A Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Seiça foi alvo de um projeto de reabilitação, um investimento comparticipado em mais de um milhão de euros, e na sexta-feira, 18 de julho, realizou-se a cerimónia oficial de apresentação da renovada infraestrutura, momento que contou com a presença do secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa.
O secretário de Estado do Ambiente visitou em primeiro lugar as instalações oureenses da Tejo Ambiente, onde foi recebido pelo presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Albuquerque, que é também presidente do Conselho de Administração da Tejo Ambiente. Além do autarca, também Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal e vice-presidente da Assembleia Geral da Tejo Ambiente, o vereador da Câmara Municipal de Ourém, Rui Vital, e José Santos, Diretor-geral da Tejo Ambiente, dirigiram uma visita às instalações e fizeram uma breve apresentação da empresa intermunicipal.
Já em Sabacheira, na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Seiça, também Hugo Cristóvão, presidente da Câmara Municipal de Tomar, e Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação, ambos vogais do Conselho de Administração da Tejo Ambiente, receberam o secretário de Estado, em momento que contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes, também secretário da Assembleia Geral da Tejo Ambiente, do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire, que é também o presidente da Assembleia Geral da Tejo Ambiente. Aqui e em conjunto, procederam ao institucional descerrar da placa de inauguração e deu-se início às intervenções oficiais.

O presidente da Câmara Municipal de Tomar, Hugo Cristóvão, iniciou a sua intervenção com uma manifestação do seu regozijo pela reabilitação realizada na ETAR de Seiça, “obra há muito ansiada no concelho de Ourém e de Tomar” que é um contributo fundamental para precaver episódios de poluição no rio Nabão.
Seguiu-se a intervenção de Vera Eiró, presidente do Conselho de Administração da ERSAR – Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, que felicitou a Tejo Ambiente pela reabilitação realizada na ETAR de Seiça, “num trabalho contínuo de melhoria do serviço e das infraestruturas”. Destacou ainda a preponderância dos projetos desenvolvidos numa lógica de agregação, “garantindo que os meios servem a maior quantidade de pessoas possível”.
O presidente da Câmara de Ourém, Luís Miguel Albuquerque, fez um retrato da realidade da Tejo Ambiente e da sua atuação, com uma retrospetiva do seu passado e perspetivando o futuro da empresa intermunicipal. Depois da apresentação dos argumentos que sustentaram a constituição da Tejo Ambiente, Luís Miguel Albuquerque, sublinhou “os dois anos consecutivos de resultados positivos da empresa”, realidade que se deve “à economia de escala permitida pela empresa intermunicipal e à aprovação das candidaturas comunitárias submetidas”.
Neste momento, “com cinco anos de existência, a Tejo Ambiente serve cerca de 106 mil pessoas, tem uma área de abrangência de 1.500 km2, com cerca de 77 mil clientes”. Seguidamente, o autarca apresentou alguns dados sobre o impacto da Tejo Ambiente no território, nomeadamente o aumento da taxa de cobertura de saneamento nos municípios que compõem a Tejo Ambiente de 43% para 52%, com o objetivo de atingir os 60% de cobertura até 2030.
No que à água não faturada diz respeito, o autarca indicou uma redução de 56% para 39% e a perspetiva de atingir os 30% em 2030, além da afluência indevida de águas para tratamento, que sofreu uma redução de 172%, em 2019, para os atuais 116%.
Em cinco anos, a Tejo Ambiente realizou 29 milhões de euros de investimento, com um apoio de cerca de 14 milhões de fundos comunitários.
Segundo Luís Albuquerque o projeto de reabilitação da ETAR de Seiça foi uma prioridade, “já que a infraestrutura com 22 anos necessitava urgentemente de uma intervenção”, pois verificava-se um significativo nível de desgaste e a necessidade de uma atualização tecnológica.
O autarca apontou também para o futuro com a necessidade de reabilitar os emissários que confluem para a ETAR de Seiça, continuar a renovar as condutas de água e a substituição dos contadores de água, para além da requalificação da ETAR do Alto Nabão, projetos previstos realizar até 2030 num total de 36 milhões de euros de investimento.




Ainda perspetivando o futuro, Luís Albuquerque aproveitou a presença do secretário de Estado do Ambiente para apontar alguns problemas que condicionam o trabalho da empresa intermunicipal, como seja o regime fiscal aplicado, as dificuldades no acesso a financiamento e os valores praticados pelos sistemas de água em alta que influenciam gravemente os valores das tarifas finais dos consumidores.
O presidente da Câmara de Ourém encerrou a sua intervenção ao afirmar que a política de agregação que está na génese da Tejo Ambiente é o caminho correto a seguir e, neste contexto, é imperioso promover mais agregações e apoiar os projetos já existentes.
A sessão de intervenções oficiais encerrou com o secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa, que sublinhou desde logo que “a política de agregações em territórios de baixa densidade é fundamental para a sustentabilidade económica dos sistemas”.
O governante lembrou que o abastecimento público de água está neste momento assegurado a nível nacional, exceto em algumas zonas do Algarve, e manifestou a sua preocupação com os números de desperdício nos sistemas de abastecimento de água, “valores que poderiam resolver os problemas de renovação das infraestruturas e a constante manutenção necessária”.
Enunciou o trabalho que o Governo está a desenvolver para influenciar as políticas europeias na disponibilização de fundos comunitários para a gestão das águas, assim como o objetivo do Governo para que o sistema de água em alta pratique os mesmos preços em todo o país.
A comitiva fez depois uma visita à ETAR de Seiça para análise das atuais condições da infraestrutura, com uma explicação técnica do seu funcionamento.
A ETAR de Seiça tem sido apontada como uma das principais responsáveis pela poluição do rio Nabão nos últimos anos, pelo facto de ser subdimensionada para as necessidades atuais.
“Proteger o ambiente e promover a eficiência de recursos” é o objetivo principal apontado para este investimento no âmbito do POSEUR, que conta com um financiamento comunitário de 85%.
Segundo a Tejo Ambiente, “a operação ‘Fecho de Sistemas de Saneamento de Águas Residuais Ligação à ETAR de Seiça’ consistiu na execução de 9944,89 ml de coletores gravíticos e 383 ramais de ligação (distribuídos por 6 sub-bacias) com ligação ao Subsistema de Saneamento de Seiça e tratamento final na ETAR de Seiça”.
