Padre Manuel Antunes. Foto: DR

O município da Sertã vai dedicar o dia de quinta-feira, 3 de novembro, ao Padre Manuel Antunes, considerado “um dos mais brilhantes pensadores nacionais e uma figura de relevo da cultura portuguesa”, nascido na vila da Sertã em 1918 e patrono da biblioteca municipal.

Professor universitário, ensaísta, crítico literário e filósofo, Manuel Antunes é uma figura marcante na história recente da Sertã que justificou a atribuição do seu nome à biblioteca municipal.

O dia 3 vai ser preenchido com uma série de atividades, designadamente a estreia nacional do documentário que retrata a vida e obra desta figura ímpar da academia e da cultura portuguesa.

Do programa fazem ainda parte a apresentação de vários livros, uma sessão de debate com alunos e a inauguração de uma exposição.

“Este será um dia de homenagem a um dos nossos maiores vultos. Não queremos apenas celebrá-lo, mas sobretudo refletir acerca do legado que nos deixou, ainda para mais numa época tão incerta e cheia de desafios como aquela em que vivemos”, afirmou o presidente da Câmara.

Carlos Miranda releva a importância deste dia e considera que o “Município tem o dever de continuar a inesgotável tarefa de divulgar a obra do Padre Manuel Antunes, fazendo chegá-la às novas gerações e ainda a todos aqueles que não contactaram com os seus escritos”.

A escolha do dia 3 de novembro para esta homenagem foi simbólica, pois esta é a data de nascimento do Padre Manuel Antunes. O programa deste dia inicia-se, pelas 10h00, com a inauguração da exposição «Pe. Manuel Antunes: o regresso às raízes», que estará patente ao público na Biblioteca Municipal da Sertã.

Depois, a partir das 11h00, a Escola Secundária da Sertã recebe a sessão de debate «O Homem-Espuma aos olhos dos jovens da Sertã», que será coordenada pelo professor e investigador José Eduardo Franco.

Da parte da tarde (14h30), avança o percurso literário «Lugares do Pe. Manuel Antunes na Sertã», que percorrerá alguns dos locais da vila associados à memória desta insigne figura.

O palco das atividades transfere-se seguidamente para a Biblioteca Municipal da Sertã, onde, depois das 17h00, terá lugar a apresentação dos livros «A Rússia em Questão» e «Os Leitores Perguntam, o Pe. Manuel Antunes Responde», além da Revista Letras Com Vida, que conta com um dossiê temático dedicado ao Padre Manuel Antunes.

Ainda na Biblioteca Municipal, mas pelas 17h30, decorrerá a apresentação das atas do «Congresso Internacional Repensar Portugal, a Europa e a Globalização: 100 Anos do Padre Manuel Antunes» agora publicadas e que reúnem todas as intervenções dos convidados deste encontro, que aconteceu em novembro de 2018.

Para as 18h30 está agendado um lanche literário no Salão Nobre do Clube da Sertã e, uma hora depois, o Cineteatro Tasso recebe uma breve conversa sobre o Padre Manuel Antunes, com Miguel Real.

O ponto alto deste dia de homenagem sucede às 19h45, neste último local, com a estreia nacional de um documentário sobre a vida e obra do Padre Manuel Antunes. O filme de 60 minutos conta com depoimentos de personalidades de relevo da sociedade portuguesa como Ramalho Eanes, Francisco Pinto Balsemão, Eunice Muñoz, Lídia Jorge, Luís Miguel Cintra ou Teresa Calçada, e incluirá ainda imagens e entrevistas inéditas do Padre Manuel Antunes.

Foto: DR

Biografia do Padre Manuel Antunes

Professor universitário, ensaísta, crítico literário e filósofo, Manuel Antunes tornou-se num dos mais brilhantes pensadores nacionais e numa figura de relevo da cultura portuguesa.

Filho de José Agostinho Antunes e de Maria de Jesus, nasceu na Sertã a 3 de novembro de 1918.

Aos 13 anos ingressou no Seminário Menor da Companhia de Jesus, em Guimarães, seguindo, em 1936, para o noviciado na Companhia de Jesus, em Alpendorada (Marco de Canaveses). Ali fez a sua primeira profissão religiosa, tendo depois completado os estudos humanísticos e frequentado o Instituto Superior Beato Miguel de Carvalho (hoje Faculdade de Filosofia de Braga).

Entretanto, matriculou-se na Faculdade de Teologia de Granada (Espanha), onde se formou em Teologia, tendo completado a sua formação religiosa em Namur (Bélgica).

No dia 15 de julho de 1949 recebeu a ordenação sacerdotal pelo bispo de Guadix, D. Rafael Alvarez de Lara.

Lecionou no Curso Superior de Letras da Companhia de Jesus e, em 1955, rumou a Lisboa para integrar a redação da revista Brotéria, onde já colaborava e que viria a dirigir anos mais tarde (1965-1982).

Em outubro de 1957 o escritor Vitorino Nemésio, na altura diretor da Faculdade de Letras de Lisboa, convidou-o para lecionar as cadeiras de História da Cultura Clássica e História da Civilização Romana naquela instituição. As suas aulas foram seguidas por milhares de estudantes, alguns dos quais nem sequer estavam matriculados nas cadeiras que ele ministrava.

A sua produção literária era invejável. Além de dirigir a revista Brotéria (onde utilizou 126 pseudónimos, a maioria dos quais com apelidos inspirados em lugares do concelho da Sertã), colaborou com outras publicações. Na obra publicada, encontramos uma vasta lista de títulos, de onde se destacam: «Do Espírito e do Tempo» (1960) e «Repensar Portugal» (1979).

Na fase de transição que se seguiu ao 25 de abril de 1974, foi convidado a integrar o Governo com a pasta da Educação, mas recusou.

Em 1981 recebeu o título de Doutor ‘Honoris Causa’ da Faculdade de Letras de Lisboa e, dois anos depois, nas comemorações do 10 de Junho, o Presidente da República Ramalho Eanes conferiu-lhe o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

Faleceu a 18 de janeiro de 1985 no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. No seu funeral, marcaram presença algumas das principais individualidades políticas da época, como Mário Soares, Carlos Mota Pinto e Francisco de Sousa Tavares. A Assembleia da República, em sinal de homenagem, guardou um minuto de silêncio em sua memória.

Na Sertã, além de um monumento erigido em sua memória na zona da Carvalha e de a Biblioteca local ter o seu nome, existe ainda uma rua que lhe é dedicada.

Em 2018, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou-o, a título póstumo, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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