A informação foi avançada pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas (SITE-CSRA), que indica que a paragem abrangerá o mês de julho, seguindo-se o habitual encerramento para férias em agosto naquela unidade industrial sediada em Tramagal, no concelho de Abrantes.
Contactada pela Lusa, a Mitsubishi Fuso Truck and Bus Corporation (MFTBC), com sede no Japão, confirmou hoje que “não está prevista produção para julho de 2026”, indicando que a fábrica está a ajustar o seu planeamento operacional “em consonância com a transição do modelo europeu de encomendas e distribuição”, acrescentando que agosto corresponde ao habitual período de paragem anual de verão.
“Oficialmente, vamos ter um lay-off durante todo o mês de julho e, até ao final desse período, deverão ser celebrados acordos para a saída de 40 trabalhadores, assim como dos trabalhadores temporários”, afirmou, por sua vez, Dário Lima, trabalhador da empresa e dirigente sindical.
Em resposta escrita, fonte oficial da MFTBC confirmou igualmente que, “em linha com o ajustamento dos planos de produção para os próximos trimestres”, está a adaptar a sua estrutura de recursos humanos a partir de julho, tendo sido disponibilizado “um programa voluntário aos trabalhadores que manifestem interesse”, sem divulgar números sobre as saídas previstas.
Segundo o sindicato, durante a paragem a empresa deverá realizar obras e melhorias nos equipamentos, nomeadamente em matéria de saúde e segurança no trabalho.

A empresa indica ter cerca de 400 trabalhadores permanentes, enquanto o sindicato aponta para cerca de 500 no total, incluindo contratos a prazo e temporários.
No plano laboral, o sindicato adiantou que os trabalhadores abrangidos pela paragem não receberão a totalidade do salário, embora a remuneração fique acima do valor base previsto no regime.
“Não a 100%. Nós pretendíamos chegar a esse ponto. A empresa não chega a tanto”, afirmou Dário Lima, acrescentando que a remuneração ficará acima do valor base do regime, mas abaixo do salário integral.
A fábrica do Tramagal atravessa um processo de reestruturação associado à evolução da gama de veículos produzidos, com impacto no volume de produção.
Segundo o sindicato, a unidade deixará de fabricar para o mercado europeu os modelos Canter a gasóleo até 3.500 quilos, mantendo a produção de veículos de maior dimensão e da versão elétrica eCanter.
A empresa afirmou estar a rever continuamente o portefólio europeu de veículos ligeiros, tendo em conta a transição para veículos de zero emissões, os requisitos regulamentares e as necessidades dos clientes, escusando-se, para já, a comentar o futuro de modelos específicos.
O sindicato relaciona esta alteração com as exigências ambientais do setor automóvel europeu, nomeadamente a futura norma Euro 7.

A empresa indicou, por sua vez, que a fábrica do Tramagal continua a acompanhar a evolução regulamentar no mercado europeu e a avaliar as adaptações industriais necessárias, acrescentando que, nesta fase, a transição não implica qualquer redução estrutural adicional da produção.
O sindicato admite preocupação quanto ao futuro da unidade, num contexto marcado pela integração da Mitsubishi Fuso e da Hino Motors na nova holding ARCHION, criada pela Daimler Truck e pela Toyota.
“Há alguma preocupação, é óbvio, porque não havendo informações e definições do que será o futuro, há sempre uma incógnita”, declarou Dário Lima.
A multinacional garantiu que a unidade do Tramagal “continua a operar como parte da atual rede industrial internacional”, sem alterações ao seu papel neste momento, acrescentando não prever mudanças adicionais para além dos ajustamentos já comunicados.
Lusa
