Francisca Dias (à dir.) na apresentação das bolachas maçanicas, na Feira Mostra de Mação. Foto: mediotejo.net

A Feira Mostra do concelho de Mação, o principal certame anual que envolve toda a comunidade, desde associações, empresas, IPSS e freguesias, cumpriu este ano a 29ª edição. Nesta montra do que melhor se faz, produz e existe por terras maçaenses, o primeiro dia foi marcado pelo lançamento das Bolachas Maçanicas, uma criação exclusiva assinada pela Chef maçaense Francisca Dias e produzida pelas mãos dos utentes do CRIA – pólo de Mação.

São “bolachas com sabor a Mação”, com o alecrim, tomilho e mel de urze a representar no palato e no seu (bom) aspecto o verde horizonte do concelho, os seus sabores e aromas tradicionais. A finalizar, há ainda uma leve cobertura a representar outro bolo típico, as Fofas de Mação.

Provamos a iguaria com uma limonada fresca com um toque de hortelã, feita a partir de limões… igualmente de Mação, claro está. Na plateia, os utentes, auxiliares e restantes responsáveis do CRIA mostravam-se entusiasmados e orgulhosos do feito desta que será uma receita exclusiva e produzida unicamente pela instituição – e no futuro as Maçanicas estarão disponíveis para venda no pólo do CRIA em Mação, podendo ser encomendadas em contacto com esta IPSS.

Francisca Dias, chef natural da aldeia do Pereiro, de Mação, e que venceu em 2021 o programa televisivo Hell’s Kitchen, na SIC, deixou claro “o orgulho” em participar nesta iniciativa em parceria com o CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes através do pólo existente na vila de Mação.

Classificando esta nova bolacha como “arrojada e diferente”, disse que o intuito passa por representar Mação neste doce tradicional, “para que quando alguém daqui levar a bolacha, essa pessoa sinta Mação”, explicou Francisca Dias, responsável pelo trabalho criativo, que considerou “o mais fácil” de todo o processo, onde pegou no seu conhecimento, em receitas que já tinha e desenvolveu uma bolacha que depois apresentou aos coordenadores do projeto com todo o trabalho de produção a ser feito no CRIA, com utentes e funcionários da instituição.

“A bolacha tem uma glace por cima, foi pensada nas Fofas de Mação, um bolo tradicional mais conhecido também por cavacas, e quis que estivesse presente na bolacha. Depois leva mel de urze, produto que existe muito na região, e leva tomilho e alecrim para simbolizar o verde horizonte, a nossa floresta, tudo o que nos rodeia”, começou por explicar sobre a receita deste novo doce.

Bolachas Maçanicas, a receita exclusiva que resulta de parceria entre o CRIA, a chef Francisca Dias, a CM Mação e a AmarMação. Foto: mediotejo.net

“Quando nós vivemos longe deste ambiente, ao chegar a Mação, sentimos o cheiro dos eucaliptos, do pinheiro, de todas as flores… e quem vive cá todos os dias não tem noção disso. Mas quem vem de fora e chega a Mação sente isto. A ideia era que, quando comêssemos esta bolacha, também sentíssemos esse cheiro de Verde Horizonte. E como diz o lema, são «Bolachas que sabem a Mação» como se Mação estivesse resumido numa bolacha”, acrescentou.

ÁUDIO | Os ingredientes-chave e a criação da receita das “Maçanicas” pela chef Francisca

“Quero continuar a ajudar, quero continuar a fazer parte deste tipo de projetos”, demonstrou, desde logo manifestando disponibilidade para apoiar estas iniciativas na sua terra natal.

A viver no Alentejo, Francisca Dias reside em Estremoz com a sua família, trabalhando no conhecido restaurante Casa do Gadanha. É com a esposa Tânia que vai promovendo novos projetos a título pessoal, onde o Cisca Massala evoluiu para o Cisca à Mesa, um projeto em que abre as portas de sua casa para que os inscritos em “jantares privados temáticos” possam “dar a volta ao mundo sem sair da mesa”, provando iguarias e receitas e sabores típicos de diversos países, num menu pensado e trabalhado pela chef e pela esposa. Até no Pereiro já fez a experiência na casa dos pais, e a iniciativa tem somado sucessos.

A jovem natural da aldeia do Pereiro venceu o programa Hell’s Kitchen no ano 2021, na SIC. Trocou a capital pelo Alentejo, sendo chef residente do restaurante Casa do Gadanha. Créditos: SIC/Impresa
Entrevista | Francisca Dias é atualmente chef no restaurante Casa do Gadanha, em Estremoz

Para já não existem outros projetos em carteira, sendo que vai percorrendo o país participando em eventos gastronómicos e promovendo workshops, mas Francisca não descarta novas parcerias e colaborações, nomeadamente no concelho de Mação, como é exemplo esta criação das Maçanicas.

No lançamento, o presidente de Câmara, Vasco Estrela, esteve presente na mesa de honra e disse estar “em vantagem” dado “o privilégio de ser presidente de Câmara”, uma vez que já havia provado as novas bolachas.

“Posso atestar que têm muita qualidade. Bolachas que sabem a Mação acho que é mesmo o termo exato, porque são feitas com muita coisa que há em nosso redor. É uma mais-valia. A Câmara colaborou com o design, com a patente, com alguns equipamentos que vão ser necessários, e cumprimos uma vez mais a nossa obrigação de apoiar uma entidade do nosso concelho que temos muito gosto em receber para desenvolver este projeto que tem muito também a ver connosco e com aquilo que temos sempre dito, a importância que é trabalharmos em conjunto, unirmos esforços para ultrapassar os problemas e para podermos engrandecer a nossa terra”, frisou o autarca, também deixando o compromisso e disponibilidade da autarquia em continuar a apoiar projetos levados a cabo a bem dos utentes e também do concelho.

O edil relembrou o dia 1 de julho de 2017, também durante a Feira Mostra de Mação, altura em que foi assinado protocolo com o CRIA, na altura presidido por Nelson de Carvalho, para a criação de um pólo em Mação desta IPSS que está sediada no concelho vizinho de Abrantes.

Foto: mediotejo.net

Falando nos projetos que realizou durante os últimos 11 anos enquanto presidente de Câmara, não tem dúvidas que a criação do pólo 2 do CRIA, instalado no antigo Quartel dos Bombeiros na vila de Mação, “se não é o que me deu mais gozo, provavelmente é dos que me deu mais gozo, mais prazer e mais me realizou”.

Recordou a aprovação deste projeto “emblemático” por unanimidade pelo executivo municipal 2013-2017, pela “possibilidade que dava para que os nossos conterrâneos deixassem de necessitar de ir para Abrantes diariamente e pudéssemos ter em Mação esta resposta social. Aliávamos a isto a requalificação do edifício emblemático do nosso concelho, que dizia muito a muita gente, a mim pessoalmente dizia-me muito por variadíssimos motivos pessoais, e portanto, acho que hoje, sete anos passados, é realmente uma aposta ganha”.

“Pela realização que se vê na cara dos utentes, das senhoras e dos senhores que ali trabalham, pela dinamização que trouxe à nossa vila, o prazer que é para mim e para esmagadora maioria dos maçanicos ver estes utentes no trial, a andarem nos carros, num jogo de futebol, enfim… aqui a conviverem connosco”, frisou, relembrando as primeiras conversas sobre a importância da interação que se devia estabelecer entre os utentes portadores de deficiência e a sociedade de Mação.

ÁUDIO | Vasco Estrela, presidente da CM Mação

“Acho que quem tem de agradecer é o concelho de Mação no seu todo por aquilo que vocês têm dado a esta terra e de alguma forma a estes utentes e a estas famílias. A ligação da Câmara de Mação ao CRIA tem dezenas de anos, levávamos os utentes para o CRIA (em Alferrarede) todos os dias, em viaturas da Câmara, com enorme esforço, ultrapassámos este processo e hoje estamos aqui de braços abertos”, acrescentou.

Por fim, Vasco Estrela deixou nota para o facto de ter sido aprovado em sede de executivo camarário, por unanimidade, a possibilidade de aquisição de uma habitação para uma nova resposta social de residências autónomas, projeto que estará em cima da mesa.

Foto: mediotejo.net

Em nome da AmarMação, também incluída nesta parceria, António Louro demonstrou disponibilidade em dar a mão a este tipo de iniciativa, e lembrou que a associação pretende ajudar as entidades ligadas ao setor primário e à produção e confeção de alimentos, revelando o grande gosto em contribuir para este novo produto e para que os utentes consigam sentir-se úteis, confecionar e participar neste novo projeto. “São estes projetos que nos fazem ter orgulho nas nossas instituições”, afirmou.

Por seu turno, e sendo responsável pela abertura desta sessão, Vítor Moura, presidente da direção do CRIA, apresentou esta nova iniciativa das bolachas Maçanicas e deixou agradecimento à Câmara Municipal de Mação e restantes parceiros neste projeto, dirigindo palavras de reconhecimento ao apoio dado pelo autarca Vasco Estrela desde o momento de implantação do pólo do CRIA na vila de Mação, sendo uma instituição com sede em Alferrarede (Abrantes).

ÁUDIO | Vítor Moura, presidente da direção do CRIA

Aludindo ao facto de o polo do CRIA em Mação fazer três anos em setembro, Vítor Moura aproveitou o momento para “enaltecer o importantíssimo papel e atenção especial que o presidente Vasco Estrela sempre tem manifestado pelo CRIA”, refletindo sobre o facto de ser este o último mandato enquanto líder da autarquia maçaense e não querendo deixar de sublinhar o apoio na implementação desta IPSS na vila.

Vítor Moura falou na relevância do investimento para instalar o pólo da instituição e no empenho do executivo para se dedicar à causa social das pessoas portadoras de deficiência. “Este é um reconhecimento que o Mação, o CRIA, todos nós temos que prestar ao presidente Vasco Estrela e ao seu executivo”, afirmou.

Foto: mediotejo.net

Já quanto à Bolacha Maçanica, disse que partiu dos diretores técnicos do CRIA a ideia de criar uma bolacha que fosse fabricada pela instituição e que simbolizasse “um sabor misto de CRIA e de Mação”, tendo surgido o nome de Francisca Dias, enquanto chef com raízes em Mação.

“Sem desvalorizar a autoria da receita pela Francisca, a verdade é que a parte mais importante é que a confeção é exclusiva dos utentes do CRIA. Só os nossos meninos é que produzem essa bolacha e no futuro assim será”, referiu, dando conta que a Câmara de Mação apoiou quanto ao registo da patente sobre a receita das Maçanicas.

Vítor Moura salientou ainda o facto de o CRIA ter o seu nome associado à vila de Mação e de já fazerem parte da comunidade local, estando os utentes integrados e em plena socialização, interagindo com os maçaenses e entidades locais em diversos eventos, em iniciativas que resultam na valorização da capacidade dos utentes.

Foto: mediotejo.net

A Feira Mostra de Mação é um dos momentos maiores de convívio e atrai milhares de pessoas de toda a região, contribuindo para agitar a economia local.

As expetativas são “altas” sobre a vigésima nona edição, com o presidente da Câmara Municipal a referir-se a um esforço para criar inovação e renovar a imagem da Feira, com uma nova entrada principal e com o stand do município muito diferente do que era habitual. Aliado a tempo convidativo e efetivamente de verão, “temos todos os condimentos para que as coisas corram bem”, afiançou.

ÁUDIO | Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação
Foto: mediotejo.net

No segundo dia a Feira Mostra abre pelas 18h00, juntamente com a Feira do Livro e o Espaço Radical e insufláveis. Sobem ao palco os Némanus pelas 23h00, depois da atuação do Grupo de Concertinas da Queixoperra no palco 2, pelas 22h00. Na Feira do Livro, pelas 21h00, está agendada a apresentação do livro de poesia “Se ao menos eu pudesse…”, de Catarina Silva.

Na sexta-feira, dia 5 de julho, decorre a visita oficial ao evento com presença do Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Hernâni Dias, que inclui a cerimónia de distinção das Empresas PME Líder e Excelência 2023. A par dos espetáculos musicais, restaurantes e bares, bem como os cerca de 80 stands de artesãos e empresários na sua maioria locais, também decorre a Feira do Livro na entrada do recinto e dezenas de atividades paralelas, culturais, desportivas e de lazer, sendo dinamizadas pelas associações do concelho para viver Mação ao máximo até domingo, dia 7 de julho.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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