Museu Municipal de Torres Novas ganha quatro distinções nos Prémios APOM. Foto: CMTN

O Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, foi hoje distinguido com o Prémio Museu do Ano 2025, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM), anunciou a organização. A cerimónia – que acontece no ano do 60.º aniversário da APOM – decorreu no Cineteatro Louletano, em Loulé, no Algarve. O principal prémio do palmarés com 26 categorias tinha também como finalista o Museu Municipal Carlos Reis, em Torres Novas, dedicado à história da região, que foi contemplado com uma menção honrosa.

O município de Torres Novas esteve representado pela vereadora da Cultura, Elvira Sequeira, que afirmou ao mediotejo.net estar “honrada” com este reconhecimento nacional, tendo feito notar que estes prémios “vêm estimular e, ao mesmo tempo, valorizar o trabalho que estamos a fazer em termos museológicos em Torres Novas”.

Tendo lembrado o trabalho desenvolvido nos últimos 12 anos, em que assumiu a pasta da Cultura, Elvira Sequeira destacou o projecto em torno do Museu Municipal Carlos Reis e a “construção de outros núcleos museológicos que “vieram enriquecer” o próprio MMCR, criando uma rede de museus em Torres Novas.

Museu Municipal de Torres Novas ganha quatro distinções nos Prémios APOM. Foto: CMTN

“Temos o Museu Municipal Carlos Reis, mas nestes últimos dois anos inaugurámos ainda outros três núcleos e isto acaba por nos trazer responsabilidades acrescidas e ao mesmo tempo ser um estímulo para o trabalho que estamos a fazer nesta área”, destacou a vereadora com o pelouro da Cultura.

O Museu Municipal Carlos Reis acabou por disputar taco a taco com o Museu de Serralves o Prémio do Museu do Ano, um anuncio que apanhou a comitiva torrejana de surpresa.

Museu Municipal Carlos Reis, em Torres Novas. Foto: Arlindo Homem

“Isto é ainda mais honroso para nós. Na categoria do Melhor Museu Português, por aquilo que ouvimos na cerimónia, teve várias candidaturas e os nomeados, quando percebemos que estávamos nomeados, porque disseram o Museu Municipal Carlos Reis e Serralves, nós pulámos de alegria, porque independentemente do resultado, estávamos entre os nomeados”, declarou.

“E eu dizia: bem, contra Serralves não vamos ganhar, mas só o facto de termos esta menção honrosa é um estímulo muito grande para o trabalho que estamos a fazer”, referiu Elvira Sequeira.

Elvira Sequeira – Vereadora da Cultura da Câmara de Torres Novas. Foto arquivo: mediotejo.net

ÁUDIO | ELVIRA SEQUEIRA, VEREADORA CULTURA CM TORRES NOVAS:

No conjunto dos quatro prémios para o trabalho desenvolvido em Torres Novas, foi valorizado o facto de, nos dois últimos anos, o museu torrejano ter sido profundamente renovado, com a abertura de três novos espaços: pólo de arqueologia industrial, assente na requalificação da antiga central hidroelétrica de Torres Novas; o CHUDE | Centro Humberto Delgado – casa onde nasceu Humberto Delgado, requalificada para dar lugar ao centro de estudos sobre o republicanismo e oposição à ditadura portuguesa; e o pólo de arqueologia – Cerca da Vila, integralmente dedicado à arqueologia do concelho.

CHUDE-Centro Humberto Delgado, em Torres Novas. Créditos: CHUDE

“Passos decisivos para a concretização do programa museológico definido nos anos 90”, indicou o município, em nota informativa, tendo salientado que o MMCR “tem contribuído, com relevância, para o avanço do conhecimento científico acerca do território, da sua história e da sua cultura, procurando ligar toda a comunidade em torno da sua memória coletiva”.

O projeto CHUDE i resist? CHUDE i protest? CHUDE i participate? venceu na categoria «Projeto de Educação e Mediação Cultural».

Este projeto “trabalha para e com públicos diversos, decorrente da renovação do conceito museológico da casa memorial Humberto Delgado para CHUDE-Centro Humberto Delgado”, situado na aldeia do Boquilobo, “que, acaba, assim, por se tornar também o epicentro de conversas e debates, do dissenso e da multivocalidade”.

Neste projecto, segundo município, “desdobra-se a imaginação museal, enfatizando a experiência na primeira pessoa e acolhendo a participação colectiva, seja nas rodas de conversa, com a valorização de memórias silenciadas ou marginalizadas, e de populações mais idosas (populares anónimos, ex-combatentes, ex-presos políticos, etc.,) ou na participação reivindicativa, curiosa e provocatória de crianças e jovens”.

O MMCR recebeu também uma menção honrosa na categoria «Salvaguarda, Conservação e Restauro em Património Cultural» com o tratamento de conservação e de restauro de vinte e sete obras que compõem o núcleo expositivo dedicado a Carlos Reis.

Trata-se de um conjunto de 27 obras particularmente estimado pelos torrejanos e visitantes, que reconhecem o seu valor artístico e patrimonial, sendo a coleção que catapulta o museu para a esfera nacional (e internacional), especialmente relevante por razões de ordem histórica, cultural, estética e social.

Museu Municipal Carlos Reis. Foto: CMTN

A candidatura, cujo “investimento total foi de 60 mil €, integralmente suportada pelo município de Torres Novas na parte não comparticipada”, permitiu contar com a presença dos conservadores restauradores José Mendes e Miguel Carrinho durante um ano, trabalhando in situ, à vista de quem visitou o espaço, e sentir a emoção de ver cada pintura regressar ao estado muito próximo daquele que teria há cerca de 100 anos, quando foi criada por mestre Carlos Reis”.

Foi ainda atribuída uma menção honrosa ao núcleo de arqueologia Cerca da Vila, na categoria «Museografia». Este núcleo, inaugurado a 8 de julho de 2024, conta com duas áreas expositivas, centro de documentação, oficina visitável e auditório exterior.

A exposição de longa duração ‘Um rio, um território, uma história humana’ “adota uma atmosfera serena e equilibrada, favorável à análise dos objetos e à reflexão do seu contexto. A exposição temporária Arqueologia do Almonda: uma janela sobre meio milhão de anos de história é pioneira na apresentação da investigação nas grutas torrejanas, acolhendo o crânio mais antigo de Portugal, com cerca de 400 mil anos, descoberto nas grutas do Almonda.

Torres Novas expõe pela primeira vez crânio mais antigo descoberto em Portugal no núcleo Cerca da Vila. Foto: mediotejo.net

Instada a dedicar este conjunto de quatro distinções, a vereadora da Cultura, naturalmente satisfeita e “orgulhosa”, dedicou os prémios “aos técnicos do município de Torres Novas, aos técnicos da cultura e principalmente aos dos museus, claro, daqueles que estamos a falar”.

“Porque nestes últimos tempos temos andado a construir, num trabalho que também temos que fazer, temos feito e temos vindo a fazer com a comunidade, porque um dos prémios que ganhamos, mesmo aquele que foi o prémio, tem a ver com a mediação cultural. E nessa mediação cultural que fazemos com os serviços educativos, vamos também construindo aqueles que serão depois os nossos defensores, os defensores do nosso património com a nossa comunidade, que tem que sentir que estes espaços são seus, que estes espaços pertencem a Torres Novas e aos torrejanos”, declarou Elvira Sequeira.

A APOM, fundada em 1965, recebeu este ano 125 projetos candidatos aos prémios, provenientes de todo o país.

O Prémio Museu do Ano é um dos principais atribuídos pela associação, distinguindo, entre outras áreas, a melhor intervenção e restauro, melhor exposição, parceria, projeto internacional, coleção visitável, colecionador, mecenas e investigação.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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