A minha formação académica, com forte teor estatístico, permite que tenha sempre muitas reservas sobre alguns indicadores que surgem na opinião pública, nomeadamente os denominados “rankings”. Quando queremos classificar um resultado penso que não devemos olhar apenas para uma variável. Essa análise de manter todas as outras variáveis constantes é denominada de “ceteris paribus” (termo em latim) e é uma análise sempre muito insuficiente.
Esta introdução que faço surge a propósito das sempre muito badaladas noticias dos “rankings” escolares. Recordo-me bem de há 10 anos ter escrito um artigo intitulado “A estupidez de um ranking”. Era eu dirigente nacional da Juventude Socialista e insurgi-me contra a sua publicação. Hoje, porém, reconheço que estes tipo de análises podem permitir bons dados mas nunca deverão ser encarados como o único fator de resultados. A escola é muito mais que notas e competição. Formar cidadãos é muito mais importante. A verdade é que não devemos comparar escolas que não são comparáveis. Comparar realidades sem ter em conta o seu enquadramento social leva a análises discriminatórias e que não favorecem os princípios da igualdade de oportunidades.
Um “ranking” perfeito das escolas teria de ter como ponderadores o nível de formação dos seus pais, o rendimento per capita da zona de influência, o número de alunos provenientes de famílias com Rendimento Social de Inserção ou mesmo as minorias existentes.
Em muitas escolas do país e da região, o trabalho dos professores e alunos é muito meritório mas a envolvente social é incomparável. A escola pública é ainda a única forma de romper ciclos viciosos de pobreza mas para isso ser possível não devemos apontar o dedo. Alguém honestamente, pode comparar uma escola situada em zona de bairros sociais com uma escola onde todos os alunos têm atividades extracurriculares de línguas e explicações? Certamente que não.
Olhemos então para o “ranking” publicado e saibamos ler nas entrelinhas. Retiremos dos dados a análise que os mesmos permitem mas nunca o usemos como uma verdade absoluta e discriminatória. Bom trabalho a todos que valorizam a escola. A escola é muito mais que qualquer “ranking”.
