Constância pede apoios ao governo para abrir Casa "digna da Memória de Camões". Foto: Ricardo Escada

A Assembleia Municipal de Constância aprovou, por unanimidade, a 27 de junho, uma moção da Coligação Democrática Unitária (CDU) designada ‘Pela Criação da Casa Nacional de Camões’, no sentido de instar o Governo para que “a Casa Memória de Camões, localizada na freguesia e concelho de Constância, passe a designar-se Casa Nacional de Camões” e que o executivo “assegure o financiamento das obras necessárias de requalificação do edifício, bem como da contratação de pessoal administrativo e técnico e de meios materiais que permitam a sua abertura diária ao público”, lê-se na moção.

Para os eleitos da CDU “a Casa Nacional de Camões tem um imenso potencial de atração turística, não apenas para os apaixonados pela literatura, mas também para aqueles que buscam a tranquilidade e a beleza natural de Constância. A sua localização, num ponto estratégico de encontro dos rios e rodeada de natureza, oferece aos visitantes um ambiente inspirador, propício à reflexão e à contemplação, tal como terá acontecido com Camões”.

Além disso, “o espaço é um importante recurso pedagógico, permitindo que escolas e grupos de estudo explorem a vida e a obra do poeta de forma dinâmica e interativa, fomentando o conhecimento e a valorização do património literário português. A Casa-memória de Camões, em Constância, é um verdadeiro tesouro cultural e patrimonial, que merece ser reconhecido e valorizado pelo seu contributo para a preservação e promoção da obra de Luís de Camões”, defendem os deputados municipais comunistas.

A moção refere também que “Camões tem com Constância uma relação afetiva e cultural baseada na tradição popular que persiste ao longo dos séculos de que Camões terá vivido durante algum tempo numa casa quinhentista em Punhete (agora Constância)”.

Ora, essa tradição “passada de geração em geração ganhou expressão nacional quer pelo empenho do médico constanciense Adriano Burguete quer pelos trabalhos de investigação executados pela Dr.ª Maria Clara Pereira da Costa e pelo inexcedível trabalho e persistência de Manuela de Azevedo, escritora e jornalista, que dedicou a maior parte da sua vida a esta causa tendo impulsionado e sido sócia fundadora da Associação Casa-Memória Camões em 1977, cujo objetivo principal seria consolidar a ancestral relação de Constância com a memória de Camões”.

Em reconhecimento a essa tradição, foi construída a Casa-Memória de Camões sobre as ruínas quinhentistas (classificadas como imóvel de interesse público em 1983) da suposta casa onde o poeta viveu.
“A Casa-Memória de Camões, é pois um espaço de profundo significado histórico, patrimonial e cultural, que exalta a figura do maior poeta da língua portuguesa, Luís de Camões desempenhando um papel central na perpetuação do seu legado cultural”, acrescenta a moção da CDU.

Para os eleitos da comunistas é portanto “justo” que “a Associação Casa-Memória de Camões em Constância (proprietária e responsável pela gestão daquele espaço), a população e as forças vivas do concelho reclamem do Governo Central o reconhecimento da Casa Memória de Camões em Constância como Casa Nacional de Camões e o necessário financiamento para a sua abertura permanente ao público”.

Tendo sido aprovada, a moção deverá agora ser remetida para: o Primeiro Ministro; a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, o Presidente da Assembleia da República ; todos os grupos parlamentares e deputados únicos da Assembleia da República ; a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo ; a Associação Casa Memória de Camões em Constância ; e comunicação social regional e Agência Lusa.


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A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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