É antiga a metáfora entre muros e pontes mas ela tem vindo a recuperar a sua atualidade por causa das voltas e dos caminhos que têm sido seguidos por este novo mundo no decorrer dos últimos anos. Muros e pontes. Fechar e abrir. Negativo e positivo. Regresso e progresso.
Sou positivo por natureza, pelo que dentro da mesma lógica, acredito em pontes, em aberturas e no progresso. Mas também acredito na realidade e por mais positivo que seja, não acredito que palavras bonitas possam maquilhar realidades feias.
Poder até podem, mas não as alteram na sua essência, apenas alteram a forma como olhamos para elas ou como querem que olhemos para elas.
E depois há ainda o conflito entre a palavra e a ação, pelo que quando a palavra bonita não é coerente com a ação e ainda por cima ajuda a esconder ou a camuflar a realidade que nos agride, isso não passa de demagogia que apenas serve os interesses de uns e que por isso fica longe de defender os interesses que deviam ser de todos.
Deixem-me agora baralhar os conceitos do 2º parágrafo. Ser-se positivo fechando-se numa realidade idealizada é estar a criar as condições básicas para a construção de muros que nos impedirão de olhar para o progresso… e que não deixará que essa realidade idealizada algum dia chegue a ser a realidade que todos devíamos chegar a viver.
A vida dar-nos-á de volta aquilo que lhe dermos a ela, mas certamente não se alinhará para resolver os problemas que teimamos ignorar. Justificar o que não devemos aceitar com a ordem natural ou a inevitabilidade das coisas, é ser cúmplice do problema e afasta-nos da solução.
A crítica vazia e sem fundamento, constrói um “muro” que se fecha numa negatividade sem regresso. A crítica que argumenta e identifica o problema transforma-se na ponte que abre a mente de forma positiva em direção ao progresso.
Mas tudo isto só funciona se houver reflexão, diálogo e posterior ação. Caso contrário é só treta… e como bem sabemos… com “muros ou pontes”, palavras leva-as o vento!
