Manuel Cabral, presidente do Museu Nacional Ferroviário (MNF) começou as celebrações a apresentar o Plano de Sustentabilidade do Museu, na Sala do Comboio Real, no Entroncamento. “Este é o primeiro museu português a apresentar um plano com esta complexidade. Queremos assumir o compromisso de abraçar a sustentabilidade e fazer partes destes modelos pioneiros”, afirmou o responsável pelo MNF.
O conjunto de medidas elencadas na apresentação foram enquadradas e inspiradas no acordo de Paris, no Pacto Ecológico Europeu, no ICOM – International Council of Museums e no Ibermuseus, que tem como objetivo central e principal a neutralidade carbónica até 2050 e a redução da pegada ecológica.

“Tal como todos os planos, este tem um conjunto de medidas, prazos e orçamentos definidos”, adiantou o presidente do MNF, que deu a conhecer as principais medidas que vão ser adotadas, nomeadamente na redução dos níveis de energia, água e gases fluorados.
A nível energético, inicialmente vai ser realizada uma auditoria, que se prevê que esteja feita até ao final de 2023, para que o MNF conheça o seu perfil energético e aplique de melhor forma as medidas e tire o máximo proveito delas.
Está contemplado a substituição dos sistemas de iluminação, processo que já foi iniciado, contudo ainda falta cerca de 95% para a sua conclusão. Esse procedimento pretende-se que esteja totalmente concluído até ao final de 2025, com um investimento de 65 mil euros, poupando assim 3500 kWh/ano, num valor de 8.350 euros/ano.
A instalação de uma central fotovoltaica é outro dos objetivos. Esta medida não vai ter nenhum custo para o Museu, e no final ainda poderá ajudar pessoas com necessidades sociais. A poupança deste medida será de cerca de 673 mil euros.
A central poderá apoiar cerca de 172 famílias, com uma tarifa social comunitária de apenas 0,13 €/kWh, cerca de 30% inferior às atuais tarifas de mercado. A data prevista para a conclusão desta central é até ao final de 2026, poupando 287 000 kWh/ano, ainda estando o valor do investimento em estudo.
A redução da energia das frotas, ainda que pequena, é outro dos objetivos, que se pensa estar concluído até dezembro de 2024, com a otimização das rotas e a substituição de viaturas ligeiras por outras elétricas.

A poupança da água é outra das premissas centrais deste plano sustentável. O museu quer instalar dispositivos de água mais eficientes, nomeadamente instalação de redutores de caudal para torneiras de lavatório e a instalação de mecanismo de dupla descarga em autoclismo, que se prevê estar concluído até dezembro de 2024.
Ainda na água, a aplicação de tecnologia Dryjet + SAP, com a injeção de poliacrilatos de potássio nos solos ajardinados, de forma a poupar cerca de 40 a 50% de água na rega, disponibilizando apenas a quantidade de água que as plantas necessitam. Este investimento tem o custo de 2.500 euros, com a conclusão prevista para dezembro de 2024.
Em relação à redução de gases fluorados, vai haver uma substituição de gás fluorado que possuam um elevado potencial de aquecimento, por gás mais alternativo. Em 2022, fruto de uma manutenção do sistema AVAC do MNF, foi carregado fluido R410A para reparação de uma fuga num dos sistemas de ar-condicionado, sendo que este fluído é sustentável, não tendo qualquer impacto para a camada de ozono.
Reduzir o plástico de utilização única e quantidade de impressões, implementar sistemas de separação de lixos, fomentar o comércio local e sustentável, produzir exposições temporárias mais sustentáveis, utilizando no mínimo 40% de materiais de exposições anteriores, são algumas das medidas do Plano, que vão começar a ser implementadas de imediato.
O Museu Nacional Ferroviário comprometeu-se também a promover o uso de transportes mais ecológicos e sustentáveis dos visitantes, através do protocolo de parceria com a CP, para a compra de bilhete integrado Museu + Viagem, de forma a que as pessoas procurem mais o transporte ferroviário.
A Câmara do Entroncamento encontra-se a desenvolver e vai implementar um sistema partilhado de bicicletas elétricas e convencionais na rede municipal, que vai abranger também a área do Museu.
Para além da apresentação do plano, foi também assinado um protocolo com o Centro de Ensino e Recuperação do Entroncamento (CERE) e inaugurada uma exposição realizadas pelos alunos da instituição, intitulada de “Um Olhar Diferente”. A assinatura deste protocolo foi apenas a formalização de uma parceria que já existia e que ambas as entidades querem fortalecer no futuro.
David Ramos, presidente da direção do CERE, deixou ainda um pedido ao presidente do Museu, no sentido de os sócios da associação poderem ter direito a um desconto na entrada do museu. A parceria fortaleceu-se ainda mais com este protocolo e Manuel Cabral deixou o apelo à instituição de no próximo ano ser feita a segunda edição da exposição “Um Olhar Diferente”.
A vice-presidente do município do Entroncamento, Ilda Joaquim, disse que “o passado tem de ser trabalhado com o carinho do presente, para que as pessoas possam ter acesso ao que foi o antigamente” e “desenvolver esta teia social é o único caminho de futuro para uma sociedade bem estruturada, que nos permita ultrapassar os desafios que nos são colocados”.
Por fim ainda se cantou os parabéns ao Museu, com a presença dos alunos do CERE, dos seus técnicos e também dos trabalhadores do Museu Nacional Ferroviário.












