“Apesar do sofrimento, estou convencida de que as únicas coisas
que valem a pena na vida são sonhar e lutar.”
– Maria Lamas
Nascida a 6 de outubro de 1893 em Torres Novas, Maria Lamas foi uma mulher muito à frente do seu tempo, e uma das mais marcantes no séc. XX em Portugal. Tornou-se jornalista em 1920, quando as redações eram um mundo apenas reservado aos homens, e dedicou toda a sua vida à defesa dos direitos humanos, da liberdade e da paz.
Trabalhou na Agência Americana de Notícias e nos jornais “O Século”, “A Capital”, “A Época”, “O Almonda” e “Diário de Lisboa”, entre outros, tendo ganho notoriedade na revista “Modas & Bordados” que, nas suas mãos, a partir de 1928, deixou de ser apenas uma revista para donas de casa.
Foi presa três vezes pela PIDE, entre 1949 e 1962, tendo depois procurado exílio político em Paris. Aí fez amizade com figuras do meio intelectual francês, entre elas a escritora Marguerite Yourcenar (sendo sua a tradução para português da obra-prima “Memórias de Adriano”).

Recebeu a Ordem da Liberdade, atribuída pelo Presidente Ramalho Eanes (1980), foi homenageada pela Assembleia da República (1982), recebeu a Medalha de Ouro do concelho de Torres Novas (1982) e a Medalha Eugénie Cotton, da Fédération Démocratique Internacionale dês Femmes (1983).
Morreu aos 90 anos, em Lisboa, vítima de um acidente vascular cerebral. Foi sepultada no cemitério de Benfica, mas várias personalidades têm defendido a sua transladação para o Panteão Nacional.
Em 2017, por ocasião dos 125 anos do seu nascimento, a Assembleia da República teve patente uma exposição concebida em parceria com o município de Torres Novas, em sua honra: “Maria Lamas: Mulheres, Paz, Liberdade”.
Em 2024, a Fundação Calouste Gulbenkian dedicou-lhe a exposição “As mulheres de Maria Lamas”, com grande parte do trabalho fotográfico que realizou nos anos 40, percorrendo o interior de norte a sul para conhecer (e dar a conhecer) a realidade das trabalhadoras em Portugal, para o livro “As Mulheres do meu País”.




“Vai uma desorientação tão grande pelo Mundo! Em parte por falta de conhecimento; em parte por uma propositada confusão e exploração dos próprios acontecimentos. Como é possível, depois de tantas guerras e angústias, criarem-se ainda condições para novas crueldades e selvajarias? Porque se ateiam ódios, quando é preciso que os homens se amem e estimem como irmãos? E quem procura ir ao fundo do problema? Quem quer sinceramente, humanamente, transformar o ambiente de agressão e ódio que se está a estimular no Mundo? Isto não é VIDA… É preciso encontrar o caminho!”
– Maria Lamas, numa carta à filha mais nova, em 1956 (espólio da Biblioteca Nacional)
