Para alguém como eu que está ligado à Administração Pública há mais de 30 anos e outros tantos ao poder local, questiono-me muitas vezes como é possível tantas coisas ainda não estarem preparadas para que os mais vulneráveis e esquecidos do género humano possam ter o seu sofrimento mais atenuado.
Há exatamente 34 anos que estou em Constância, terra onde existe um monumento ao grande poeta português, Luís Vaz de Camões, a dar o meu melhor em favor dos cidadãos. Na altura éramos muito menos mas fazíamos o trabalho com mais fervor e entusiasmo sem estar à espera de contrapartidas. Aquilo que exigíamos era apenas uma palavra de reconhecimento.
De então para cá o Mundo anda tresloucado, à deriva, desnorteado, conduzido por aprendizes inconstantes, sem conhecimento geopolítico e, sobretudo, escrúpulos. Hoje tudo existe, guerras, ciclones, terramotos, secas, derrocadas, fome, epidemias diversas, genocídios, tsunamis…
É triste que cada um de nós não se aperceba que estamos a viver uma clivagem civilizacional com efeitos sociais e culturais preocupantes. Todos se interessam pelo aumento do conforto e da riqueza e deixamos para segundo plano a necessidade de melhorar a qualidade estrutural, funcional e mental de cada um de nós.
Estamos em crise cujas causas são económicas e financeiras. Mas não haverá outras? A corrupção, a manipulação propagam-se em grande escala. E nós, porque somos brandos na nossa existência? Porque não exigimos das nossas Instituições que não destruam os núcleos da cultura intelectual, de coragem moral, de virtude e audácia. O mal não é irreparável.
Temos de derrubar barreiras. Eu continuo a acreditar na verdadeira essência da ação humanitária que conheço e pela qual quero continuar a lutar pelos verdadeiros Valores Universais: Amor, dignidade, altruísmo, coragem, gratidão e humildade. É por tudo isto que ainda tenho vontade de defender a Humanidade.
É por acreditar nestes valores e sentir que a Humanidade precisa de nós, que hoje estou sentado junto ao rio, acalmando a minha ansiedade, sentindo o rio que vem para mim direto aos meus braços, deixando que as sementes que se alojaram no meu cérebro não caíam como gotas inocentes, ecoando em poços de silêncio.
Tudo depende de nós. O rio é figura de primeira grandeza que liga as emoções do homem e dá corpo às suas ideias. À beira das suas águas, as borboletas são maiores, as aves cantam doce. Rio bonito que corre para Lisboa, em caminho para se encontrar com o Sol, liberto da perseguição dos malfeitores. Meu rio de amor é o TEJO. Rio não dorme, rio não quer ir a nenhuma parte, ele quer é chegar a ser mais grosso, mais fundo.
