Cocriação artística transformou a aldeia e aproximou gerações. Foto: ©Mouralves Fotografia

A aldeia de Água das Casas, no norte do concelho de Abrantes, foi palco, a 27 e 28 de setembro, da Mostra de Água das Casas 2025, um projeto de cocriação artística e mediação cultural promovido pela associação Mundo em Reboliço. A iniciativa teve continuidade em Abrantes, com apresentações no Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA) e na Biblioteca António Botto, a 3 de outubro.

Com direção artística da coreógrafa Filipa Francisco, natural de Água das Casas e responsável pela associação organizadora, a Mostra consolidou um percurso iniciado em 2024, no chamado “ano zero” do projeto.

Nessa fase, realizou-se um trabalho de escuta e partilha com os habitantes e antigos moradores da aldeia, cujas histórias e memórias foram recolhidas em vídeo, áudio e texto, servindo de base à edição de 2025.

Entre os vários resultados artísticos apresentados destacam-se o livro Água das Casas: Uma amostra, de José Martinho Gaspar; o mural pintado na Fonte de Santo António (ou Fonte do Cabeço), da autoria de Anacleto Guia; o filme À Procura de Uma Aldeia, realizado por Miguel Canaverde com crianças e jovens locais; e o solo de dança contemporânea interpretado por Susana Domingos Gaspar.

O livro de José Martinho Gaspar revisita as memórias da aldeia, cruzando realidade e ficção para reconstruir o quotidiano e o imaginário rural.

Já o mural de Anacleto Guia, também descendente de Água das Casas, recupera a história recente da aldeia e simboliza a revitalização do espaço público, assinalada pela reabertura da torneira do antigo fontanário.

A performance de Susana Domingos Gaspar transportou o público para o universo solidário e natural do mundo rural, enquanto o filme de Miguel Canaverde propôs um olhar sobre o passado, o presente e o futuro da aldeia, tendo como pano de fundo a albufeira de Castelo do Bode, inaugurada há 75 anos.

A Mostra contou ainda com oficinas de dança comunitária, dinamizadas por Susana Gaspar na Escola da Matagosinha, e com a participação do grupo de teatro Além Mundus, do Souto, que apresentou o seu espetáculo na sede do CSCRD de Água das Casas, parceiro do projeto.

O evento, que despertou grande entusiasmo entre os habitantes e participantes, foi apoiado pelo FinAbrantes e pela Direção-Geral das Artes.

Com o sucesso da edição de 2025, a comunidade e os organizadores já olham com expectativa para a próxima Mostra de Água das Casas 2026, que promete continuar a construir pontes entre arte, memória e território.

Cocriação artística transformou a aldeia e aproximou gerações. Foto: ©Mouralves Fotografia

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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