Marina Honório, vice-presidente do município de Vila Nova da Barquinha, alerta para um "tempo de ação" no combate às alterações climáticas. Foto: PB

“De facto, só com uma intervenção de todos, desde a mais pequena ação a nível dos nossos comportamentos, até ações mais macro de diretrizes da União Europeia (EU) e de medidas governamentais, é que podemos, de facto, combater este agravamento e permitirmos que exista aqui de novo um equilíbrio, porque para tornarmos o território mais resiliente vamos ter de nos adaptar a estes fenómenos extremos meteorológicos estão a acontecer cada vez mais”, disse ao mediotejo.net Marina Honório, vice-presidente do município barquinhense.

“Temos de estar preparados, temos de facto olhar de forma a sermos proativos para nos defendermos a nós e os próximos, e ao mesmo tempo acabarmos por ter aqui um comportamento que não agrave ainda mais este avanço das alterações climáticas, porque dos últimos estudos está-se a verificar que estão a ter um impacto muito maia rápido do que aquilo que se esperava”, declarou.

Segundo a autarca “neste plano colocámos desde ações de divulgação, a questão da promoção de um consumo alimentar responsável, a desmaterialização de processos, a eficiência hídrica e os espaços verdes, a questão da perda de água e do uso eficiente de água, que tanto diz ao nosso concelho e à nossa região, por causa também dos ecossistemas nos nossos rios e das barragens existentes”.

Para Marina Honório, o “principal desafio” e “ainda esta semana o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacava isso mesmo, é nós percebermos que já não somos aqui os dinossauros. Achei mesmo de muita importância esta frase dele. nós somos o meteoro. Portanto, nós estamos a destruir a sustentabilidade do nosso planeta, por múltiplos fatores que todos nós conhecemos”, alertou.

Município da Barquinha alerta para “tempo de ação” e avança com 20 medidas de combate às alterações climáticas. Foto: CM VNB

ÁUDIO | MARINA HONÓRIO, VICE-PRESIDENTE CM VN BARQUINHA:

O Plano apresentado no dia 5 de junho, Dia Mundial do Ambiente, pela Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, que se irá interligar ao Plano da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, visa criar “condições para um concelho mais resiliente às alterações climáticas”, sendo a implementação das 20 medidas monitorizadas por um Conselho Local de Acompanhamento.

“Este plano, de facto, foi iniciado aqui na sequência da publicação da Lei de Bases do Clima, que transporta para o nível local também a responsabilidade de termos um Plano Municipal de Ação Climática. Foi elaborado com o consultor In-hídrica, que alinha este plano ao plano intermunicipal de adaptação às alterações climáticas do Médio Tejo, de uma forma que este plano tenha efetivamente uma aplicabilidade não só a nível local mas também a nível regional”, indicou a autarca.

O plano, aprovado em dezembro em Assembleia Municipal, “encontra-se já publicado na página do município para permitir a consulta e a participação de todos, uma vez que este plano foi feito através de uma equipa multidisciplinar interna da Câmara Municipal, mas existe aqui um papel agora muito mais importante, que é a articulação da execução deste plano com a comunidade”, frisou Marina Honório.

“De facto, nós somos confrontados no dia a dia com os efeitos das alterações climáticas, um pouco por todo o mundo, mas também ao nível de Portugal. Deparámo-nos no ano passado com a seca extrema e são fenómenos cada vez mais extremos que afetam o nosso dia a dia, os nossos bens, a nossa saúde e também o futuro das comunidades. Tem impactos a nível financeiro, na economia e tem impactos nas nossas vivências”, salientou, tendo destacado algumas das metas e objetivos.

“De facto, elencámos neste plano, num horizonte de vários cenários com implicação até 2100, mas elencámos também medidas que já tomámos, porque este plano tem abrangência desde 2005, daí termos uma taxa de execução já de 32%, sendo que temos de ter uma execução de, pelos menos, 55%, mas claro que queremos ir além disso no horizonte que foi proposto. Dizer que este plano vai ser muito importante na articulação com a comunidade, porque só através da sensibilização e do envolvimento de todos é que é possível executar grande parte do plano”.

“Nós temos 20 medidas que são estas primeiras, a que nos propusemos a executar, que vão desde a sensibilização ambiental nas escolas, que passa pela preservação da natureza, pelos resíduos, pela sustentabilidade, por medidas de mitigação e de eficiência energética, e depois temos as outras medidas que também são aplicadas de forma transversal pelo município, nomeadamente na questão das florestas, na questão da reflorestação, na questão da manutenção de todos estes ecossistemas de forma segura e sustentável, permitindo que haja aqui um encontro destas medidas com a lei de Bases do Clima”, salientou.

“Portanto, não é só mitigar as emissões dos gases com efeito de estufa, mas também é adaptarmos e aumentarmos a resiliência do território e tentarmos proteger as populações mais vulneráveis”, frisou, tendo destacado a importância da eficiência energética e também a questão dos resíduos urbanos.

“A melhoria da eficiência energética nos edifícios públicos e na habitação é uma questão que nos preocupa muito, a questão da recolha dos resíduos urbanos, da recolha seletiva, porque já temos um projeto piloto já há muitos anos, a nível também da CIM Médio Tejo, e aqui em parceria com a RSTJ e também com a Tejo Ambiente, mas é importante que passemos das palavras aos atos e é importante que, de facto, na questão dos resíduos urbanos, exista uma preocupação de todos porque cada vez mais nos deparamos com a colocação de resíduos fora dos respetivos contentores de separação seletiva, deparamo-nos com resíduos nas florestas, deparamo-nos com resíduos perigosos colocados junto aos contentores”, afirmou.

“De facto, queremos apostar bastante nesta sensibilização porque temos mecanismos atualmente, através do município e destes parceiros, que permitem o encaminhamento correto destes resíduos e também na questão das roupas que também já celebrámos um protocolo com o projeto Esperança, através da Cáritas, para o reforço dos contentores de roupa usada para haver aqui uma capacidade de reutilização e de transformação desses produtos”, notou, tendo indicado uma recolha, em 2023, de 12 toneladas de roupa.

“Portanto, queremos de facto ainda conseguir alcançar aqui objetivos maiores e que de facto permitam que o concelho da Barquinha, toda a sua comunidade e habitantes, contribuam para este plano das alterações climáticas”, invetivou.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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