que vai conseguir vender. “Por exemplo, se faço um chapéu não posso fazer um chapéu a pensar em mim”, explica. Acaba por seguir as tendências da moda, ou que ainda “não existe, para depois fazer o impacto”.
Gigi também já arranjou vários vestidos de cerimónia, e as clientes até dizem que ela “faz milagres”. Mas falta-lhe fazer vestido de noiva. Porém, orgulhosa, conta-nos que já fez uma capa com “pêlinhos brancos” para uma noiva que se casou na altura do Outono.
Quem sabe se uma das leitoras ou leitores do mediotejo.net não lhe lança esse desafio?
Atelier da Gigi
Horário: segunda a sexta das 9h30 às 12h30 e das 14h30 às 18h00
Contato: geraldinasantos11@gmail.com e 965 196 181

Quero muito aprender a costura ,poderia passar uma morada perto da mha morada, ficarei eternamente grata
Eu também adoraria aprender costura mais vivo na Madeira desejo tudo de bom muito sucesso