Vírus Monkeypox já chegou à região do Médio Tejo, ACES confirma 1º caso. Foto: © Getty Images

“Temos um caso confirmado e um caso em estudo ainda, de Monkeypox, são os dois casos, um caso confirmado e um caso em estudo, em indivíduos do sexo masculino, aliás como no resto do país, nós não temos casos em pessoas do sexo feminino”, disse ao mediotejo.net Maria dos Anjos Esperança, Delegada de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo.

ÁUDIO | MARIA ANJOS ESPERANÇA, DELEGADA SAÚDE PÚBLICA DO ACES MÉDIO TEJO

Com a confirmação hoje de mais 20 casos de infeção humana por vírus Monkeypox e a confirmação do primeiro caso no Médio Tejo, elevando o total de casos para 348 em Portugal, o mediotejo.net quis saber junto da Delegada de Saúde Pública o que as pessoas podem esperar e como devem proceder perante alguns sintomas ou contactos com pessoas doentes.

O que é que as pessoas podem fazer relativamente a este vírus Monkeypox? De onde é que derivam estas situações?

A varíola de Monkeypox é uma doença de contacto, através da pele, através de roupas contaminadas, com superfícies contaminadas. Por isso, efetivamente há que ter todo o cuidado, primeiro a pessoa que está doente não deve estar em contacto com outras pessoas e ter noção que efetivamente tem de ir ao médico, e  é preciso que os médicos notifiquem. É muito importante a notificação para nós podermos fazer investigação epidemiológica, para darmos os conselhos às pessoas e dizer o que têm de fazer. Um doente com Monkeypox deve isolar-se, a doença pode ser transmitida até ao vigésimo dia ou a partir da altura em que aparecem as vesículas, porque esta doença manifesta-se primeiro na pele com uma vermelhidão, depois aparece uma espécie de borbulhas, digamos assim, as vesículas com líquido, e esse líquido é altamente contagioso.

Enquanto essas vesículas não estiverem completamente secas, está-se em período de contágio, portanto as pessoas têm de ter noção e têm de ter algum cuidado em relação a isso. Devem fazer o isolamento, tal e qual como se fazia na covid-19, e como se faz ainda, os sete dias de isolamento total das pessoas porque um aperto de mão, um abraço, uma partilha de uma roupa contaminada pode transmitir a doença.

Há que desmistificar que esta doença está associada só ao sexo, porque é uma doença que pode surgir através de qualquer destas circunstâncias que eu acabei de referir. Efetivamente não temos casos no sexo feminino, só temos casos, no país, do sexo masculino, onde existe uma maior facilidade de transmissão, também ligado ao sexo, sem dúvida nenhuma, e, portanto, há que ter cuidados nesse campo, saber efetivamente com quem se está, com quem se contacta e evitar essas fontes de transmissão de doença que são todos os contactos de pele, de roupas, de superfícies de alguém que esteja doente.

Portanto este vírus não se transmite pelo ar, não dá sintomas, é mais visível no corpo?

Esta doença pode acompanhar-se do aparecimento destas vesículas, tem uma tradução na pele, mas pode acompanhar-se com febre, com dores, com prurido, com alguma comichão no sítio onde essas lesões estão para aparecer. Pode acompanhar-se com essa sintomatologia, pode acompanhar-se com sintomatologia de doença respiratória, há uma panóplia de sintomas, tal como nós também víamos na covid e tal como nós vimos noutras doenças infetocontagiosas. É essencialmente a pessoa saber e pensar se esteve com alguém que podia estar doente e alguém que está doente saber com quem esteve para avisar e para dizer: “olha eu estive contigo e estive com pessoa assim”, para nós podermos atuar e fazer o despiste do aparecimento de outras doenças em outras pessoas.

Uma pessoa que esteja doente deixa de estar infecciosa “apenas após a cura completa e a queda de crostas das lesões dermatológicas”, período que poderá ultrapassar quatro semanas. Foto: DR

Esta doença é letal ou é temporária e com pouca sintomatologia?

É uma doença temporária, que deixa imunidade e as pessoas mais antigas devem lembrar-se da vacinação da varíola que foi erradicada em 80/81 no nosso país e que tinham a vacina da varíola, que era uma vacina em que havia um aparo, que arranhava a nossa pele e que deixava uma marca específica. Há pessoas que ainda têm essa marca da vacina da varíola. Portanto esta é uma doença que deixa imunidade, mas é uma doença que não é letal, não há taxas de mortalidade elevadas desta doença e as complicações são muito raras, portanto, cura-se e deixa imunidade.

E em termos de saúde pública até que ponto, tendo em conta que já há casos confirmados na região, até que ponto o ACES Médio Tejo tem conselhos a dar à população? Ou alguém que tenha dúvidas ou suspeitas como se pode informar?

Informar, podem se informar junto de qualquer serviço de saúde pública e podem sobretudo estar atentos àquilo que eu disse: ao terem contacto com alguém que possa estar doente, sobretudo as pessoas que estiveram doentes, saberem e avisarem as pessoas com quem estiveram em contacto. Naturalmente que é uma doença infetocontagiosa, portanto é contagiosa. Há que passar a palavra das pessoas que podem ter tido a doença e aos contactos que tiveram, e nós, em termos de saúde pública, quando temos conhecimento de algum caso contactamos a pessoa, contactamos o médico que faz o diagnóstico e fazemos o inquérito epidemiológico, dando os conselhos, quer à pessoa doente, que depois deve transmitir, quer com as pessoas que convivem com o doente qual é o afastamento que devem ter de um doente, que é essencialmente o afastamento, que é a medida principal para não haver o contágio da doença.

Com os casos que temos confirmados, a situação é pouco preocupante ou estamos no início de algum problema mais complicado?

No país temos mais de 300 casos, no país todo, penso que não irá aumentar exponencialmente, mas no Médio Tejo temos efetivamente poucos casos, como disse apenas um confirmado e outro em estudo, mas esperemos que não aumentem muito mais, peço às pessoas para terem cuidado para que não tenhamos muitos mais casos”, apelou.

Monkeypox | Total de casos confirmados em Portugal sobe para 348

A Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou hoje mais 20 casos de infeção humana por vírus Monkeypox em Portugal, elevando o total de casos para 348, a maioria notificadas em Lisboa e Vale do Tejo. Segundo a DGS, também há registo de casos nas regiões do Norte, Alentejo e Algarve.

Todas as infeções confirmadas são em homens entre os 19 e os 61 anos, tendo a maioria menos de 40 anos. Os novos casos foram confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

A DGS adianta que os casos identificados se mantêm “em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis”.

Portugal recebe vacinas para contactos de Monkeypox até ao final do mês. Foto: DR

A autoridade nacional de saúde recorda que uma pessoa que esteja doente deixa de estar infecciosa “apenas após a cura completa e a queda de crostas das lesões dermatológicas”, período que poderá ultrapassar quatro semanas.

“A informação recolhida através dos inquéritos epidemiológicos está a ser analisada para contribuir para a avaliação do surto a nível nacional e internacional”, acrescenta a DGS, que diz continuar a acompanhar a situação a nível nacional em articulação com as instituições europeias.

c/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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