Esta semana foi rica em comemorações de dias de defesa dos direitos. Direitos das crianças e direitos das mulheres. No dia 20 assinalou-se mais um aniversário da Convenção sobre os Direitos das Crianças. Hoje assinalamos mais um dia de luta pela eliminação da violência contra as mulheres.
Falamos portanto de Direitos. Direitos que continuam a ter de ser lembrados, porque alguém persiste em fazer de conta que se esquece. Questiono o motivo de passados tantos anos, de alterações legislativas terem ocorrido, da própria sociedade se organizar pela defesa das mulheres e crianças, continuarmos a precisar de lembrar que estes direitos existem.
Onde estão os direitos quando uma criança é maltratada? Onde estão os direitos quando não lhe é dada atenção, mimo, colo, regras? Onde estão os direitos quando não têm a alimentação e cuidados adequados, apesar dos recursos dos pais? Onde estão os direitos das crianças, quando as ouvem, mas não as escutam? Onde estão os direitos, quando não têm acesso gratuito à escola? Quando estão privadas de cuidados de saúde? Onde estão os direitos quando os pais têm de trabalhar mais de 40 horas por semana? Onde estão os direitos quando as crianças têm de ser deixadas numa creche com 5 meses para que os pais voltem ao trabalho? Onde estão os direitos quando são obrigadas a conviver com aqueles que as maltratam? Onde estão os direitos quando uma mulher é desacreditada quando denuncia uma situação de violência? Quando tem de manter contactos com o agressor? Quando tem de deixar os seus filhos com ele, por decisão judicial? Quando obrigamos crianças e estarem com aqueles que durante anos maltrataram as suas mães à sua frente? Onde estão os direitos quando a Lei não é aplicada? Mas onde estão os direitos?
Continuamos a precisar que nos lembrem que eles existem e, alguns de nós, continuam a fazer de conta que não ouvem. Continuaremos aqui. Até que nos oiçam. Até que nos escutem. Não nos calamos!
