Ficámos hoje a saber que a Moody´s, umas principais agências de rating, elogiou as alterações feitas ao Orçamento de Estado para 2016, destacando a inversão da estratégia prevista entre a proposta de orçamento inicial, muito criticada pela Comissão Europeia, e a versão remendada quatro vezes que foi já aprovada na generalidade pelo Parlamento português.
Curiosamente, os partidos de esquerda que suportam o governo que tanto apuparam as correções feitas por Bruxelas, que criticaram as exigências feitas pela Comissão Europeia, os que ignoraram os avisos feitos pelos mais destacados economistas portugueses e estrangeiros, e que se indignaram com as críticas do PSD e do CDS, são os mesmo que pululam de contentamento porque esta agência elogiou as alterações e a mudança de rumo deste novo orçamento. São também os mesmos que sempre diabolizaram as agências de rating, os mesmos que agora as endeusam.
Onde está a coerência? Se isto não fosse grave, dava vontade de rir.
Mas será mesmo descaramento ou será apenas incompetência? Penso que seja a segunda, pois terão acreditado que a “inversão de rumo” elogiada pela Moody´s se referia ao “tempo novo”, ao tempo do populismo e do despesismo. Acreditaram que a mudança de rumo elogiada era mesmo a reposição acelerada de rendimentos, a reposição dos feriados, a reversão dos transportes, as 35 horas ou mesmo a semi-nacionalização da TAP.
Mas não, se tivessem lido tudo teriam percebido que o elogio da Moody´s se referia às alterações que o governo foi obrigado a fazer, à maior redução do défice do que o previsto inicialmente, mas sobretudo ao maior realismo colocado nas previsões macroeconómicas.
Esta reação inusitada revela-nos bem a forma como este governo e os partidos que o apoiam interpretam a governação pública. Ontem falou-se de um acordo histórico, espero sinceramente que o resultado deste orçamento não nos traga uma recordação histórica pelas piores razões.
