O médico João Nunes Oliveira e Sousa, apelidado de “pai” da Medicina Interna da região do Médio Tejo. Créditos: CHMT

Morreu o médico João Nunes Oliveira e Sousa, apelidado de “pai” da Medicina Interna da região do Médio Tejo. O Centro Hospitalar do Médio Tejo refere ter perdido “uma das personalidades mais fundamentais e marcantes” da sua história médica.

Em nota de pesar refere que João Sousa “marcou inúmeras gerações de médicos” durante os mais de trinta anos que esteve na instituição. “Tocou, também, a vida de milhares de utentes ao longo dos anos, pois o humanismo era uma das suas maiores características”.

João Nunes Oliveira e Sousa, nascido a 3 de outubro de 1949, encontrava-se na situação de reformado, tendo falecido, subitamente, na semana passada, tendo ido a sepultar no cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

Licenciado em Medicina, pela Faculdade de Medicina de Lisboa, onde para além de aluno, lecionou a cadeira de Bioquímica, João Sousa especializou-se em Medicina Interna, tendo realizado a sua formação nos Hospitais Civis de Lisboa – no Hospital de Santo António dos Capuchos (atual Centro Hospitalar Lisboa Central).

Em 1984, o especialista concorreu a uma vaga no Hospital de Abrantes, cujas instalações, nessa altura, estavam localizadas na Santa Casa da Misericórdia de Abrantes. Segundo o CHMT, a sua chegada ao Hospital de Abrantes conduziu a “um desenvolvimento muito significativo, sobretudo após a inauguração do novo Hospital”. A João Sousa se deve a organização do serviço de Medicina em termos de Enfermarias, Consultas e Serviço de Urgência. É também da sua iniciativa a constituição e o desenvolvimento do Serviço de Medicina Interna de Abrantes.

A idoneidade necessária, para o serviço de Medicina Interna do CHMT passar a ter capacidade formativa da especialidade, foi obtida graças às suas diligências. Capacidade que se manteve até à atualidade, sendo a Unidade de Abrantes incubadora de centenas de médicos de todo o país. O médico foi responsável pela formação de várias gerações médicos – internos de formação geral e, também, de internos de especialidade, nomeadamente de Medicina Geral e Familiar e de Medicina interna.

Acrescenta o CHMT que “no Serviço de Urgência de Abrantes, foi também graças à sua visão que se iniciou a presença física, 24 horas por dia, de especialista de Medicina Interna e de internos de especialidade”.

Também as consultas temáticas, nomeadamente as consultas de Diabetes, Doenças Autoimunes e Doenças Hematológicas, iniciaram por sua iniciativa. A João Sousa se devem, igualmente, a realização de várias técnicas médicas pioneiras.

“A paixão pela ciência e pelo saber marcam toda a vida do Dr. João Sousa e do seu preenchido percurso profissional no CHMT onde, ao longo de mais de três décadas, desempenhou diversos cargos como Diretor Clínico, Diretor da Urgência, Diretor do Serviço de Medicina Interna e Presidente da Comissão de Farmácia e Terapêutica”, lê-se na nota de pesar na página do Facebook do CHMT.

João Sousa era um médico internista “com uma fortíssima formação científica e com um enorme senso clínico. Acumulava ainda com uma capacidade de organização invejável e com um conhecimento também na área de gestão clínica e com uma cultura geral de enorme dimensão. O médico foi, durante vários anos, o responsável pela organização de reuniões de serviço e de apresentações de trabalhos científicos, que incluíam por vezes também colaboração com outros serviços da área médica e também da área cirúrgica”, acrescenta a mesma nota.

A instituição à qual dedicou praticamente toda a sua carreira escreve ainda que “como médico era admirado e muito respeitado por todos os seus pares e por todos os seus doentes. Efetivamente, ao longo de toda a sua vida profissional, o doente esteve sempre no centro da sua atividade e em termos de trabalho, com os outros profissionais de saúde sempre o fez com espírito de equipa e entreajuda”.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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