Nunca o nosso esforço coletivo foi tão determinante para ultrapassar uma crise como agora. Ao contrário de outros, recuso-me a dizer que isto é uma guerra, quer porque uma guerra tem consequências e características muitos piores que esta pandemia, mas sobretudo por respeito aqueles que verdadeiramente estiveram ou participaram nas verdadeiras guerras. À generalidade dos portugueses apenas se pede que fiquemos em casa. Se alguém está perante uma batalha são os profissionais de saúde, os agentes de segurança, os bombeiros, os funcionários dos lares ou aqueles comerciantes e trabalhadores que apesar dos riscos continuam a trabalhar para que os restantes possam ficar em casa.
Este será, sim, o maior desafio das nossas vidas ou, pelo menos, deste século. A maior ameaça ao modo de vida que nos habituámos a adotar. É porque essa ameaça é real que não devemos levantar o pé perante os “bons indicadores” que começam a surgir no horizonte. Vai ficar tudo bem, mas não está tudo bem nem estará nas próximas semanas.
O pior erro que nesta fase poderíamos cometer seria precisamente “levantar o pé”, relaxar nos comportamentos que viemos a adotar nos tempos mais recentes. Alguns sinais dados pelos líderes políticos do país são errados. Os portugueses não podem num dia aceitar tamanhas restrições e no dia a seguir ouvir dirigentes políticos a dizer que “já estamos a recuperar”, “se calhar já passámos o pico” ou que nos estamos a safar melhor do que Itália ou a França. Esse tipo de declarações associadas a constantes visitas a empresas ou outras entidades apenas e só para demonstrar que Ministros e Secretários de Estado cumprem a sua obrigação são, nesta fase, dispensáveis e erradas pois enviam sinais contrários à população. Não podemos levantar o pé se queremos ultrapassar esta crise.
Mais do que nunca, a rapidez com que atuarmos, quer no combate à pandemia quer nas medidas de resposta à crise económica, será determinante para reduzir o impacto dos danos que, inevitavelmente, sofreremos com esta crise.
