Junta de Freguesia de Rio de Moinhos (Abrantes) aprova moção contra saída de farmácia. Foto: DR

A Assembleia de Freguesia de Rio de Moinhos, reunida em sessão ordinária no passado dia 28 de dezembro de 2025, aprovou por unanimidade uma moção contra a eventual transferência da farmácia da localidade, considerando o serviço essencial para cerca de mil habitantes da freguesia e de aldeias limítrofes do norte do concelho de Abrantes.

A moção, apresentada pelo executivo liderado por Célia Lopes, sublinha que a farmácia constitui o único ponto de acesso a medicamentos e cuidados farmacêuticos primários, sendo particularmente relevante para uma população envelhecida, com limitações de mobilidade e reduzida oferta de transportes públicos.

A Assembleia alerta ainda para o risco de agravamento da desertificação das freguesias rurais e para a perda de coesão territorial caso o serviço seja deslocalizado para o centro urbano.

No documento, os eleitos defendem que a proximidade aos cuidados de saúde é um direito fundamental e recordam que situações semelhantes no concelho, como na Bemposta, resultaram no indeferimento de pedidos de transferência por parte do INFARMED, por não salvaguardarem os interesses da população local.

A moção apela, por isso, à intervenção da Câmara Municipal, do INFARMED e do Ministério da Saúde para garantir a continuidade do serviço em Rio de Moinhos.

Questionado sobre o assunto, o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, afirmou compreender plenamente a preocupação expressa pela freguesia, reconhecendo a importância da farmácia para a população local e para toda a zona norte do concelho.

O autarca explicou que o município tem analisado o processo do ponto de vista urbanístico, deixando a decisão final ao INFARMED, entidade com competência técnica para avaliar pedidos de deslocalização, mas frisou que, desde o início, a Câmara tem manifestado preocupação com a eventual perda de um serviço essencial.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

Manuel Jorge Valamatos reconheceu ainda que existe uma dimensão económica associada à sustentabilidade das farmácias, mas defendeu que essa realidade deve ser equilibrada com a defesa do acesso das populações ao medicamento, considerando a moção da Assembleia de Freguesia uma posição legítima e responsável, que reforça preocupações já assumidas pelo município.

A moção será agora remetida à Assembleia Municipal de Abrantes, ao INFARMED, ao Ministério da Saúde e aos órgãos de comunicação social locais e regionais.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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