Obras no Edifício Carneiro, onde irá nascer o Museu Charters de Almeida. Foto: mediotejo.net

O Museu de Arte Contemporânea (MAC) Charters de Almeida deverá abrir as suas portas ao público em abril, após a conclusão da empreitada de restauro, requalificação e ampliação do Edifício Carneiro, no centro histórico da cidade. O novo museu, resultante de um investimento de 2 milhões de euros com financiamento aprovado do Portugal2020 na ordem do 1,9 milhões de euros, irá ser guardião do acervo artístico do escultor octogenário Charters de Almeida.

A autarquia havia aprovado, na reunião de Câmara do dia 13 de dezembro de 2022, a concessão de uma prorrogação graciosa do prazo para conclusão da empreitada de “Restauro, Reabilitação, Remodelação e Ampliação do Edifício Carneiro em Abrantes, para instalação do Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida” por mais 114 dias à adjudicatária, “Tecnorém – Engenharia e Construções, S.A., fixando assim a conclusão da empreitada no dia 24 de março de 2023.

“Atendendo à especificidade dos trabalhos internos, sobretudo os de carpintaria, e pela dificuldade de conseguir mão-de-obra especializada neste domínio, percebemos e entendemos as preocupações do empreiteiro”, justificou Manuel Jorge Valamatos, presidente de Câmara de Abrantes, ao nosso jornal.

Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida vai nascer da requalificação do antigo Edifício Carneiro, que agora terá a fachada pintada de azul, cor que os técnicos creem ser a tonalidade original. Foto: arquivo/mediotejo.net

“Entendemos que deveríamos dar mais um tempo para que esta obra possa estar concluída em finais de março, e depois podermos nessa altura fazer a inauguração deste espaço cultural de grande relevância, que vai fechar este ciclo de grande investimento na área da cultura”, concluiu.

O futuro Museu de Arte Contemporânea (MAC) Charters de Almeida, no antigo Edifício Carneiro, vai ser composto por 17 salas, na sua maioria expositivas, numa obra de cerca de 2 milhões de euros com financiamento aprovado do Portugal2020 na ordem do 1,9 milhões de euros. O projeto foi feito pela VMSA Arquitetos, LDA.

Esta empreitada coincide com a reabilitação, restauro e ampliação do Edifício Carneiro, tendo iniciado em abril de 2019. O objetivo é instalar o Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida, após protocolo de colaboração com o Município de Abrantes e o escultor João Charters de Almeida.

O escultor Charters de Almeida. Fotografia: DR

O escultor doou o seu espólio à cidade – onde tem várias peças em espaço público –, sendo que o acervo ficará instalado neste espaço, incluindo peças marcantes do percurso do autor, que vão desde o ferro, ao aço, ao bronze, à pedra e ao betão.

O acervo constitui-se de desenhos originais, posters, cartas e documentos de interesse relacionados com a conceção, construção e implementação e inauguração dos trabalhos. Contém ainda dados biográficos, fotobiografias, compilação de críticas e trabalhos escritos de reflexão da obra.

O intuito é que este espaço integre a constelação museológica do concelho, sendo impulsionador de desenvolvimento cultural e criador de novas centralidades e dinâmicas, também inserido numa ótica de turismo.

“É uma obra com particularidade imensa, que exige um trabalho minucioso”, referiu Manuel Jorge Valamatos durante a visita efetuada no final de agosto de 2022 às obras públicas de Abrantes, indicando que este novo museu também irá desafiar a comunidade a usufruir e utilizar o mesmo, desde logo com a criação de um anfiteatro com cerca de 53 lugares sentados.

Foto: mediotejo.net

“Vamos ter um laboratório de restauro e investigação, que abrirá porta aos estudos e ciência, e à ligação que se pretende ter com o ensino superior e as Belas Artes. Precisamos de dinâmica bastante para estes projetos, não basta reabilitar e ter um museu. É preciso ter museus vivos e dinâmicos”, considerou o edil abrantino.

Em termos do período de conclusão, a complexidade da obra levou a reforço da estrutura do edifício, nomeadamente dos pisos superiores. O edifício foi adaptado às condições anti-sísmicas, mas a crise quanto às matérias-primas tem levado a reajustes.

Há ainda uma nova linguagem a surgir, desde logo com a ligação ao jardim do Castelo pelas traseiras do MAC. “Há a nascer uma nova vida, depositamos novas expectativas de vivencialidade do próprio jardim. Um espaço novo e reabilitado para os abrantinos e para quem nos visita”, frisou.

A exposição irá inclusive entrar no jardim do Castelo, incluindo o espólio exterior de Charters de Almeida. Dali há também enquadramento com vista para a estátua no Aquapolis Norte, a “Cidade Imaginária”, da autoria do escultor.

“A Cidade Imaginária”, obra de Charters de Almeida, em Abrantes. Fotografia: Paulo Jorge de Sousa

O Edifício Carneiro será um “guardião da atividade artística” do escultor Charters de Almeida, colocando a público o acervo de obras representativas das várias fases do percurso de mais de meio século da atividade artística do escultor, doadas por sua vontade à Câmara Municipal de Abrantes, que ficarão expostas no interior e no exterior do edifício, uma vez que toda a zona exterior envolvente do logradouro vai ser tratada com a finalidade de ser a porta de entrada para a criação de um percurso de exposição ao ar livre até à entrada do Jardim do Castelo, confluindo com a intervenção prevista para o espaço do Castelo e área em redor.

O escultor Charters de Almeida, 87 anos, doou ao Município de Abrantes uma parte significativa da sua coleção e das quais se destacam as obras em grande escala, conhecidas por “Cidades Imaginárias”, que chegam a atingir os 40 metros de altura.

Foto: mediotejo.net

O MAC irá incluir peças da primeira fase do seu trabalho (até 1973), que se convencionou chamar “dos bronzes” pela predominância dessa matéria; um conjunto de trabalhos denominados “Relógios de sol”, trabalhados em blocos de mármore polido, com várias componentes de metal; e ainda um conjunto de trabalhos (entre quadros com imagens e pinturas) com desenhos e projetos das “Cidades Imaginárias”, que correspondem a intervenções no espaço público utilizando materiais como o aço, o mármore, o granito e o betão armado.

Além dos espaços expositivos interiores, para acolhimento de exposições de caráter permanente e temporário, o edifício será dotado de um auditório polivalente.

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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