Um grupo de cidadãos manifestou-se no sábado contra o depósito de lamas da Celtejo, a instalar no Arneiro, Nisa, junto às Portas de Ródão, tendo a ação sido convocada por um grupo de cidadãos da zona nas redes sociais.
Já passava bem das 17:30, quando o porta-voz do movimento, Fernando Ribeiro, leu o apelo dirigido à população, com palavras de ordem pela defesa de uma ligação ancestral ao rio Tejo e às Portas de Ródão, em ação motivada “pelo turismo, pela pesca, pela cultura e a nossa identidade que é o rio Tejo, contra o descontrolo da poluição”.

Cerca de 40 pessoas com ligação à aldeia piscatória estavam presentes no Largo do Pelóme, em frente ao antigo posto dos correios, telefone, mercearia, taberna e também barbeiro. Junto da organização estava a proprietária do terreno, do lado oposto Vila Velha de Ródão, onde se pretende colocar a maior parte lamas tóxicas, alegando o governo interesse nacional.
Para os presentes, o que está em questão é o Monumento Natural das Portas de Ródão ou, como foi lido na ocasião: “o que temos de melhor: as Portas de Ródão”, em mobilização que não correspondeu às expectativas da organização, apesar de ser véspera domingo de Páscoa, situação que “seria de esperar”, segundo os organizadores, que lembraram ser a indústria papeleira o maior empregador da região.

COMUNICADO:
“À POPULAÇÃO de SANTANA
Chega, basta de prejudicar o Arneiro, lamas tóxicas neste lugar não.
Queremos continuar aqui neste lugar, ao longo dos anos muitos de nós foram prejudicados pela Celulose, perdemos o nosso sustento, temos mesmo de nos ausentar, não queremos ir todos trabalhar para a Celtejo. Cortam-nos as raízes, a nossa cultura, a nossa identidade que é o rio Tejo.
O nosso lugar é belo, lindo, tem imensos recursos naturais que queremos continuar a usufruir.
Chega de abandonar o interior.
Turismo e pesca no Arneiro sim, Poluição Não.
Sr Ministro do Ambiente não acabe com o que temos de melhor: as Portas de Ródão.
Tudo pelo nosso Arneiro e Conhal em sintonia com a Natureza.
O Rio era o nosso meio de sustento, mataram-no.
Fim ao descontrolo das empresas de celulose, crimes ambientais não podem ser punidos com repreensões escritas.
Pescadores unidos pelo Rio jamais serão vencidos”.
A iniciativa foi organizada pelo Movimento de Cidadãos de Santana e contou com o apoio da AZU (Associação Ambiental).
