As primeiras semanas de governação à esquerda vêm demonstrar que o Partido Socialista não aprendeu nada com o passado, não aprendeu nada com o processo que nos levou à bancarrota e ao regresso da troika. Várias medidas foram tomadas a correr, destruindo uma boa para das decisões tomadas pelo anterior governo, sem qualquer razão estratégica ou fundamental, mas apenas por puro populismo.
Falo dos feriados, do fim dos exames, do concurso de professores, reversão da TAP e dos transportes do Porto e de Lisboa, ou reversão dos cortes da função pública, e agora as 35 horas da função pública.
Entretanto a produção industrial, começou a cair, o investimento estrangeiro já se reduziu e a confiança das empresas está hesitante. Ontem ficamos a saber que o Governo vai adiar o pagamento de uma tranche ao FMI. Enquanto que o anterior governo antecipou pagamentos para obter juros mais baixos, poupando dinheiro dos contribuintes, António Costa decidiu adiar o pagamento, o que só em juros custará pelo menos 700 milhões de euros.
Não havia necessidade, o caminho deveria ser o oposto.
Ora, esta opção de António Costa está diretamente ligada às decisões que tomou, populistas, populares, mas irresponsáveis. Ou seja, para fazer este “brilharete” os contribuintes vão pagar a despesa das medidas em si às quais se somam mais 700 milhões de euros em juros, apenas e só porque o Governo tem pressa em fazer coisas simpáticas mesmo que isso comprometa o nosso futuro, mesmo que isso venha a sair mais caro aqueles que agora são beneficiados.
António Costa, e o seu governo, não estão a virar a página da austeridade, estão sim a regressar à página anterior, à página que terminou com a chegada da troika, que nos trouxe o maior período de austeridade que o país já conheceu.
